PF indicia 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass por queda de avião que matou 62 pessoas

Investigação criminal da Polícia Federal aponta indícios de responsabilidade de integrantes da companhia aérea após quase dois anos de apuração sobre o acidente que chocou o país.
Redação NC News
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A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia aérea. O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo, e provocou a morte das 62 pessoas que estavam a bordo da aeronave, entre passageiros e tripulantes.

O relatório final foi apresentado nesta quinta-feira (6) e reúne as conclusões da investigação criminal conduzida pela PF. O documento será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou arquiva o caso. O indiciamento não significa condenação.

O que aponta a investigação
Segundo a Polícia Federal, a investigação reuniu laudos periciais, documentos e outros elementos para apurar possíveis responsabilidades criminais relacionadas ao acidente. Os indiciamentos envolvem funcionários e ex-funcionários da empresa responsáveis por diferentes áreas da operação da companhia.

A apresentação do relatório ocorre semanas após a divulgação do relatório técnico do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que apontou uma sequência de falhas operacionais, organizacionais e de fiscalização que contribuíram para a tragédia.

Relembre a tragédia
O voo 2283 da Voepass fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram no acidente, considerado o maior da aviação comercial brasileira desde 2007.

As investigações técnicas concluíram que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo durante o voo e que houve uma combinação de fatores que resultou na perda de controle da aeronave. O relatório do Cenipa, no entanto, tem caráter exclusivamente preventivo e não atribui responsabilidade criminal.

O que acontece agora
Com a conclusão do inquérito policial, caberá ao Ministério Público Federal analisar as provas reunidas pela Polícia Federal. O órgão poderá apresentar denúncia à Justiça Federal, pedir novas investigações ou solicitar o arquivamento do caso. Somente se a denúncia for aceita pela Justiça terá início uma ação penal contra os investigados.

Entenda o contexto
A queda do avião da Voepass, em agosto de 2024, mobilizou autoridades, especialistas e familiares das vítimas. A investigação técnica conduzida pelo Cenipa teve como objetivo identificar as causas do acidente para evitar novas tragédias, enquanto o inquérito da Polícia Federal buscou apurar a existência de crimes e identificar possíveis responsáveis. O indiciamento representa uma etapa da investigação criminal e não significa que os investigados sejam culpados, cabendo à Justiça decidir sobre eventual responsabilização após a análise do Ministério Público Federal.

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