As suspeitas levantadas sobre a escolha do atual presidente da Fundação ABC e a contratação da entidade para administrar o Instituto de Infectologia Emílio Ribas levaram o NC News a buscar esclarecimentos junto aos envolvidos. Após a publicação da primeira reportagem, a Fundação apresentou sua versão sobre o processo e contestou a existência de qualquer irregularidade na indicação de seu presidente ou na contratação para administrar a unidade de saúde.
Segundo a entidade, Aldemir foi eleito pelo Conselho Curador da Fundação do ABC em dezembro de 2025 e tomou posse em janeiro de 2026. Naquele momento, ele deixou a Secretaria de Estado da Saúde e, de acordo com a Fundação, passou a não ter mais qualquer vínculo com o Governo de São Paulo.
Como o atual presidente chegou ao comando da Fundação do ABC?
O prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, foi ouvido pelo NC News e detalhou os bastidores da escolha. Segundo ele, o processo de indicação foi considerado “extremamente técnico” e levou em conta a experiência dos profissionais avaliados.
De acordo com o prefeito, Santo André tinha, naquele mandato, a prerrogativa de indicar o presidente da Fundação do ABC. A administração municipal teria analisado diferentes nomes antes de chegar à escolha de Ademir, principalmente em razão de sua experiência acumulada na área de gestão da saúde pública.
Durante entrevista ao NC News, Gilvan explicou como a indicação foi conduzida e afirmou que a decisão levou em consideração critérios técnicos.
Governo de São Paulo participou da escolha?
Segundo Gilvan Ferreira, o Governo do Estado não teria participado diretamente da escolha do nome para a presidência da Fundação.
De acordo com o prefeito, a participação do Estado ocorreu para autorizar a liberação do então secretário de Estado da Saúde para que ele pudesse assumir a nova função. Depois disso, o nome foi submetido ao Conselho Curador da Fundação do ABC.
O órgão é formado por representantes dos municípios, da comunidade acadêmica e dos conselhos de saúde. Segundo as explicações apresentadas ao NC News, a indicação foi aprovada por unanimidade pelo colegiado.
A versão apresentada pela Prefeitura de Santo André e pela Fundação do ABC é que o processo ocorreu dentro das instâncias previstas para a escolha da presidência da entidade.
Quando foi firmado o contrato para administrar o Emílio Ribas?
Outro ponto central dos questionamentos envolve a contratação da Fundação do ABC para administrar o Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Em nota enviada ao NC News, a Fundação afirma que o contrato foi firmado somente em março de 2026, depois de um chamamento público que contou com a participação de outras organizações sociais de saúde.
A entidade sustenta que, quando o contrato foi celebrado, seu atual presidente já havia deixado a Secretaria de Estado da Saúde.
Esse é um dos principais argumentos apresentados pela Fundação para contestar a existência de conflito de interesses, cogitado pela investigação do MP de São Paulo.
Segundo a instituição, não haveria sobreposição entre o período em que Ademir esteve à frente da Secretaria de Estado da Saúde e o momento em que a Fundação do ABC assumiu a administração do instituto.
O que diz a Fundação do ABC?
Além de contestar possíveis irregularidades no processo, a Fundação do ABC destaca sua trajetória de quase seis décadas na gestão pública da saúde.
A entidade afirma atuar de acordo com a legislação e sob acompanhamento dos órgãos de controle.
A Fundação também sustenta que a contratação para administrar o Emílio Ribas ocorreu por meio de chamamento público, com a participação de outras organizações sociais, e não por uma escolha direta sem concorrência.
As explicações foram encaminhadas oficialmente ao NC News após os questionamentos feitos pela reportagem.
As versões apresentadas pela Fundação do ABC e pelo prefeito de Santo André passam a integrar os elementos que serão considerados na apuração conduzida pelo Ministério Público.
O procedimento ainda está em andamento.
Até o momento, não há conclusão dos órgãos responsáveis pela investigação nem decisão judicial que reconheça a existência de irregularidades no processo.
Por isso, os questionamentos sobre a escolha do presidente da Fundação do ABC e a contratação para administrar o Instituto de Infectologia Emílio Ribas permanecem sob análise.
A investigação deverá avaliar os documentos, os procedimentos adotados e as circunstâncias que envolveram tanto a escolha da presidência da Fundação quanto o processo de contratação da entidade para administrar o hospital enquanto Aldemir ainda ocupava um cargo na Secretaria estadual de Saúde, responsável por homologar o chamamento público que deu início ao processod de contratação da entidade para gerir o Emílio Ribas.
Entenda o contexto
O caso envolve dois momentos distintos: a escolha de Aldemir Humberto Soares para a presidência da Fundação do ABC, em dezembro de 2025, e a contratação da entidade para administrar o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, formalizada em março de 2026.
A Fundação afirma que o presidente já havia deixado a Secretaria de Estado da Saúde quando o contrato foi firmado e, por isso, não identifica conflito de interesses.
O prefeito de Santo André também afirma que a indicação para a presidência seguiu critérios técnicos e foi posteriormente aprovada pelo Conselho Curador.
As explicações, agora, serão confrontadas com os demais elementos da investigação do Ministério Público. O procedimento continua aberto e, até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual irregularidade.