O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, saiu em defesa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após o debate realizado neste domingo entre o atual governador e o candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad. Nunes aproveitou a repercussão do confronto para rebater críticas feitas pelo petista à administração municipal e acusou Haddad de promover uma “sucessão de mentiras e desinformação” durante o debate.
A manifestação ocorreu após Tarcísio classificar a gestão de Nunes como a melhor entre as prefeituras do Estado. A declaração provocou reação da equipe de Haddad e abriu espaço para que o prefeito se manifestasse sobre o embate político entre os dois candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.
Nunes resgata passagem de Haddad pela Prefeitura de São Paulo
Ao comentar a reação dos aliados de Haddad, Nunes voltou a atacar a gestão do petista na Prefeitura de São Paulo.
O prefeito afirmou que Haddad deixou o cargo com baixa aprovação e lembrou o resultado da eleição municipal de 2016, quando o então prefeito tentou a reeleição, mas terminou derrotado.
“Independentemente da opinião sua, minha ou de qualquer pessoa, isso são dados concretos. Quem perdeu para votos brancos e nulos na análise dos seus quatro anos, acho que isso aí está muito claro”, afirmou Nunes.
A declaração faz referência ao desempenho eleitoral de Haddad na disputa pela Prefeitura. O episódio continua sendo utilizado por adversários políticos como argumento para questionar a avaliação da gestão do petista na capital.
Nunes rebate Haddad sobre dívida da Prefeitura
Outro ponto central da resposta de Nunes foi a situação financeira da cidade de São Paulo.
Durante o debate, Haddad fez críticas relacionadas ao endividamento do município. O prefeito contestou a avaliação e apresentou números diferentes para sustentar que a capital paulista atualmente possui uma situação fiscal considerada sólida.
Segundo Nunes, a dívida da cidade corresponde hoje a 13,97% da Receita Corrente Líquida (RCL). O prefeito afirmou ainda que, durante a gestão Haddad, o índice teria ultrapassado 120%.
“Dizer que a cidade está endividada. Hoje, o endividamento da cidade é de 13,97% em relação à Receita Corrente Líquida. Já teve em mais de 120% na época dele”, declarou.
A Receita Corrente Líquida é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a capacidade financeira de Estados e municípios, especialmente na relação entre receitas, despesas e limites de endividamento.
Prefeitura de São Paulo tem classificação “triple A”, diz prefeito
Nunes também destacou a classificação financeira atribuída ao município e afirmou que São Paulo atravessa um período de maior estabilidade fiscal.
“Então a gente tem hoje classificação de triple A, maior nível de classificação com relação à questão do endividamento. A cidade está com a saúde financeira muito boa”, disse.
O prefeito também citou o volume de investimentos realizados pela administração municipal. Segundo ele, a Prefeitura mantém aproximadamente R$ 14 bilhões por ano em investimentos.
O argumento é utilizado pela atual administração para sustentar que o município conseguiu ampliar a capacidade de investimento sem comprometer a saúde das contas públicas.
Nunes acusa Haddad de espalhar “mentiras”
Ao ampliar as críticas ao candidato do PT, Nunes afirmou que as declarações feitas por Haddad durante o debate precisariam ser contestadas publicamente.
O prefeito classificou os argumentos apresentados pelo petista como uma sequência de informações que, em sua avaliação, não correspondem à realidade.
“É importante a gente poder aqui, semelhante a essa oportunidade, poder restabelecer a verdade diante de uma pessoa que foi aqui um craque na verdade de mentiras”, afirmou.
A fala de Nunes ocorre em meio ao acirramento da disputa eleitoral em São Paulo. O debate entre Tarcísio e Haddad marcou mais um capítulo da estratégia de confronto entre os dois principais grupos políticos que disputam o comando do Estado.
Smart Sampa também entra no confronto
Na sequência da entrevista, Nunes foi questionado sobre outra declaração feita por Haddad durante o debate, desta vez relacionada ao Smart Sampa.
O sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo utiliza câmeras espalhadas pela cidade e ferramentas de reconhecimento e cruzamento de informações para auxiliar as forças de segurança.
A discussão ganhou espaço durante o confronto eleitoral após Haddad mencionar a identificação de pessoas procuradas pela Justiça por falta de pagamento de pensão alimentícia.
A declaração abriu uma nova frente de debate sobre os limites e a utilização das ferramentas de monitoramento instaladas na capital paulista.
O que está em jogo no confronto entre Tarcísio e Haddad?
A troca de acusações entre Tarcísio e Haddad ultrapassa as críticas pessoais entre os candidatos e envolve diferentes avaliações sobre administrações públicas.
De um lado, o grupo ligado ao governador tenta apresentar resultados da atual gestão estadual e estabelecer uma comparação com administrações anteriores.
Do outro, Haddad busca questionar indicadores, políticas públicas e decisões tomadas pelo governo Tarcísio, além de apresentar sua própria experiência administrativa como argumento eleitoral.
A participação de Nunes acrescenta uma dimensão municipal à disputa. Aliado de Tarcísio, o prefeito passou a responder diretamente às críticas feitas por Haddad e a defender não apenas o governador, mas também os resultados da atual administração da capital.
O confronto deve continuar nos próximos debates e entrevistas, especialmente em temas como segurança pública, saúde, educação, privatizações, finanças públicas e investimentos.
Entenda o contexto
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad protagonizam uma das principais disputas políticas de São Paulo nas eleições de 2026. O atual governador tenta defender a continuidade de seu projeto à frente do Estado, enquanto Haddad busca retornar ao comando do governo paulista após ter administrado a capital.
Nesse cenário, a gestão de São Paulo também se tornou parte do debate. Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio, tem utilizado indicadores financeiros e investimentos da Prefeitura para defender sua administração e rebater críticas feitas pelo adversário do governador.
O embate tende a ganhar intensidade nas próximas semanas, com os candidatos ampliando ataques e apresentando dados diferentes para sustentar suas respectivas narrativas sobre a situação de São Paulo.