Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) e chamou atenção também no Brasil. O tremor teve epicentro em San José del Palmar, a cerca de 400 quilômetros de Bogotá, e ocorreu a 107 quilômetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O abalo foi sentido em diferentes cidades colombianas e chegou até Manaus, a quase 2 mil quilômetros do epicentro.
Na capital do Amazonas, um edifício no centro foi esvaziado por segurança e equipes da Defesa Civil realizaram vistorias em diferentes pontos da cidade. O terremoto também provocou evacuações na Colômbia, além de relatos de desabamentos e pessoas sob escombros.
O episódio reacendeu uma pergunta que costuma surgir sempre que um grande terremoto acontece na América do Sul: o Brasil também pode sofrer um tremor dessa intensidade?
O Brasil está livre de terremotos?
A resposta é não. O Brasil registra terremotos, mas os eventos costumam ser menos intensos do que aqueles observados em países localizados próximos às bordas das placas tectônicas. Isso acontece porque o território brasileiro está no interior da Placa Sul-Americana, uma área considerada menos sujeita aos grandes terremotos que ocorrem nas regiões de encontro entre placas.
Isso, porém, não significa que o país esteja completamente protegido.
Tremores podem ocorrer dentro da própria placa por causa de falhas geológicas, que são fraturas ou zonas de fraqueza na crosta terrestre. Além disso, terremotos de grande magnitude registrados em países vizinhos podem ter efeitos sentidos a centenas ou até milhares de quilômetros de distância.
Foi exatamente o que ocorreu nesta segunda-feira.
Qual foi o maior terremoto já registrado no Brasil?
O Brasil já registrou terremotos de magnitude superior a 6.
Um dos maiores episódios ocorreu em 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso. O tremor chegou a magnitude 6,6 e teve epicentro a cerca de 370 quilômetros de Cuiabá.
Apesar da força do abalo, não houve mortes. Um dos fatores foi a baixa densidade populacional da região atingida na época.

Outro terremoto importante aconteceu no Acre, em 2022. O tremor chegou a magnitude 6,5 e também não provocou grandes danos. O epicentro ficou a mais de 100 quilômetros de municípios como Tarauacá e Feijó, na região próxima à fronteira com o Peru.
Um terremoto acima de 7 pode acontecer no Brasil?
É possível, mas seria um evento extremamente raro. Estimativas do Serviço Geológico do Brasil indicam que terremotos acima de magnitude 7 podem ocorrer no território brasileiro. A diferença está na frequência.
Enquanto países como o Chile estão em uma região de intensa atividade tectônica e registram eventos dessa dimensão com muito mais frequência, no Brasil a estimativa é de que um tremor acima de 7 aconteça, em média, em intervalos de centenas de anos.
Isso ajuda a explicar por que terremotos de grande magnitude são tão incomuns no país.
O risco existe, mas não significa que um evento desse tamanho esteja prestes a acontecer.
Por que Colômbia e Venezuela têm terremotos mais fortes?
A localização geológica ajuda a explicar a diferença. A Colômbia está em uma região de elevada atividade sísmica, relacionada à interação entre diferentes placas tectônicas. A Venezuela também possui áreas com intensa atividade sísmica.
Em julho deste ano, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela. Os abalos também foram sentidos em cidades brasileiras, principalmente na Região Norte. Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá tiveram relatos de tremores.

A distância não impede que as ondas sísmicas se espalhem. Quanto maior a magnitude do terremoto e dependendo da profundidade e das características do terreno, as ondas podem percorrer grandes distâncias e ser percebidas mesmo longe do epicentro.
Por que o terremoto da Colômbia foi sentido em Manaus?
O terremoto desta segunda-feira teve magnitude elevada e aconteceu a 107 quilômetros de profundidade.
As ondas geradas pelo deslocamento das rochas se espalharam pelo subsolo e alcançaram regiões distantes do epicentro.
Em Manaus, a percepção do tremor levou à evacuação preventiva de um edifício no centro da cidade. O episódio mostra que o fato de o Brasil estar em uma região menos ativa não significa que terremotos ocorridos nos países vizinhos não possam ser sentidos por aqui.
É possível prever quando haverá um terremoto?
Não. A ciência consegue identificar áreas de maior risco sísmico e calcular probabilidades, mas não consegue determinar com precisão quando ocorrerá um terremoto.
Para que uma previsão fosse considerada realmente precisa, seria necessário saber antecipadamente a data, o horário, o local exato e a magnitude do evento.
Alguns sinais já foram apontados como possíveis precursores de terremotos, como pequenos tremores, alterações na concentração de radônio e até mudanças no comportamento de animais. Entretanto, esses fenômenos também podem acontecer sem que um grande terremoto ocorra. Por isso, não são considerados métodos confiáveis para prever um abalo.
O Brasil tem sistemas para detectar terremotos?
Sim. A Rede Sismográfica Brasileira monitora os tremores registrados no país e acompanha também eventos ocorridos em países vizinhos que podem ter reflexos no território brasileiro.
O monitoramento permite identificar a localização, a profundidade e a magnitude dos terremotos, além de ajudar na avaliação dos impactos.
Existem também sistemas de alerta que podem emitir avisos poucos segundos depois do início de um terremoto. Eles funcionam detectando as primeiras ondas sísmicas, que chegam antes das ondas mais fortes.
O tempo de aviso, porém, depende da distância entre o epicentro e os sensores e da velocidade com que os dados são processados.
O que pode acontecer agora?
O terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia não significa que um terremoto semelhante esteja prestes a atingir o Brasil.
O que o episódio reforça é que o território brasileiro não está completamente fora do alcance dos efeitos de grandes terremotos registrados na América do Sul.
O país pode registrar tremores próprios e também sentir abalos originados em outros territórios. A diferença é que grandes terremotos são muito menos frequentes no interior da Placa Sul-Americana.
Por isso, especialistas destacam a importância do monitoramento permanente e da avaliação do risco sísmico, principalmente em áreas próximas a falhas geológicas ou regiões que podem sentir os efeitos de terremotos ocorridos em países vizinhos.
ENTENDA O CONTEXTO
O terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira, com magnitude 7,4, voltou a colocar os terremotos no centro das atenções na América do Sul. O abalo foi sentido em Manaus, mostrando que as ondas sísmicas podem percorrer grandes distâncias.
O Brasil está em uma posição geológica diferente de países como Colômbia, Venezuela e Chile e, por isso, registra terremotos fortes com muito menos frequência.
Mesmo assim, o país não está imune. Já foram registrados tremores acima de magnitude 6 e existe a possibilidade de eventos acima de 7, embora sejam considerados extremamente raros.
A principal conclusão é que um terremoto forte pode acontecer no Brasil, mas não há atualmente nenhuma previsão científica indicando que um evento desse tipo esteja prestes a ocorrer.