Dias de jogo aumentam violência contra mulheres em quase 30%, aponta pesquisa

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou alta de 27,4% nos registros de ameaça e de 28,8% nos casos de lesão corporal durante períodos de partidas
Redação NC News
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Os dias de jogos de futebol estão associados a um aumento nos registros de violência contra mulheres no Brasil. É o que aponta a segunda edição da pesquisa Futebol e Violência contra a Mulher, apresentada nesta terça-feira (11), em São Paulo, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento identificou alta de 27,4% nos registros de ameaça e de 28,8% nos casos de lesão corporal decorrente de violência doméstica nos períodos analisados.

Os índices são maiores que os encontrados na primeira edição do estudo, que analisou o período entre 2015 e 2018. Na ocasião, os registros de ameaça haviam aumentado 23,7%, enquanto os casos de lesão corporal cresceram 20,8%.

Pesquisa analisou cinco capitais

O estudo avaliou registros de violência em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, cruzando os dados de segurança pública com o calendário das principais competições de futebol.

As informações foram obtidas junto às secretarias de Segurança Pública dos cinco estados por meio da Lei de Acesso à Informação. Foram analisados dados referentes ao período entre 2023 e 2025.

Segundo o FBSP, os resultados reforçam a necessidade de considerar o calendário esportivo no planejamento de ações de prevenção à violência e de segurança pública.

Mulheres brancas aparecem em maior número entre as vítimas

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores. Diferentemente do padrão observado em outras estatísticas de violência de gênero, mulheres brancas aparecem em maior número entre as vítimas nos períodos analisados.

Para Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça do Fórum, uma das hipóteses é que mulheres negras estejam mais frequentemente trabalhando durante os horários das partidas.

Outra possibilidade apontada é a exposição mais frequente à violência. Nesse cenário, determinados episódios poderiam ser naturalizados e, consequentemente, deixar de ser registrados.

Álcool e apostas entram no debate

O levantamento também chama atenção para fatores que podem funcionar como catalisadores da violência, entre eles o consumo de álcool e as apostas esportivas.

A pesquisa não trata esses elementos isoladamente como causa da violência, mas recomenda que sejam considerados na elaboração de estratégias de prevenção durante períodos de jogos.

O estudo apresenta dez recomendações para enfrentar a violência contra mulheres relacionada ao futebol.

Consumo de álcool é um dos catalizadores da violência

Veja as recomendações do estudo

Entre as medidas sugeridas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública estão:

Futebol entra na discussão sobre políticas públicas

Para o FBSP, os dados indicam que a relação entre o calendário esportivo e a violência contra mulheres precisa ser considerada pelas autoridades.

A recomendação é que ações de prevenção e atendimento sejam planejadas de acordo com os períodos de maior concentração de partidas, especialmente diante do crescimento dos registros observado nas duas edições da pesquisa.

A segunda edição do estudo foi apresentada em São Paulo com a participação de Juliana Brandão, Isabela Sobral, gerente de projetos e dados do FBSP, da empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magalu, patrocinador da pesquisa, e do ex-jogador Raí.

Entenda o contexto

A pesquisa Futebol e Violência contra a Mulher busca identificar como o calendário das principais competições esportivas se relaciona com registros de violência doméstica e familiar.

Na edição atual, foram analisados dados de cinco capitais entre 2023 e 2025. O estudo encontrou aumento de 27,4% nas ameaças e de 28,8% nas lesões corporais por violência doméstica nos períodos relacionados aos jogos.

Os números superam os resultados encontrados na primeira edição, referente ao período de 2015 a 2018.

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de combinar ações de segurança, prevenção, educação e acolhimento durante períodos de jogos de futebol.

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