Chefe da Conafer se entrega na PF e revela escândalo INSS 2026

Presidente da Conafer se entrega após quase um ano foragido e detalha esquema de desvio milionário do INSS.
Redação NC News
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Carlos Alberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Conafer), se entrega à Polícia Federal em Brasília após quase um ano foragido. Ele é apontado como um dos articuladores de um esquema que desviou mais de R$ 700 milhões do INSS.

Lopes é um dos 48 investigados na Operação Sem Desconto, que apura desvios de R$ 6 bilhões em benefícios de aposentados. A Polícia Federal o indiciou por integrar uma organização criminosa que usava descontos indevidos em benefícios previdenciários para sugar recursos públicos e financiar propinas.

Entrega encerra fuga e recoloca foco nas fraudes

A apresentação de Lopes à PF ocorre nesta quinta-feira na sede da corporação em Brasília e encerra uma fuga iniciada em setembro de 2025. Depois de formalizar o cumprimento do mandado de prisão, ele será encaminhado ao sistema penitenciário.

Para investigadores, a captura negociada de um dos principais alvos da operação representa um avanço decisivo no chamado Escândalo INSS Lulinha.

“Ele e outros 47 investigados são acusados de articular um esquema de fraudes em descontos do INSS envolvendo a Conafer e que teria desviado mais de R$ 700 milhões”, afirma a Polícia Federal.

O relatório sobre essa frente da Conafer foi o primeiro da Operação Sem Desconto a chegar ao Supremo Tribunal Federal. O documento, enviado ao STF no mês passado, abre caminho para que eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República avance sobre autoridades com foro privilegiado.

Esquema fere aposentados e derruba cúpula do INSS

A operação foi deflagrada em 2025 e investiga um modelo de fraude que parecia, à primeira vista, apenas mais um desconto na folha de pagamento dos aposentados. Na prática, segundo a PF, associações e entidades lançavam cobranças indevidas sobre benefícios previdenciários, sem autorização real dos beneficiários.

“A operação foi deflagrada ano passado e investiga desvios de R$ 6 bilhões de benefícios de aposentados a partir de descontos indevidos de diferentes associações e entidades”, diz a corporação. O impacto direto recai sobre quem vive de um salário previdenciário e viu o dinheiro sumir de forma quase invisível, mês a mês.

O caso expõe falhas graves nos sistemas de controle do INSS. As apurações levaram ao afastamento da cúpula do órgão durante o governo Lula e derrubaram o então ministro da Previdência, Carlos Lupi. “Levou ao afastamento da cúpula do INSS no governo Lula e do então ministro da Previdência Carlos Lupi”, registra o relatório policial.

Provas, mortos na folha e pressão política em Brasília

As conclusões da PF sobre a Conafer descrevem um esquema minucioso. O relatório destaca um “alto volume de descontos sem lastro”, a inserção de nomes de falecidos nas listas de associados e “a existência de milhares de condenações judiciais” contra a entidade.

Para os investigadores, esse conjunto de elementos “estabelece de forma irrefutável a materialidade da fraude praticada pelos responsáveis da Conafer” e configura o crime-base da organização criminosa. Segundo o documento, o mecanismo permitiu o desvio de mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas, valores que alimentariam o pagamento de propinas a agentes públicos.

A defesa de Lopes não se manifesta até o momento. A ausência de versão do presidente da Conafer convive com uma pressão crescente em Brasília. O escândalo leva à instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI do INSS, dedicada a esmiuçar contratos, convênios com entidades e a participação de políticos no chamado Escândalo INSS Lulinha.

CPMI, bloqueio de bens e corrida por ressarcimento

A repercussão nacional das fraudes transforma o caso em tema central no Congresso. A CPMI promete convocar dirigentes do INSS, representantes de associações envolvidas e ex-autoridades do governo para esclarecer a cadeia de responsabilidade pelos descontos indevidos.

Parlamentares discutem medidas para endurecer regras de convênios com entidades e criar barreiras tecnológicas a novos golpes sobre a folha previdenciária. O objetivo é evitar que organizações, como a Conafer no caso investigado, usem a máquina do INSS como canal automático de arrecadação sem checagem robusta.

No campo jurídico, uma das prioridades é o bloqueio de bens dos 48 investigados. A expectativa de órgãos de controle é congelar contas, imóveis e empresas ligados ao grupo, como forma de garantir o ressarcimento de parte dos R$ 6 bilhões sob suspeita. O processo, contudo, tende a se arrastar por anos em diferentes frentes judiciais.

Para os aposentados, vítimas diretas, a corrida é outra. Muitos ainda tentam reaver valores descontados, enquanto convivem com a insegurança sobre a integridade dos benefícios. Entidades civis pressionam o INSS a revisar em massa descontos questionados e a criar canais mais simples para contestação.

A entrega de Carlos Alberto Ferreira Lopes reacende a expectativa de que a investigação alcance os elos políticos do esquema e produza mudanças estruturais no controle da Previdência. O caso permanece sob a atenção do Supremo Tribunal Federal e deve seguir como um dos principais testes da capacidade do Estado de frear fraudes em larga escala contra o sistema previdenciário.

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