O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (16) que a Polícia Militar analisou imagens de mais de 70 câmeras de segurança e não encontrou indícios de perseguição ao motorista do candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT).
A declaração foi dada durante o lançamento oficial da campanha de Tarcísio à reeleição, em Osasco, na Grande São Paulo. Segundo o governador, além das imagens, também foram analisados os dados de GPS das viaturas que passaram pela região onde o episódio teria ocorrido.

O que diz a investigação da PM
De acordo com Tarcísio, o levantamento dos trajetos das viaturas indicou que não houve perseguição ao veículo utilizado pelo motorista de Haddad.
O governador afirmou que algumas viaturas chegaram a cruzar o caminho do carro, mas seguiram normalmente, sem manter acompanhamento do veículo.
A análise também teria indicado que não houve abordagem ou contato dos policiais com o motorista, segundo a versão apresentada pelo governador.
O caso já havia sido inicialmente analisado pela Polícia Militar, que informou ter verificado cerca de 40 câmeras ao longo do trajeto indicado pelo motorista. Na etapa seguinte, o número de equipamentos analisados chegou a mais de 70.
Haddad relatou perseguição
O episódio veio a público depois que Fernando Haddad afirmou que seu motorista havia sido seguido por uma viatura da PM na noite de 11 de agosto, após deixá-lo em casa, na Zona Sul de São Paulo.
Segundo o relato apresentado pela campanha petista, os policiais teriam acompanhado o veículo de maneira considerada ostensiva, chegando a emparelhar a viatura e se aproximar do carro.
A denúncia provocou reação política durante o início da disputa eleitoral pelo governo de São Paulo.
Vídeos também foram analisados
Entre os materiais utilizados na apuração estão imagens de câmeras de segurança instaladas em residências, estabelecimentos comerciais e outros pontos do trajeto.
Uma das gravações divulgadas anteriormente mostra o carro do motorista estacionado em frente a um hotel na Vila Mariana. Cerca de 20 minutos depois, uma viatura passa pelo local, sem que as imagens mostrem uma abordagem ou interação com o motorista.
A campanha de Haddad, porém, manteve a versão apresentada pelo motorista e informou que pretende solicitar uma perícia sobre o material divulgado.
Ouvidoria apontou necessidade de apuração
Apesar da posição apresentada pelo governo e pela Polícia Militar, o caso também recebeu uma avaliação diferente dentro da própria estrutura de fiscalização da corporação.
O ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Mauro Caseri, afirmou que considera necessária uma investigação mais aprofundada sobre a conduta dos policiais.
Segundo ele, acompanhar um veículo sem realizar uma abordagem formal pode representar uma conduta fora do protocolo, dependendo das circunstâncias da ocorrência.
A avaliação do ouvidor contrasta com a análise preliminar divulgada pela PM, que não identificou irregularidades nas imagens analisadas.
Polícia Civil abriu investigação
Além da apuração administrativa, a Polícia Civil abriu um inquérito para verificar o episódio.
Tarcísio afirmou que o motorista de Haddad deverá ser chamado para prestar depoimento. A investigação também deverá considerar as imagens, os registros de GPS e os demais elementos disponíveis para reconstruir o trajeto realizado pelas viaturas.
O governador declarou que, caso seja comprovado algum desvio de conduta por parte dos policiais, os agentes deverão ser responsabilizados.
Caso ganha peso na disputa eleitoral
O episódio ocorre em meio ao início da campanha eleitoral para o governo de São Paulo e colocou Tarcísio e Haddad novamente no centro de uma disputa política.
Tarcísio busca a reeleição, enquanto Haddad é um dos principais adversários na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
A conclusão das investigações poderá ter impacto político na disputa, principalmente caso sejam encontradas novas informações sobre a atuação dos policiais ou sobre o relato apresentado pelo motorista.
Por enquanto, a análise divulgada pela PM e citada por Tarcísio afirma que as imagens e os dados de GPS não apontaram perseguição ou abordagem irregular. A investigação, no entanto, continua em andamento.
“A gente analisou imagens de mais de 70 câmeras e não houve nenhuma abordagem, não houve contato dos policiais no carro dele”, afirmou Tarcísio de Freitas.