Arnold Schwarzenegger revelou detalhes inéditos da rivalidade que manteve com Sylvester Stallone durante o auge do cinema de ação em Hollywood. A competição entre os dois não se limitava à bilheteria ou à popularidade: envolvia o físico dos atores, o número de inimigos mortos em cena e até o tamanho das armas utilizadas nas produções.
As lembranças de Schwarzenegger aparecem no documentário “Arnold & Sly: Rivais, Amigos, Ícones”, que revisita a trajetória dos dois e mostra como a disputa ajudou a moldar a estética dos filmes de ação que se tornaram populares nas décadas de 1980 e 1990.
Disputa de músculos, balas e ego em Hollywood
Segundo Schwarzenegger, a competição começava pelo próprio corpo. O ator recordou a preocupação com o percentual de gordura de Stallone, que teria chegado a 7%.
“Se o percentual de gordura corporal dele fosse de 7%, eu ficaria obcecado em chegar a 10%”, contou o ator.
A declaração revela como a aparência física se tornou uma espécie de campo de batalha entre os dois. Schwarzenegger havia construído sua imagem como fisiculturista antes de se tornar astro de Hollywood, enquanto Stallone ganhou projeção internacional com personagens como Rocky Balboa e John Rambo.

O corpo musculoso passou a funcionar como parte fundamental da identidade dos protagonistas de ação. Quanto maior a musculatura, maior a impressão de força e resistência que os personagens transmitiam na tela.
A disputa, porém, rapidamente ultrapassou o aspecto físico e chegou aos próprios filmes.
Segundo Schwarzenegger, os dois acompanhavam atentamente o trabalho um do outro e procuravam elevar o nível das produções seguintes.
“Bem, você matou 28 pessoas no seu filme, mas eu matei 32 no meu”, afirmou, ao resumir a mentalidade que dominava aquela fase da carreira.
A quantidade de inimigos mortos passou a funcionar como uma espécie de métrica informal entre os dois astros.
Quando o número de mortos virou estratégia
Em um dos episódios lembrados no documentário, Schwarzenegger contou que Stallone havia matado 80 inimigos em um filme. A resposta, segundo ele, veio na produção seguinte: superar o número com 87 mortes.
A contagem demonstra até que ponto a rivalidade influenciava as escolhas criativas das produções. O exagero fazia parte da fórmula dos filmes de ação e também ajudava a estabelecer uma identidade para cada protagonista.
A competição chegou até às armas.
Stallone passou a aparecer com armamentos cada vez maiores como Rambo, e Schwarzenegger não queria ficar atrás. Em Predador, o ator pressionou a produção para utilizar uma arma de proporções ainda maiores.
“A produção me disse: ‘Bem, Arnold, você nunca vai conseguir segurar essa coisa’. Eu disse: ‘A gente dá um jeito, não se preocupem, mas preciso de uma arma maior do que a que o Stallone usa em Rambo’.”
O resultado foi uma metralhadora de grande porte, originalmente utilizada em veículos militares, colocada nas mãos do personagem interpretado por Schwarzenegger.

A ideia ajudou a consolidar uma estética que marcou o gênero naquele período: protagonistas extremamente musculosos, armamentos desproporcionais, explosões, tiroteios e sequências de ação cada vez mais grandiosas.
A rivalidade ajudou a moldar o cinema de ação
A história revela que aquilo que hoje pode parecer apenas exagero característico dos filmes de ação dos anos 1980 e 1990 também foi influenciado pela competição entre dois dos maiores astros do gênero.
Schwarzenegger e Stallone não disputavam apenas quem teria o maior público. A rivalidade estimulava uma corrida para entregar mais ação, mais armas, mais explosões e mais espetáculo.

Os estúdios também tinham interesse nesse modelo. O sucesso comercial das produções incentivava investimentos maiores em efeitos práticos, sequências de combate, preparação física e cenas capazes de transformar os protagonistas em verdadeiros super-heróis de carne e osso.
Coordenadores de dublês, armeiros, especialistas em efeitos especiais e preparadores físicos passaram a ocupar papel cada vez mais importante nessa engrenagem.
O público respondeu positivamente à fórmula, e personagens como Rambo e os heróis interpretados por Schwarzenegger se transformaram em símbolos de uma era do cinema de ação marcada pelo excesso.
A rivalidade entre os atores, portanto, deixou de ser apenas uma disputa pessoal e passou a fazer parte da própria linguagem do gênero.
De rivais a parceiros em Os Mercenários
Com o passar dos anos, a relação entre Schwarzenegger e Stallone mudou.
A antiga competição deu lugar à amizade e à colaboração profissional. Os dois passaram a reconhecer publicamente a importância que tiveram na carreira um do outro e chegaram a dividir a tela em diferentes projetos.
Um dos exemplos mais conhecidos foi “Os Mercenários”, franquia criada por Stallone para reunir veteranos do cinema de ação.

A presença dos dois na produção transformou a antiga rivalidade em uma espécie de celebração de uma geração de astros que ajudou a definir Hollywood durante décadas.
O público também passou a enxergar a relação de outra maneira. Em vez de escolher entre Schwarzenegger e Stallone, os fãs passaram a tratá-los como dois lados de uma mesma era do cinema de ação.
Uma rivalidade que virou parte da cultura pop
O interesse pelos bastidores da disputa permanece porque a história envolve dois artistas cuja imagem está profundamente ligada à cultura pop.
Schwarzenegger ficou associado a personagens de força física extrema e frases que se tornaram referências do cinema. Stallone construiu personagens marcados pela resistência, pela superação e pela capacidade de enfrentar adversários aparentemente invencíveis.
Durante anos, os dois competiram por espaço, público e prestígio. Hoje, a própria rivalidade se transformou em parte do legado de ambos.

O documentário recupera justamente esse período para mostrar como pequenas disputas de bastidores — como percentual de gordura, quantidade de inimigos mortos ou tamanho de uma metralhadora — ajudaram a construir uma fórmula que Hollywood explorou durante anos.
A história também mostra como dois rivais acabaram se tornando amigos e parceiros de trabalho. O que começou como uma competição intensa terminou como uma das amizades mais conhecidas entre os grandes nomes do cinema de ação.