Quem é Sophia Barclay, candidata que criticou o Bolsa Família e aparece como beneficiária

Influenciadora conhecida como “Trans de Direita” disputa vaga de deputada federal por São Paulo e diz que recebeu auxílio quando vivia em situação de vulnerabilidade.
Redação NC News
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A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay, do PL, entrou no centro de uma discussão nas eleições de 2026 por causa de uma contradição entre seus discursos nas redes sociais e registros oficiais de benefícios sociais.

Conhecida como “Trans de Direita”, Sophia costuma criticar programas como o Bolsa Família. Dados do Portal da Transparência, porém, mostram pagamentos em seu nome desde 2018, incluindo Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e, mais recentemente, o Gás do Povo. Os registros consultados somam R$ 27.024,23.

A candidata afirma que precisou da assistência em um período de vulnerabilidade e contesta a interpretação de que recebe os benefícios de forma contínua.

Quem é Sophia Barclay?

Sophia Barclay ganhou projeção nas redes sociais ao se apresentar como uma influenciadora de direita e defensora de pautas alinhadas ao bolsonarismo.

Ela utiliza o termo “Trans de Direita” para se identificar politicamente e passou a produzir conteúdo político com maior frequência nos últimos anos.

Em 2026, Sophia se filiou ao PL e passou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Segundo informações públicas sobre sua trajetória, antes estava ligada ao Partido Novo e posteriormente mudou de legenda para apoiar Flávio Bolsonaro.

A atuação nas redes sociais ajudou a transformá-la em uma figura conhecida entre os segmentos de direita na internet.

Por que o nome dela ganhou repercussão?

A discussão surgiu depois que registros do Portal da Transparência mostraram que Sophia aparece como beneficiária de diferentes programas sociais do governo federal.

Os dados indicam pagamentos relacionados ao Bolsa Família desde maio de 2018, quando ela tinha 18 anos e morava no Rio de Janeiro.

Ao longo dos anos, também aparecem registros do Auxílio Emergencial, do Auxílio Brasil, do atual Bolsa Família e do Gás do Povo.

Segundo os dados publicados, o conjunto dos pagamentos chega a R$ 27 mil desde 2018.

O que Sophia fala sobre os benefícios?

Sophia afirma que já precisou de assistência social em um momento de vulnerabilidade.

Segundo a versão apresentada por ela, foi expulsa de casa ainda na adolescência por ser uma pessoa trans e passou por dificuldades financeiras. A candidata diz que esse período explica a necessidade de recorrer aos programas sociais.

Ela também afirma que passou a gerar renda como influenciadora digital a partir de 2020 e que, desde então, não teria recebido os benefícios de maneira contínua.

Sobre os registros mais recentes, a candidata diz que seu nome teria permanecido vinculado ao Cadastro Único de um familiar, o que poderia explicar pagamentos que aparecem no sistema.

A situação, segundo ela, está sendo apurada junto aos órgãos responsáveis.

E as críticas ao Bolsa Família?

É justamente aí que está a principal controvérsia.

Ao mesmo tempo em que aparece nos registros de programas sociais, Sophia publicou críticas ao Bolsa Família e a seus beneficiários nas redes sociais.

Em uma publicação, chegou a questionar a ideia de pessoas viverem apenas do benefício e associou o programa ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A candidata, porém, afirma que não é contra programas de assistência social.

Segundo sua justificativa, a crítica seria direcionada ao que considera uso indevido dos benefícios, e não à existência da assistência para pessoas que realmente precisam.

Quanto ela recebeu?

Os registros públicos apontam diferentes programas ao longo dos anos.

Segundo os dados divulgados:

  • Bolsa Família: pagamentos entre 2018 e 2021;
  • Auxílio Emergencial: valores recebidos entre 2020 e 2021;
  • Auxílio Brasil: pagamentos entre 2021 e 2023;
  • Novo Bolsa Família: registros em 2023 e novamente entre 2025 e 2026;
  • Gás do Povo: registro de benefício em 2026.

A soma dos valores chega a R$ 27.024,23, de acordo com os dados do Portal da Transparência citados nas reportagens.

Um ponto importante é que a existência de um registro de pagamento não comprova, por si só, irregularidade. A própria candidata contesta parte dos registros recentes e afirma que o vínculo com o CadÚnico de um familiar pode ter provocado a permanência do nome no sistema.

O que está em discussão?

O caso ganhou repercussão justamente porque envolve uma candidata que construiu parte de sua imagem política em torno de críticas a programas sociais.

Ao mesmo tempo, os registros oficiais mostram que ela recebeu benefícios em diferentes períodos.

Existe, portanto, uma diferença entre duas questões: o histórico de recebimento dos auxílios, que aparece nos dados públicos, e a eventual existência de irregularidade nos pagamentos, que ainda precisaria ser comprovada.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social foi questionado sobre os registros mais recentes, mas, segundo as informações divulgadas, ainda não havia respondido.

Entenda o contexto

O Bolsa Família é um programa federal voltado a famílias em situação de pobreza, com acesso condicionado a critérios de renda e inscrição no Cadastro Único. Atualmente, a regra geral considera renda familiar por pessoa de até R$ 218 mensais para acesso ao programa.

Sophia Barclay aparece nos registros de benefícios sociais desde 2018 e afirma que precisou da assistência em um período de vulnerabilidade.

O ponto que provocou a repercussão é que, anos depois, ela passou a construir uma carreira política nas redes sociais com críticas a programas de assistência e ao governo Lula.

Agora, candidata pelo PL de São Paulo, ela tenta transformar sua presença digital em uma candidatura à Câmara dos Deputados.

O caso também levanta uma questão que deverá continuar sendo discutida durante a campanha: qual é a diferença entre ter precisado de uma política social no passado e defender hoje uma posição política crítica a esse tipo de programa?

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