O Brasil melhorou um pouco na avaliação do cenário econômico, mas ainda aparece em uma posição desconfortável quando o assunto é o futuro. Uma sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que o país mantém um dos cenários mais pessimistas da América Latina nas expectativas para a economia.
O levantamento faz parte do Indicador de Clima Econômico da América Latina, calculado pela FGV em parceria com o instituto alemão Ifo. A pesquisa consulta especialistas e acompanha tanto a situação atual quanto as perspectivas para os próximos meses.
O Brasil melhorou, mas continua atrás
No segundo trimestre de 2026, o indicador de clima econômico brasileiro subiu 4,7 pontos, chegando a 76,9 pontos.
A melhora aconteceu depois de uma queda forte registrada no primeiro trimestre. Mesmo assim, o resultado brasileiro ficou abaixo do nível considerado neutro pela pesquisa, de 100 pontos.
E é justamente quando os especialistas olham para frente que o cenário fica mais preocupante. A avaliação mostra que o Brasil continua com perspectivas menos favoráveis do que outras grandes economias latino-americanas.
América Latina também melhorou
O pessimismo não está concentrado apenas no Brasil.
Depois da piora registrada no início do ano, o Indicador de Clima Econômico da América Latina subiu 10,7 pontos no segundo trimestre, alcançando 83,7 pontos. O resultado interrompeu a queda observada no primeiro trimestre e retomou uma trajetória de melhora que havia marcado o ano anterior. Mas o desempenho entre os países foi bastante diferente.
A Argentina teve uma forte recuperação, com alta de 54,8 pontos, chegando a 123,1. A Colômbia também avançou, com alta de 27 pontos, para 93,7.
Já o Brasil teve uma melhora bem mais discreta. O México foi na direção contrária, com queda de 3,2 pontos, chegando a 56,9.
Por que o resultado brasileiro chama atenção?
O indicador não mede apenas o desempenho da economia neste momento.
A pesquisa combina a percepção dos especialistas sobre a situação econômica atual com as expectativas para os meses seguintes. Por isso, um resultado abaixo de 100 indica uma avaliação considerada desfavorável.
No caso brasileiro, a melhora do indicador ainda não foi suficiente para colocar o país em uma zona considerada positiva. Isso ajuda a explicar por que o resultado chama atenção mesmo em um trimestre de recuperação regional.
E o crescimento do PIB?
Apesar do ambiente de cautela, a expectativa para o crescimento da América Latina em 2026 permaneceu em 1,9%.
A estabilidade regional, porém, esconde diferenças importantes entre os países. Segundo a FGV, Brasil e Colômbia apareceram entre os destaques positivos nas revisões das projeções, enquanto Chile e Bolívia tiveram as maiores revisões negativas. Ou seja, o cenário brasileiro não é de deterioração generalizada.
O problema está principalmente na percepção de que a economia ainda enfrenta obstáculos para ganhar força de maneira mais consistente.
ENTENDA O CONTEXTO
A Sondagem Econômica da América Latina é uma pesquisa trimestral realizada pela FGV em parceria com o instituto alemão Ifo. Especialistas são consultados nos países da região para avaliar as condições econômicas atuais e as perspectivas para os próximos meses.
No primeiro trimestre de 2026, o cenário havia piorado de forma significativa. O indicador latino-americano caiu para 73 pontos, enquanto o brasileiro recuou para 72,2 pontos.
Agora, os números mostram uma recuperação regional. O Brasil também avançou, mas permanece abaixo dos 100 pontos, nível que serve como referência de neutralidade na pesquisa.
Por isso, o resultado pode ser resumido de uma forma simples: há melhora, mas ainda não há confiança suficiente para dizer que o cenário econômico brasileiro é favorável.