Zema provoca Lula na 25 de Março e critica “pompa” do presidente ao tratar do tarifaço dos EUA

Em caminhada pela região comercial de São Paulo, pré-candidato do Novo afirmou que o Brasil precisa negociar diretamente com os Estados Unidos e voltou a criticar a condução do governo Lula diante das tarifas impostas por Donald Trum
Redação NC News
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Romeu Zema escolheu um dos principais centros de comércio popular do país para fazer um aceno direto ao setor produtivo e, ao mesmo tempo, aumentar o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesta sexta-feira (21), o pré-candidato do Novo à Presidência caminhou pela região da 25 de Março, em São Paulo, e aproveitou a agenda para falar sobre o impacto do tarifaço norte-americano e atacar a postura do governo federal.

A região visitada por Zema ganhou ainda mais simbolismo diante da própria disputa comercial. A 25 de Março foi citada pelos Estados Unidos em meio às justificativas relacionadas às medidas contra produtos brasileiros.

Durante a agenda, Zema afirmou que o Brasil precisa manter sua soberania, mas defendeu uma postura mais direta nas negociações com Washington.

“O Brasil pode ser soberano, mas isso não exclui o presidente ter de ir lá e negociar”, afirmou Zema.

Zema mira a postura de Lula

O principal alvo das declarações foi Lula. Zema criticou o que classificou como excesso de “pompa” por parte do presidente e defendeu que o governo deveria se aproximar mais dos Estados Unidos para tentar resolver os impasses comerciais.

A fala ocorre em meio ao aumento da disputa política em torno do tarifaço. Desde o início das ameaças de novas tarifas, integrantes da oposição vêm responsabilizando o governo Lula pela deterioração da relação com os Estados Unidos, enquanto o Palácio do Planalto sustenta outra interpretação sobre as causas do conflito.

Zema já havia atribuído ao governo federal responsabilidade pela escalada da tensão comercial. Em junho, o pré-candidato afirmou que a situação demonstrava falhas na condução da política externa brasileira.

Agora, na 25 de Março, ele voltou ao tema justamente em um ambiente marcado por pequenos comerciantes, consumidores e importadores — setores diretamente interessados nas consequências de mudanças nas relações comerciais.

A 25 de Março como cenário político

A escolha do local não foi apenas uma passagem por um ponto turístico de São Paulo.

A 25 de Março é um dos principais polos de comércio popular do país. Ao caminhar pelas ruas da região e conversar com comerciantes, Zema procurou associar sua agenda política à chamada “economia real”.

Em outra declaração durante a caminhada, o pré-candidato criticou o governo federal por, segundo ele, não enxergar a realidade enfrentada por empresários e trabalhadores. Também voltou a questionar o nível dos juros e o que considera excesso de gastos públicos.

Críticas vão além do tarifaço

A passagem por São Paulo também serviu para Zema apresentar outras posições que devem aparecer em sua campanha presidencial.

O governador de Minas Gerais voltou a criticar o Brics, defendeu uma aproximação maior do Brasil com os Estados Unidos e afirmou que, caso seja eleito, pretende viajar a Washington para negociar diretamente questões de interesse brasileiro.

Ele também se posicionou contra as casas de apostas, as chamadas bets, e afirmou que esse mercado retira recursos que poderiam estar na economia produtiva.

Outro tema abordado foi a jornada de trabalho. Zema defendeu maior liberdade para que trabalhadores e empresas definam a organização da jornada e criticou regras que, na avaliação dele, podem estimular a informalidade.

O tarifaço entrou de vez na disputa eleitoral

A discussão sobre as tarifas norte-americanas passou a ocupar espaço importante no debate entre Lula e os principais nomes da oposição que pretendem disputar a Presidência em 2026.

Zema, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado estão entre os pré-candidatos que já responsabilizaram o governo federal pela condução das relações com os Estados Unidos. Em junho, Zema chegou a afirmar que o governo Lula havia falhado na diplomacia.

O tema, portanto, deixou de ser apenas econômico.

Com a eleição presidencial se aproximando, o tarifaço passou a ser utilizado também como argumento político para discutir diplomacia, soberania, relação com os Estados Unidos e capacidade de negociação do governo brasileiro.

E foi justamente esse discurso que Zema levou para o coração do comércio popular de São Paulo.

Entenda o contexto

A ofensiva comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros abriu uma nova frente de disputa entre o governo Lula e seus adversários políticos.

Enquanto o governo federal apresenta a atuação brasileira como uma defesa da soberania e dos interesses nacionais, nomes da oposição argumentam que faltou capacidade de negociação para evitar ou reduzir os efeitos das medidas americanas.

Zema tenta ocupar esse espaço com uma proposta de maior aproximação com Washington e de mudança na condução da política econômica e externa.

A caminhada pela 25 de Março, nesse sentido, funcionou como mais uma demonstração de como o tarifaço passou a fazer parte da disputa eleitoral de 2026.

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