O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 foi marcado por ataques aos grupos políticos que dominaram as últimas eleições, propostas para segurança pública e discussões sobre educação.
Realizado pela Band na noite deste domingo (23), o encontro reuniu Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Durante o primeiro bloco, os três candidatos apresentaram propostas e trocaram críticas, principalmente em temas como crime organizado, violência contra a mulher, economia e educação.
Segurança pública vira um dos primeiros focos do debate
Ao falar sobre o combate ao crime organizado, Renan Santos defendeu a construção de “super presídios”, com a criação de entre 300 mil e 500 mil vagas no sistema penitenciário.
O candidato também afirmou que pretende acabar com a divisão de presos por facções dentro das unidades.
“Faccionado vai estar todo mundo junto, porque nós vamos eliminar as facções”, afirmou Renan.
O candidato ainda defendeu uma maior integração entre os estados e disse que poderá recorrer à intervenção federal caso governos estaduais não atuem contra organizações criminosas.
Na sequência, Renan citou Ceará e Bahia e fez críticas aos governos estaduais, que classificou como ligados ao petismo.
“Se os governadores do Ceará e da Bahia forem reeleitos, eu vou fazer uma intervenção caso eles não desejem enfrentar o crime organizado”, declarou.
A proposta foi apresentada pelo candidato como parte de uma estratégia que chamou de guerra contra o crime organizado.
Caiado fala em economia e critica ausência de adversários
Ronaldo Caiado foi questionado sobre como pretende reduzir a dívida pública, controlar as contas do governo e criar condições para diminuir os juros.
Antes de apresentar suas propostas, o candidato aproveitou o espaço para criticar a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva e Flavio Bolsonaro no debate.
Caiado afirmou que os dois são os pré-candidatos mais rejeitados do país e relacionou a ausência deles aos escândalos que, segundo ele, envolvem os dois grupos políticos.
Na economia, o candidato defendeu um “choque de credibilidade”, com controle das despesas públicas e redução da taxa de juros.
Caiado também citou como referência o período em que Michel Temer assumiu a Presidência e afirmou que pretende buscar uma inflação entre 3% e 4%.
Segundo o candidato, a estratégia teria como objetivo recuperar a economia e evitar que empresas deixem o Brasil.
“Eu não vou endividar o país, eu vou conter despesas do país”, afirmou Caiado.
O candidato também utilizou sua experiência como governador de Goiás para defender a própria capacidade de gestão.
Augusto Cury critica situação da educação
A educação foi o primeiro tema direcionado a Augusto Cury.
A pergunta citou dados do Saeb e um levantamento do Todos Pela Educação segundo o qual nove em cada dez estudantes que terminam o ensino médio não possuem conhecimento adequado em matemática.

“Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”, afirmou.
O candidato declarou que 95% dos jovens não aprendem matemática ao terminar o ensino médio e relacionou o problema à dificuldade de desenvolver raciocínio lógico, interpretação e autonomia.
Cury também criticou o impacto do uso excessivo de tecnologia entre os estudantes e defendeu uma mudança no papel dos professores.
Para o candidato, o professor deve deixar de ser apenas um transmissor de conteúdo e atuar como alguém capaz de estimular perguntas, pensamento crítico e participação dos alunos.
Ele também abordou a inclusão de estudantes neurodivergentes e defendeu a criação de um ambiente escolar com maior participação e desenvolvimento emocional.
Violência contra a mulher provoca confronto entre Cury e Caiado
No confronto direto, Augusto Cury escolheu Ronaldo Caiado para responder a uma pergunta sobre violência contra a mulher.
Cury questionou o governador sobre quais seriam as principais formas de violência enfrentadas pelas brasileiras e como o problema poderia ser combatido.
Caiado reconheceu o avanço do feminicídio como uma das principais questões de segurança pública no país.
“Ficou uma grande chaga no país, que é exatamente o avanço do feminicídio no país”, afirmou.
Cury, na réplica, apresentou números sobre feminicídio e desigualdade salarial e criticou os governos de Lula e Bolsonaro.
“O Brasil não pertence a duas famílias. O Brasil pertence aos brasileiros”, declarou.
Na tréplica, Caiado respondeu dizendo que tinha experiência prática no combate à violência contra a mulher em Goiás.
“Quando eu cheguei no governo tinha aquela tese que dizia que briga de homem com mulher não se mete a colher. Em Goiás, meti algema, meti tornozeleira no covarde.”
O candidato citou medidas como botão do pânico, integração das forças de segurança e uso de inteligência para acompanhar agressores.
Caiado também defendeu o aumento das penas para crimes relacionados ao feminicídio e o confisco dos bens de agressores, com possibilidade de transferência do patrimônio para a família da vítima em determinadas situações.
Renan Santos defende responsabilização de prefeitos na educação
No segundo confronto, Caiado perguntou a Renan Santos sobre educação.
Renan afirmou que existe uma “sabotagem ao ensino fundamental” e defendeu a utilização do método fônico na alfabetização.
O candidato também criticou a perda de autoridade dos professores em sala de aula e disse que o Brasil deveria direcionar mais recursos para a educação básica.
Renan apresentou ainda uma proposta chamada Lei de Responsabilidade Gerencial.
A ideia, segundo ele, seria estabelecer metas para prefeitos e governadores e vincular parte dos recursos recebidos pelos municípios ao desempenho em áreas como educação.
O candidato citou, como exemplo, municípios que gastam dinheiro público com grandes shows enquanto enfrentam problemas em serviços básicos.
“Se o prefeito não entregar isso e torna os seus jovens analfabetos funcionais, nós vamos para cima do prefeito”, afirmou.
Segundo Renan, prefeitos que não alcançarem determinadas metas poderiam até ficar inelegíveis.
Caiado usa experiência em Goiás para defender modelo educacional
Na resposta, Caiado citou medidas adotadas durante seu governo em Goiás.
O candidato afirmou ter promovido uma parceria entre o governo estadual e os municípios para alinhar a grade curricular e acompanhar os estudantes desde os primeiros anos do ensino fundamental até o ensino médio.

“Não existe outra capacidade de nós recuperarmos o país que não seja pela educação”, declarou.
Renan critica Lula e Flávio Bolsonaro e fala em projeto de país
No encerramento do bloco, Renan Santos ampliou o discurso para uma discussão sobre o futuro do Brasil.
O candidato criticou tanto o petismo quanto o bolsonarismo.
Segundo Renan, o primeiro estaria aproximando o Brasil da China sem investir suficientemente na formação de mão de obra, enquanto o segundo estaria excessivamente alinhado ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Renan defendeu maior investimento em educação técnica, pesquisa, empreendedorismo e formação profissional.

“O futuro, meus amigos, é glorioso, mas a gente vai ter que estudar bastante para chegar até lá”, afirmou.
ENTENDA O CONTEXTO
O debate deste domingo marcou um dos primeiros grandes momentos da disputa presidencial de 2026 na televisão.
No primeiro bloco, segurança pública, economia, educação e violência contra a mulher dominaram as discussões.
Os candidatos também buscaram se diferenciar dos dois principais polos políticos das últimas eleições, com críticas diretas a Lula e Bolsonaro.
O confronto mostrou ainda estratégias distintas entre os três participantes: Renan Santos priorizou segurança, combate ao crime organizado e críticas aos dois principais grupos políticos; Caiado utilizou a experiência como governador para apresentar resultados e propostas de gestão; e Augusto Cury concentrou sua participação em educação, saúde mental e críticas ao cenário atual do país.
A expectativa agora é pelos próximos blocos, que devem ampliar os confrontos e apresentar novas propostas dos candidatos.