O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu nesta segunda-feira (24) uma mudança na forma como os recursos públicos destinados à educação são aplicados no Brasil. Para ele, o dinheiro repassado pela União a estados e municípios deve estar acompanhado de metas e resultados concretos na aprendizagem dos estudantes.
Durante sua fala, Caiado afirmou que prefeitos, governadores e o governo federal precisam ser responsabilizados pela qualidade do ensino e disse que a experiência implementada em Goiás pode ser ampliada para todo o país.
“Fazer com que haja essa responsabilização, atingindo todos os prefeitos e todos os governadores em relação à aplicação do dinheiro na área da educação.”
Caiado quer acompanhar desempenho de cada aluno
Uma das principais propostas apresentadas pelo candidato é ampliar o monitoramento dos resultados educacionais.
Caiado afirmou que Goiás já possui uma ferramenta que permite acompanhar o desempenho dos estudantes individualmente e identificar resultados por escola e município.
“Eu tenho hoje um BI instalado, eu sei o desenvolvimento de cada aluno, em cada colégio, de cada município do Estado. Isso não terá nenhuma dificuldade em ser feito em todo o país.”
Na visão do candidato, esse tipo de acompanhamento permitiria identificar onde o ensino está funcionando e quais gestores precisam melhorar os resultados.
A ideia é que os recursos destinados à educação não sejam avaliados apenas pelo volume de dinheiro repassado, mas também pelo impacto produzido na aprendizagem.
“Tudo aquilo que é repassado ao Estado, que é repassado ao município e que a União também tem a contrapartida, cada um dos elos dessa corrente tem que fazer com que as pessoas recebam essas melhorias na sua qualidade de vida.”
Educação como caminho para reduzir a pobreza
Caiado também colocou a educação no centro de sua proposta de combate à pobreza.
Segundo o candidato, melhorar a formação da população seria uma das principais formas de reduzir a dependência de programas de proteção social.
“A única maneira de você sair da dependência dessa rede de proteção é exatamente você dar educação a toda a nossa população.”
O governador também fez críticas ao atual governo federal e afirmou que a população teria perdido oportunidades de crescimento econômico.
“Nós não podemos perder mais. O governo atual roubou o futuro do Brasil por muitos anos, deixando com que as pessoas empobrecessem.”
Segurança e educação no mesmo projeto
Na avaliação de Caiado, educação e segurança pública não podem ser tratadas como áreas separadas.
O candidato utilizou sua experiência como governador de Goiás para defender a tese de que políticas educacionais, prevenção e combate ao crime precisam caminhar juntas.
Como exemplo, citou números relacionados a jovens envolvidos com o crime no estado.
Segundo Caiado, 1.073 jovens condenados por crimes ligados principalmente ao narcotráfico estavam nessa situação quando assumiu o governo. Ao final de sua gestão, o número teria caído para 198.
“1.073 jovens condenados no crime de narcotráfico no Estado de Goiás. (…) Quando eu entreguei o governo de Goiás, estavam nesta área de recuperação judicial no Estado: 198.”
O candidato classificou o resultado como uma redução superior a 80% e afirmou que a experiência demonstra, em sua avaliação, a relação entre segurança, educação e prevenção da criminalidade.
“Você não pode analisar o governo de forma fatiada.”
“Para a escola ou para o crime?”
Ao falar sobre o futuro das crianças e adolescentes, Caiado resumiu sua preocupação em uma pergunta:
“Para a escola ou para o crime?”
Segundo o candidato, o poder público precisa acompanhar a trajetória dos jovens e identificar se eles permanecem estudando ou acabam sendo atraídos por organizações criminosas.
Para Caiado, a escola também precisa oferecer uma perspectiva concreta de futuro.
“Não acreditam que no estudo pode-se ter solução e muito menos condições de vencer na vida. Esta é a tese que nós vamos quebrar.”
Caiado promete ampliar modelo de Goiás
O candidato afirmou que mudanças estruturais na educação e na segurança exigem firmeza política e rejeitou a ideia de que as medidas seriam difíceis demais para um governo implementar.
“Gente, isso é difícil para frouxo. Isso é difícil para o presidente que não tem coragem.”
Caiado também comparou o orçamento de um estado com a capacidade financeira da Presidência da República.
“Como é que eu fiz? Com um orçamento bem menor. Imagina bem o presidente da República. Com um orçamento bem maior.”
Na sequência, resumiu sua posição:
“Por que eu não vou fazer? Eu vou fazer.”
“O Estado brasileiro se ajoelhou para o crime”
Ao encerrar a fala, Caiado ampliou as críticas à segurança pública e afirmou que o Estado perdeu espaço para organizações criminosas.
“O Estado brasileiro se ajoelhou para a corrupção. Se ajoelhou para o crime.”
Segundo o candidato, a consequência seria o crescimento das organizações criminosas e a perda da capacidade do poder público de proteger a população.
“Cada vez mais a bandidagem cresce, o crime cresce e ocupa o lugar do Estado.”
Caiado encerrou defendendo que educação e segurança sejam tratadas como prioridades nacionais.
“Se nós não resgatarmos a segurança e a educação no Brasil, o Brasil torna-se ingovernável, como está hoje.”
ENTENDA O CONTEXTO
A proposta apresentada por Caiado combina cobrança de resultados na educação, monitoramento do desempenho dos alunos e políticas de segurança pública.
O candidato usa a experiência de Goiás como principal argumento para defender a aplicação do modelo em escala nacional. A ideia é transformar os resultados de escolas e municípios em indicadores capazes de orientar a distribuição e a cobrança pelo uso dos recursos públicos.