Moraes diz que modelo eleitoral do Brasil “faliu” e critica políticos que preferem fazer lives

Ministro do STF alerta que os atuais eleitos se preocupam mais com lives do que em trabalhar e defende o voto distrital misto para mudar o cenário político do país.
Redação NC News
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não poupou palavras para definir a atual situação da política no Brasil: para ele, o nosso modelo eleitoral “faliu”. A dura declaração foi feita nesta segunda-feira (24), durante uma palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP).

Moraes foi direto ao ponto ao criticar o comportamento dos atuais políticos, afirmando que o sistema de votação de hoje acaba favorecendo candidatos que não têm compromisso com projetos reais. Segundo o ministro, muitos eleitos se importam muito mais em “ficar fazendo live da Câmara” do que em debater e votar o que realmente interessa à população.

“Esse modelo eleitoral faliu, porque produz candidatos e eleitos que não têm vinculação a partidos, que se preocupam muito mais em ficar fazendo live da Câmara do que discutir o projeto que está sendo votado. Que enfraquecem o Congresso”, disparou o ministro.

Qual é a solução? Voto distrital misto

Para consertar esse cenário e fortalecer a democracia, Moraes defende uma mudança estrutural pesada: o fim do atual sistema proporcional puro (onde o eleitor vota e o cálculo do partido decide quem entra) e a adoção gradual do chamado voto distrital misto.

Segundo o Estadão, na visão do ministro, o Brasil deveria começar com 30% das vagas decididas pelo modelo distrital, aumentando aos poucos nas eleições seguintes. Nesse sistema, o eleitor votaria em um representante específico do seu bairro/região (distrito) e também em uma lista fechada do partido, o que forçaria os políticos a estarem mais perto dos problemas reais dos eleitores e fortaleceria os partidos, em vez de criar “celebridades de internet” sem compromisso.

“Fomos ingênuos com as Big Techs”

Moraes também aproveitou o evento no TCM-SP para fazer um mea-culpa institucional em relação às grandes empresas de tecnologia (como Google, Meta e X). O ministro afirmou que houve ingenuidade ao acreditar que essas plataformas eram neutras.

Moraes destacou que os algoritmos dessas redes foram usados para explorar “recalques” e sentimentos negativos dos usuários, ampliando o alcance de discursos extremistas e ajudando a inflamar a polarização política.

Apesar do tom duro sobre o cenário político e digital, Moraes garantiu que as instituições seguraram os trancos recentes — citando os impeachments desde 1988 e os ataques de 8 de Janeiro — e garantiu que a democracia segue firme, com “eleições marcadas” para o futuro próximo.

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