Belo Horizonte acaba de ganhar mais 22 nascentes identificadas no mapa ambiental da cidade. O levantamento foi feito no Bairro Capitão Eduardo, na Região Nordeste, pela Gerência de Recursos Hídricos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Com a nova descoberta, a capital mineira chegou a 1.180 nascentes cadastradas até 18 de agosto. O trabalho também confirmou a presença de cursos d’água que fazem parte da sub-bacia do Córrego Cebola, uma área de importância ambiental na região.
Mapeamento levou dois meses
As novas nascentes foram identificadas durante vistorias técnicas realizadas ao longo de dois meses.
Os técnicos encontraram diferentes tipos de recursos hídricos, incluindo nascentes pontuais e difusas. Também foram identificados cursos d’água que permanecem ativos durante todo o ano e outros que aparecem apenas em determinados períodos.
Um dos destaques da área é o Córrego Cebola, que percorre um leito formado por rochas e possui uma cachoeira. A presença dessas características reforça a importância ambiental do local.
O levantamento faz parte de um trabalho da Prefeitura para conhecer melhor os recursos hídricos existentes dentro de Belo Horizonte.
Por que identificar as nascentes é importante?
O mapeamento não serve apenas para saber onde estão as nascentes. A localização desses pontos ajuda o poder público a definir quais áreas precisam de proteção e quais medidas podem ser adotadas para recuperar ambientes degradados.
A legislação ambiental estabelece que o entorno de nascentes e olhos d’água, sejam eles perenes ou intermitentes, é considerado Área de Preservação Permanente (APP), com raio mínimo de 50 metros.
Também existem regras específicas para a proteção das margens de cursos d’água naturais, de acordo com a largura de cada rio ou córrego.
Com o mapeamento, a Prefeitura consegue delimitar essas áreas e planejar ações de conservação, recuperação da vegetação e educação ambiental.
Dados vão entrar no mapa oficial da cidade
As informações levantadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente serão incorporadas ao sistema de dados ambientais de Belo Horizonte.
O levantamento atualizado pode ser consultado pela plataforma BH em Números, que reúne informações sobre a cidade.
A expectativa é que o resultado completo do trabalho realizado no Capitão Eduardo também fique disponível em breve no BHMap, ferramenta de mapas e informações geográficas da Prefeitura.
Programa busca recuperar áreas degradadas
A identificação das nascentes também está ligada ao Programa Renascente, criado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 2025.
A iniciativa foi criada para recuperar áreas degradadas próximas a nascentes, brejos e cursos d’água da capital.
Entre as ações previstas estão o plantio de espécies nativas, manutenção da vegetação e instalação de cercas para proteger Áreas de Preservação Permanente.
A recuperação da vegetação ajuda a diminuir a erosão e o transporte de sedimentos para os cursos d’água, além de contribuir para a biodiversidade e para a recomposição de áreas utilizadas pela fauna.
O programa também envolve atividades de educação ambiental com moradores, escolas, entidades e coletivos.
Ações já acontecem em outras regiões
Em 2026, o Programa Renascente ampliou as ações de recuperação e educação ambiental em diferentes pontos de Belo Horizonte.
Entre os trabalhos realizados estão o plantio de mudas nativas no entorno de uma nascente no Bairro Havaí e atividades de conscientização com comunidades dos bairros Granja de Freitas e Taquaril.
No Capitão Eduardo, o trabalho ainda está concentrado no levantamento e na caracterização das nascentes e dos cursos d’água. A partir dos dados coletados, poderão ser definidas futuras ações de recuperação, plantio, proteção e educação ambiental na região.