O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que, apesar de receber uma remuneração muito acima da média dos brasileiros, um magistrado também precisa se preocupar com as contas do dia a dia.
A declaração foi feita durante um seminário realizado em São Paulo. Mendonça reconheceu que os ministros têm uma condição privilegiada, mas disse que o salário não significa uma vida sem preocupações financeiras.
O que Mendonça disse?
Durante o evento, o ministro afirmou que o salário de um integrante do STF é alto, mas não deveria ser encarado como uma garantia de enriquecimento.
“O salário, ainda que seja um bom salário, não te dá condições de ter uma vida sem preocupações financeiras. A gente tem que controlar a despesa no dia a dia.”
Mendonça também afirmou que magistrados vivem uma situação privilegiada em comparação com a maior parte da população, mas precisam administrar os próprios gastos.
Segundo ele, a remuneração não proporciona uma “vida nababesca” e os ministros também precisam se preocupar com as contas no fim do mês.
Quanto ganha um ministro do STF?
O salário-base de um ministro do Supremo atualmente é de R$ 46.366,19 por mês. O valor está em vigor desde fevereiro de 2025 e corresponde ao teto constitucional do funcionalismo público.
Isso significa que a remuneração dos ministros do STF serve como referência para o limite máximo dos vencimentos de servidores públicos e também influencia os salários de outras carreiras do Judiciário.
Quanto realmente cai na conta?
O valor recebido pelo ministro pode ser diferente do salário-base por causa de descontos, impostos, contribuição previdenciária e eventuais verbas indenizatórias previstas em lei.
Dados do Portal da Transparência do STF mostram que os rendimentos líquidos de Mendonça variaram entre R$ 18.881,92 e R$ 43.028,21 entre janeiro e julho de 2026.
No período, ele recebeu R$ 182.029,10 líquidos, uma média de aproximadamente R$ 26 mil por mês.
A fala aconteceu durante um seminário
Mendonça fez os comentários durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Além da questão financeira, o ministro falou sobre os desafios pessoais e profissionais de ocupar uma cadeira no Supremo.
Indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, Mendonça tomou posse na Corte em dezembro de 2021.
O ministro também falou sobre a rotina no Supremo
Mendonça afirmou que os primeiros anos no STF foram especialmente difíceis e que, atualmente, sente mais o peso da responsabilidade do cargo do que eventuais benefícios.
A declaração ocorre enquanto o ministro está à frente de investigações de grande repercussão nacional, incluindo processos relacionados às fraudes no INSS e ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Entenda o contexto
O salário dos ministros do STF é um dos maiores vencimentos do serviço público e corresponde atualmente a R$ 46.366,19.
Ao falar sobre a própria remuneração, André Mendonça reconheceu que magistrados possuem uma condição financeira privilegiada, mas argumentou que o salário não elimina a necessidade de controlar gastos.
A declaração gerou repercussão justamente pela diferença entre a remuneração de um ministro do Supremo e a renda da maioria dos brasileiros.
Ao mesmo tempo, os dados de transparência mostram que o valor efetivamente recebido pode variar bastante de um mês para outro, dependendo dos descontos e de outras verbas previstas em lei.