Gilmar Mendes diz que candidatos ao Senado terão “imensas dificuldades” para promover impeachment de ministros do STF

Decano do Supremo Tribunal Federal comenta os desafios enfrentados por senadores para avançar com o impeachment de ministros da Corte.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que candidatos ao Senado que adotam o impeachment de ministros da Corte como bandeira eleitoral enfrentarão “imensas dificuldades” para colocar a proposta em prática.

A declaração foi dada na quarta-feira (19), após a participação do ministro no 5º Fórum Saúde, realizado em Brasília. Segundo Gilmar, existe uma distância significativa entre defender o afastamento de ministros durante uma campanha e conseguir efetivamente levar a iniciativa adiante no Senado.

Gilmar vê impeachment como bandeira eleitoral

Ao comentar o movimento de candidatos que defendem o impeachment de ministros do STF, Gilmar Mendes classificou a estratégia como um “equívoco”, embora tenha reconhecido que o tema possui apelo eleitoral.

O ministro afirmou que, mesmo que um candidato eleito para o Senado mantenha essa bandeira depois da posse, encontrará dificuldades para transformá-la em uma iniciativa concreta.

“Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme”, declarou Gilmar.

Em seguida, afirmou que um eventual senador eleito com essa proposta teria “imensas dificuldades” para implementá-la porque o “todo institucional” provavelmente caminharia em outra direção.

Gilmar diz que propostas eleitorais de impeachment de ministros do STF terão dificuldade de se tornarem realidade
Gilmar Mendes foi indicado por FHC e é decano do Supremo | Foto: Reprodução

A declaração ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, período em que o impeachment de ministros do Supremo passou a aparecer com mais frequência no discurso de candidatos ao Senado, especialmente entre setores da oposição.

Processo depende do Senado

O impeachment de ministros do STF não pode ser realizado por decisão individual de um senador. O processo tramita no Senado Federal, responsável por processar e julgar ministros da Corte por crimes de responsabilidade.

Para que um ministro seja condenado e efetivamente afastado, é necessária maioria de dois terços dos senadores, ou seja, 54 dos 81 integrantes da Casa.

Esse desenho ajuda a explicar a avaliação de Gilmar. Mesmo que novos senadores eleitos defendam a abertura de processos, a transformação da pauta eleitoral em uma ação efetiva dependeria da construção de uma maioria política dentro do Senado.

A disputa pela composição da Casa em 2027, portanto, é central para os grupos que defendem mudanças na relação entre Congresso e Supremo.

Senado analisa projeto que institui a Política Nacional de Economia Circular - CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção
Impeachment de ministros requer passagem pelo Senado | Foto: Reprodução

Tema ganha espaço na eleição de 2026

O impeachment de ministros do STF passou a integrar o discurso de diferentes candidaturas ao Senado durante a atual campanha eleitoral. A pauta é apresentada por seus defensores como uma forma de aumentar o controle do Legislativo sobre o Judiciário.

O tema também aparece associado a críticas a decisões recentes do Supremo e a propostas de mudança no funcionamento da Corte.

Gilmar, entretanto, afirmou não estar preocupado com as promessas de campanha. Questionado sobre a possibilidade de uma eventual mudança no cenário político ampliar o risco de processos contra ministros, o decano evitou fazer projeções.

A avaliação do ministro é que existe uma diferença entre o discurso utilizado durante a campanha e a capacidade de concretizá-lo depois da eleição.

Quem é Gilmar Mendes?

Gilmar Ferreira Mendes nasceu em 30 de dezembro de 1955, em Diamantino (MT), e é formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Antes de chegar ao STF, construiu carreira acadêmica e jurídica e ocupou cargos no governo federal.

Entre 1996 e 2000, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Depois, entre 2000 e 2002, ocupou o cargo de advogado-geral da União.

Em abril de 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso indicou Gilmar Mendes para uma vaga no Supremo. O nome foi aprovado pelo Senado, e a posse ocorreu em 20 de junho daquele ano.

Desde a aposentadoria de ministros que chegaram à Corte antes dele, Gilmar se tornou o decano do STF, posição ocupada pelo ministro com mais tempo de atuação na Corte. Ele também presidiu o Supremo entre 2008 e 2010.

Carregar Comentários