O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu uma investigação para apurar a morte de uma recém-nascida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior paulista. A bebê morreu em 20 de agosto, dois dias depois de sofrer um corte na cabeça provocado por um bisturi durante uma cesárea de urgência.
A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude quer esclarecer se o ferimento provocou um trauma cranioencefálico que levou à morte da criança.
O que aconteceu durante a cesárea?
O parto ocorreu em 18 de agosto, quando a mãe da bebê foi submetida a uma cesárea de emergência. Segundo as informações do caso, durante o procedimento a recém-nascida sofreu um ferimento na cabeça causado pela lâmina de um bisturi.
Após o corte, a equipe médica realizou procedimentos para atender a criança. O quadro, porém, evoluiu para uma hemorragia intracraniana, e a bebê morreu dois dias depois.
A Polícia Civil também investiga o caso. A ocorrência foi registrada e encaminhada ao 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto, que realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da morte.
O que o Ministério Público quer descobrir?
O MPSP solicitou ao Hospital das Clínicas a qualificação completa dos profissionais que participaram do atendimento da mãe e da bebê.
A Promotoria também pediu informações sobre o procedimento administrativo interno aberto pelo hospital para investigar o ocorrido.
A investigação deverá ajudar a esclarecer não apenas como o ferimento aconteceu, mas também qual foi a relação entre o trauma e a morte da recém-nascida. É importante destacar que, neste momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos.
Bebê nasceu prematura
A cesárea aconteceu quando a gestação estava na 27ª semana. A mãe, de 20 anos, havia sido acompanhada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto durante a gestação.
Segundo informações do boletim de ocorrência divulgadas pela imprensa, a cirurgia foi realizada em caráter de urgência após alterações nos batimentos cardíacos da bebê.
A prematuridade também é um elemento que deverá ser considerado pelas investigações médicas e periciais para determinar as causas do agravamento do quadro.
O que diz o hospital?
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto confirmou o ocorrido e informou que abriu uma apuração interna para esclarecer todas as circunstâncias do atendimento. Em nota, a instituição lamentou a morte da recém-nascida e declarou solidariedade à família.
“Neste momento de dor, o HC Ribeirão lamenta o ocorrido e se solidariza com a família.”
A instituição também informou que a apuração interna deverá analisar o atendimento prestado à mãe e à bebê.
Polícia Civil também investiga
Além do procedimento conduzido pelo Ministério Público, a Polícia Civil de São Paulo apura as circunstâncias da morte.
O caso foi inicialmente registrado pela polícia e encaminhado ao 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto. O médico obstetra responsável pelo parto se apresentou à polícia após a morte da criança. A investigação policial e os exames periciais serão importantes para determinar a causa da morte e verificar se houve relação direta entre o ferimento provocado durante a cirurgia e o óbito.
Entenda o contexto
O caso envolve três apurações diferentes: a investigação da Polícia Civil, o procedimento instaurado pelo Ministério Público de São Paulo e a investigação interna aberta pelo próprio Hospital das Clínicas.
O MPSP agora busca informações detalhadas sobre a equipe médica e sobre as providências tomadas pela instituição. Já a investigação policial deverá reunir documentos, depoimentos e elementos periciais para esclarecer a causa da morte.
Nenhuma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade médica foi apresentada até o momento.