Os dois hospitais veterinário públicos de Guarulhos foram inaugurados em Dezembro de 2024, com a proposta de oferecer atendimento gratuito para cães e gatos de moradores da cidade.
Uma unidade funcionava na região central do município e outra unidade atuava no bairro dos Pimentas. Os serviços incluíam consultas, exames, cirurgia e atendimentos de emergência, voltados principalmente para à população de baixa renda.
No entanto, os hospitais ficaram em funcionamento cerca de sete meses. Em Julho de 2025, a Prefeitura de Guarulhos rompeu o contrato com a organização responsável pela gestão das unidades, alegando irregularidade na execução dos serviços e no cumprimento das obrigações previstas no acordo.
Desde então, os atendimentos foram interrompidos e um ano depois, a população continua sem as duas unidades que haviam sido criadas justamente para ampliar o acesso gratuito à saúde animal.
Fechamento dos hospitais aumenta desafios para protetores
Na prática, a falta dos hospitais afeta principalmente quem não tem condições de pagar por consultas, exames, medicamentos e procedimentos na rede particular. E esse é o caso de Celso Vermelhinho, protetor independente que atua em Guarulhos, na Grande São Paulo, realizando o resgate de animais abandonados ou vítimas de maus-tratos, que enfrenta dificuldades para conseguir atendimento veterinário para os animais que resgata.
Há cerca de dois meses, Celso encontrou uma cachorrinha que estava sendo cuidada por pessoas em situação de rua na região da vila carmela em Guarulhos. O animal, batizado de Feijoada, já estava com cinomose quando passou a receber os cuidados do protetor.
Desde então, ela se tornou mais uma preocupação na rotina de Celso, que já cuida de outros 11 animais e enfrenta dificuldades para conseguir atendimento e tratamento veterinário.
“Estamos tentando fazer de tudo para salvar ela, porém não estamos tento mais estrutura para cuidar dela e estamos em busca de uma pessoa que tenha condições de ficar com ela, para ter um cuidado especial e para ela ter um lar e não viver mais dentro de uma clínica” relatou
Desde o resgate, Feijoada está internada e o tratamento tem sido possível graças a uma rede de apoio comunitária. Segundo Celso, ele mantém uma parceria com uma veterinária da Clínica Pituca, no bairro Anita Garibaldi, onde a cachorrinha permanece internada desde o dia em que foi resgatada.

A fisioterapia também é realizada de forma comunitária, com o apoio da Clínica Alquimia. Além das parcerias, o protetor recebe doações voluntárias para ajudar na compra dos medicamentos necessários para o tratamento da cachorrinha.
A história da cachorrinha ajuda a mostrar uma realidade enfrentada por protetores e tutores que dependem de serviços públicos para garantir atendimento aos animais. Em Guarulhos, o fechamento de dois hospitais veterinários públicos deixou moradores sem uma das principais alternativas de atendimento gratuito.
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A rotina de quem cuida de 11 animais
Além de Feijoada, Celso cuida de outros 11 animais. A responsabilidade aumenta ainda mais quando algum deles precisa de atendimento veterinário, principalmente em situações de emergência.
Para quem depende do atendimento público, encontrar uma alternativa pode se tornar ainda mais difícil diante dos custos cobrados por clínicas particulares.
Emergências sem atendimento público
Celso relata que a dificuldade para conseguir atendimento não é apenas uma preocupação para o futuro. Ao longo do tempo, alguns dos animais sob seus cuidados já precisaram de ajuda veterinária.
Em situações de emergência, o tempo pode ser determinante para o tratamento e a recuperação de um animal. Sem atendimento público disponível, tutores e protetores que não conseguem arcar com os custos particulares precisam buscar outras alternativas.
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O custo de cuidar de um animal
Além da falta de atendimento público, o custo dos tratamentos veterinários também pesa no orçamento de quem precisa cuidar dos animais.
Para Celso, que mantém 11 animais sob seus cuidados e ainda ajuda outros animais em situação de vulnerabilidade, despesas com consultas, exames e medicamentos podem se tornar um desafio.
Segundo o protetor, a situação financeira se tornou tão difícil que ele acabou acumulando dívidas para conseguir ajudar animais resgatados.
“Quando você entra dentro de uma clínica com um cachorro resgatado, com bicheira ou qualquer tipo de doença, a clínica não olha para você como uma pessoa que está ali prestando socorro. Ela olha para você como um cliente”, relata.
Celso afirma que os custos cobrados pelos atendimentos são os mesmos, independentemente de o animal ter sido resgatado da rua.
“Eu mesmo me afundei em dívida por causa disso, já cheguei a gastar dez mil com um tratamento”, diz.
Diante das dificuldades, o protetor buscou alternativas para conseguir atendimento aos animais. Foi assim que surgiu a parceria com a veterinária responsável pela Clínica Pituca, que, segundo ele, tem um trabalho social e passou a ajudá-lo em situações como atendimentos rápidos e consultas.
Em contrapartida, Celso afirma que também contribui divulgando o trabalho da clínica. A parceria é uma das formas encontradas pelo protetor para conseguir manter os cuidados com os animais.
A situação enfrentada por Celso representa uma preocupação para moradores que dependem de serviços gratuitos e não conseguem arcar com os valores cobrados pela rede particular.
O que diz a Prefeitura de Guarulhos?
Procurada pela reportagem do NC News, a Prefeitura de Guarulhos foi questionada sobre a situação dos hospitais veterinários e sobre as alternativas oferecidas atualmente à população que precisa de atendimento gratuito para os animais.
A administração municipal segue buscando a melhoria nos serviços públicos, com estudos pautados pela legislação vigente.

À espera de uma solução
Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, tutores e protetores continuam enfrentando dificuldades para conseguir atendimento veterinário.
Para Celso, a situação vai além dos 11 animais que já estão sob seus cuidados. Há cerca de dois meses, Feijoada também passou a fazer parte da rotina do protetor.
A cachorrinha, que já estava com cinomose quando foi encontrada, representa mais uma responsabilidade para alguém que diz enfrentar diariamente os desafios de cuidar de animais sem ter a garantia de atendimento veterinário público.
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