Servidor do Detran-DF cobrava R$ 2 mil por transferência fraudulenta de veículos

Alexandre Macedo da Rosa é apontado como líder de esquema que teria movimentado R$ 1 milhão e realizado ao menos 600 operações ilegais
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Apontado como líder de um esquema fraudulento envolvendo transferências de veículos no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), o servidor Alexandre Macedo da Rosa cobrava cerca de R$ 2 mil por cada transação fraudulenta. O valor foi constatado durante investigação conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), deflagrada em maio deste ano.

Alexandre liderava um grupo que realizava as fraudes. O bando possuía despachantes responsáveis por atrair interessados nos serviços ilegais.

Esquema movimentou cerca de R$ 1 milhão

Além das transferências fraudulentas de veículos, as apurações identificaram a retirada irregular de restrições administrativas e multas. Ao todo, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1 milhão. Foram feitas ao menos 600 operações com o uso da senha de uma servidora em horários nos quais ela não estava trabalhando.

O dinheiro obtido por meio das fraudes ia parar nas contas da esposa de Alexandre, Shana Rodrigues Macedo. O casal se entregou à Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) em junho deste ano.

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De acordo com a denúncia apresentada à Justiça e com os detalhes do processo que tramita no Tribunal de Justiça do DF, Alexandre tinha autorização para acessar e modificar o sistema Getran e teria repassado suas credenciais a terceiros, entre eles Caio Raffael e Huggo Luciano.

Segundo a acusação, os valores eram depositados na conta bancária de Shana, esposa do servidor investigado. Alexandre seria o responsável por efetivar alterações irregulares no sistema, com o auxílio de terceiros.

Como funcionavam as fraudes

As apurações indicam que os investigados cadastravam transferências sem a documentação exigida ou utilizando documentos adulterados. Os processos eram, então, aprovados por meio de acessos indevidos ao sistema.

Os suspeitos foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

A ação policial foi realizada em 26 de maio. Foram cumpridos sequestro de valores, 11 mandados de busca e apreensão, com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.

Na ocasião, foram realizadas buscas em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS).

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Detran-DF reforçou segurança dos sistemas

Em nota, o Detran-DF informou que forneceu informações técnicas, registros de acesso e dados que ajudaram a identificar padrões de invasão e origens das conexões fraudulentas.

O órgão também informou que mantém medidas permanentes de reforço da segurança e revisão de acessos aos sistemas internos.

Em casos de envolvimento de servidores, foram adotadas medidas administrativas imediatas, como afastamento e bloqueio de credenciais.

Defesa tenta revogar prisão preventiva

A defesa do servidor Alexandre Macedo da Rosa e de sua esposa, Shana Rodrigues Macedo, ingressou com a solicitação em 7 de agosto para tentar revogar a prisão preventiva.

Ao todo, já foram impetrados quatro habeas corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) — um deles nesta quarta-feira (26/8) —, além de outro pedido apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Nos pedidos de liberdade, ao sustentar que o prazo de prisão já expirou, a defesa faz considerações sobre saúde mental de Alexandre, além de defender que a esposa do servidor não tem participação no esquema.

Caio Raffael de Jesus Leite Furtado, um dos comparsas de Alexandre, continua com mandado de prisão em aberto. Ainda não há informações sobre Pedro Cruz Filho, outro integrante do grupo criminoso.

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