Mulher de 50 anos é resgatada após passar quatro décadas em trabalho análogo à escravidão em São Paulo

Vítima teria começado a trabalhar na residência aos 10 anos e passou décadas realizando tarefas domésticas sem remuneração; operação reuniu MPSP, Polícia Federal e Polícia Civil
Redação NC News
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Uma mulher de 50 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão nesta quinta-feira (27), durante uma operação realizada na Zona Leste de São Paulo. A ação envolveu o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil.

Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), a vítima teria chegado à residência onde trabalhava quando tinha apenas 10 anos de idade. Desde então, permaneceu no local por cerca de 40 anos, realizando serviços domésticos sem receber remuneração.

A identidade da mulher é preservada.

 

Tudo começou quando ela ainda era criança

De acordo com o relato apresentado às autoridades, a mulher vivia em uma situação de extrema vulnerabilidade social durante a infância.

A mãe era a única responsável pelo sustento de seis filhas. Quando uma das irmãs da vítima, que também trabalhava na residência, decidiu deixar o local, a menina teria sido oferecida para ocupar seu lugar.

O argumento utilizado pelos responsáveis pela casa era de que ela poderia morar gratuitamente na residência desde que trabalhasse no local.

O que começou quando ela ainda era criança, porém, teria se transformado em uma relação de trabalho que durou quatro décadas.

 

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Jornada começava às 6h da manhã

Segundo o relato da vítima, ainda na infância ela era acordada pelos patrões por volta das 6h da manhã para começar as tarefas domésticas.

Entre as atividades realizadas estavam:

preparo de refeições;
lavagem de roupas;
limpeza da residência;
jardinagem;
outras tarefas domésticas.
As atividades eram interrompidas quando ela precisava ir para a escola.

Depois das aulas, porém, ela retornava à residência e retomava os serviços que ainda precisavam ser realizados.

Ela não recebia salário pelo trabalho.

 

Moradia era precária

A justificativa apresentada para manter o acordo era de que a mulher teria direito a morar gratuitamente no local em troca dos serviços domésticos.

Segundo a denúncia encaminhada ao MPT, entretanto, a vítima não vivia dentro da residência principal da família.

Ela ocupava uma construção simples e precária localizada no mesmo terreno, onde, de acordo com o relato, havia problemas como mofo e infestação de cupins.

A situação da moradia foi considerada parte do contexto analisado pelas autoridades durante a ação.

 

A HISTÓRIA EM NÚMEROS

O que caracteriza trabalho análogo à escravidão?

A legislação brasileira considera trabalho análogo à escravidão situações em que a pessoa é submetida, entre outras possibilidades, a condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas, servidão por dívida ou restrição de liberdade, conforme as circunstâncias verificadas no caso concreto.

A caracterização não depende necessariamente de a pessoa estar fisicamente acorrentada ou impedida de sair do local.

Por isso, situações de exploração prolongada, especialmente quando envolvem vulnerabilidade e ausência de remuneração, podem ser investigadas pelas autoridades como possíveis casos de trabalho análogo à escravidão.

 

Caso é investigado pelas autoridades

O resgate ocorreu durante uma ação conjunta do MPSP, da Polícia Federal e da Polícia Civil.

A denúncia apresentada ao MPT reúne os relatos da vítima sobre os anos em que permaneceu trabalhando na residência.

Agora, as autoridades deverão analisar as circunstâncias do caso, reunir elementos e apurar eventuais responsabilidades.

A identidade da mulher é mantida em sigilo para preservar sua proteção.

Uma história que começou na infância

O caso chama atenção principalmente pelo longo período em que a mulher teria permanecido submetida àquela situação.

Ela teria entrado na residência aos 10 anos, quando ainda frequentava a escola, e permaneceu no local até a idade adulta, chegando aos 50 anos ainda vinculada àquela rotina de trabalho doméstico.

Durante esse período, segundo seu relato, realizou atividades diariamente e sem remuneração, enquanto a moradia era apresentada como a compensação pelo trabalho.

Agora, após o resgate, a situação passa a ser analisada pelas autoridades responsáveis.

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Entenda o contexto

A mulher foi resgatada nesta quinta-feira (27), na Zona Leste de São Paulo, durante uma operação que reuniu Ministério Público de São Paulo, Polícia Federal e Polícia Civil.

Segundo a denúncia encaminhada ao MPT, ela começou a trabalhar na residência aos 10 anos, após uma irmã que trabalhava no local deixar a casa.

Durante aproximadamente quatro décadas, teria realizado serviços domésticos sem receber remuneração, sob a justificativa de que poderia morar gratuitamente no terreno.

O relato aponta ainda que ela vivia em uma construção precária, com mofo e infestação de cupins.

O caso agora segue sob apuração das autoridades, que deverão analisar as circunstâncias relatadas e as possíveis responsabilidades.

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