Um hábito que parecia inofensivo acabou se transformando em um problema que mudou a rotina de Sarah Korseki, de 41 anos.
A americana passou anos dormindo sem retirar a maquiagem dos olhos. Com o tempo, começou a enfrentar episódios recorrentes de erosão da córnea, acompanhados de dores intensas e perda temporária da visão.
Depois de várias crises, ela recebeu o diagnóstico de disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), uma condição que afeta a lubrificação dos olhos e pode provocar ressecamento e danos à superfície da córnea.
O caso ganhou repercussão depois que Sarah contou sua história ao New York Post.
A primeira crise aconteceu durante uma viagem
O primeiro episódio grave aconteceu em janeiro de 2021, quando Sarah tinha 37 anos e estava no México.
Ao acordar, percebeu que a pálpebra estava grudada no olho. Ela descreveu a sensação como se tivesse um “velcro” prendendo a pálpebra ao globo ocular.
Ao conseguir abrir o olho, sentiu uma dor intensa.
De volta aos Estados Unidos, um oftalmologista identificou uma erosão na córnea. O episódio levou cerca de dois dias para passar, enquanto a cicatrização completa demorou aproximadamente duas semanas.
O problema, porém, não terminou ali.
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As crises começaram a se repetir
Sarah passou a apresentar novas erosões aproximadamente a cada três meses.
Em algumas crises, ela ficou até dois dias com dificuldade para enxergar e sem condições de trabalhar ou realizar atividades simples.
A situação também afetou a convivência com os filhos.
“Eu nem consigo ler livros para os meus filhos à noite”, relatou Sarah.
Durante as crises, ela precisa permanecer em um ambiente escuro, usar uma máscara aquecida e recorrer a podcasts para passar o tempo enquanto aguarda a melhora.
O problema chegou a atingir os dois olhos. Foi então que Sarah decidiu procurar um especialista para investigar a origem das lesões recorrentes.
Diagnóstico revelou problema nas glândulas dos olhos
Em agosto de 2022, Sarah passou por um exame específico das glândulas de Meibômio e recebeu o diagnóstico de disfunção dessas estruturas.
As glândulas ficam nas pálpebras e produzem uma substância oleosa que ajuda a impedir que as lágrimas evaporem rapidamente.
Quando elas ficam obstruídas ou deixam de funcionar adequadamente, o olho pode ficar mais seco e vulnerável a problemas na superfície da córnea.
No caso de Sarah, o médico considerou que o hábito de dormir de maquiagem poderia ter contribuído para o desenvolvimento da condição.
Isso é diferente de afirmar que a maquiagem, sozinha, foi comprovadamente a causa da doença.
O hábito começou aos 18 anos
Sarah contou que começou a dormir maquiada aos 18 anos, principalmente depois de sair à noite.
Ela costumava usar maquiagem elaborada nos olhos, incluindo delineador e produtos aplicados próximos à linha d’água.
Como também tinha o hábito de dormir de lado, acredita que o contato do rosto com o travesseiro poderia ter pressionado os produtos contra a região dos olhos.
“Sou millennial, então costumava fazer maquiagens de olhos bem elaboradas, delineado gatinho e até lápis na linha d’água, o que é péssimo.”
Sarah afirmou que, na época, não tinha problemas importantes na pele e não sentia necessidade de lavar o rosto antes de dormir.
Hoje, ela pensa diferente.
“Se eu soubesse que isso poderia levar a esse problema, teria criado uma rotina de lavar o rosto à noite.”
O que é a disfunção das glândulas de Meibômio?
A DGM ocorre quando as glândulas responsáveis por produzir parte da camada oleosa das lágrimas apresentam alteração em seu funcionamento.
Essa camada ajuda a reduzir a evaporação das lágrimas e a manter a superfície ocular protegida.
Quando existe disfunção, podem aparecer sintomas como:
ressecamento; irritação; sensação de areia nos olhos; vermelhidão;
desconforto; sensibilidade; visão embaçada; inflamação;
lesões na superfície da córnea.
No caso de Sarah, o problema evoluiu para erosões recorrentes da córnea, causando episódios de dor intensa e comprometimento temporário da visão.
Como Sarah cuida dos olhos hoje?
Depois do diagnóstico, a rotina da americana mudou completamente.
Ela utiliza colírios seis vezes por dia, faz higiene dos olhos com óleo de melaleuca e utiliza uma máscara térmica.
Além disso, decidiu abandonar a maquiagem nos olhos.
A única exceção é o uso de corretivo na região abaixo deles.
Dormir maquiada pode prejudicar os olhos?
O caso de Sarah serve como alerta, mas não significa que todas as pessoas que dormirem uma vez com maquiagem desenvolverão uma doença ocular.
O problema está principalmente relacionado à repetição do hábito e aos cuidados inadequados com a região dos olhos.
Especialistas recomendam retirar a maquiagem antes de dormir e manter os produtos utilizados na área ocular limpos e dentro do prazo de validade.
Também é importante evitar compartilhar maquiagem e não aplicar produtos diretamente na linha interna dos olhos.
Além disso, se surgirem dor forte, perda ou alteração súbita da visão, vermelhidão intensa ou outros sintomas persistentes, a orientação é procurar avaliação oftalmológica.
Um hábito simples que pode fazer diferença
A história de Sarah mostra como um cuidado aparentemente pequeno pode ganhar outra dimensão quando repetido durante anos.
A maquiagem não deve ser tratada como a causa comprovada da doença da americana. No caso dela, o médico considerou que o hábito de dormir maquiada poderia ter contribuído para o problema.
Mas a recomendação é simples:
maquiou os olhos? Antes de dormir, retire tudo.
Para Sarah, esse cuidado chegou tarde. Hoje, ela não usa mais maquiagem nos olhos e precisa manter uma rotina diária para tentar evitar novas erosões da córnea.
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ENTENDA O CONTEXTO
Sarah Korseki começou a dormir maquiada aos 18 anos. Anos depois, passou a sofrer com erosões recorrentes na córnea, dores intensas e episódios temporários de perda de visão.
Em 2022, recebeu o diagnóstico de disfunção das glândulas de Meibômio, condição crônica que afeta a lubrificação dos olhos.
O médico considerou que o hábito de dormir com maquiagem poderia ter contribuído para o quadro.
Hoje, Sarah usa colírios, faz cuidados específicos com os olhos e deixou de usar maquiagem na região.
A principal recomendação para quem usa cosméticos nos olhos é simples: remover a maquiagem antes de dormir e procurar um oftalmologista diante de alterações persistentes ou repentinas na visão.
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