O Ministério Público Eleitoral de São Paulo arquivou a investigação sobre a suposta abordagem e perseguição ao motorista de Fernando Haddad (PT), mas o caso ainda não chegou ao fim. A apuração na esfera eleitoral não encontrou elementos suficientes para caracterizar crime eleitoral ou abuso de poder político e de autoridade, enquanto o inquérito conduzido pela Polícia Civil continua em andamento.
A decisão foi tomada pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, que, apesar de afastar a existência de ilícitos eleitorais, fez uma ressalva importante: considerou inverossímil a explicação apresentada pelo governo paulista de que a presença das viaturas na região teria ocorrido por coincidência ou durante um patrulhamento de rotina.
O que levou ao arquivamento do caso
A apuração eleitoral havia sido aberta depois que a campanha de Haddad relatou uma abordagem considerada atípica da Polícia Militar na noite de 11 de agosto, quando o candidato chegava em casa, na Zona Sul de São Paulo. Depois de deixar o petista, o motorista Alessandro Caseri afirmou ter percebido a aproximação de uma viatura e relatou que teria sido acompanhado durante parte do trajeto.
A denúncia apresentada ao Ministério Público Eleitoral questionava se a ação poderia ter sido utilizada como forma de intimidação contra Haddad, que disputa o governo de São Paulo contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ao analisar o caso, porém, o procurador concluiu que não havia elementos capazes de sustentar a ocorrência de um ilícito eleitoral. Com isso, a investigação nessa esfera foi arquivada.
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Procurador questiona versão apresentada pelo governo
O arquivamento não significa que o Ministério Público Eleitoral tenha considerado esclarecida toda a dinâmica da ocorrência. Na avaliação de Taubemblatt, a sequência dos acontecimentos e a presença de diferentes viaturas em um intervalo curto enfraquecem a hipótese de que tudo tenha ocorrido por simples coincidência.
O procurador considerou especialmente relevante o que classificou como um duplo engajamento tático em um período reduzido. Segundo a avaliação apresentada no procedimento, as circunstâncias não seriam compatíveis com a ideia de uma movimentação policial completamente casual.
A conclusão cria uma situação diferente daquela defendida pelo governo: não há, na esfera eleitoral, elementos para caracterizar crime ou abuso de poder, mas também não houve uma validação integral da explicação apresentada para a presença das viaturas.
Perícia apresentada pela campanha de Haddad
A campanha de Haddad apresentou ao longo da apuração imagens de câmeras de segurança e um parecer técnico produzido por peritos contratados para analisar os registros. Segundo a equipe do candidato, o material indicaria a participação de três viaturas na movimentação registrada naquela noite.
As imagens também são utilizadas pela defesa do motorista para questionar a interpretação inicial feita a partir das gravações. A campanha sustenta que uma das viaturas teria permanecido parada nas proximidades do local onde Caseri estacionou, enquanto outros veículos policiais também teriam passado pela região.
Haddad afirmou que pretende continuar oferecendo apoio jurídico ao motorista e que novas imagens deverão ser consideradas na investigação conduzida pela Polícia Civil.
Investigação criminal continua em São Paulo
Apesar do arquivamento eleitoral, o episódio segue sob investigação criminal. É nessa apuração que poderão ser analisadas outras imagens, depoimentos, registros das viaturas e demais elementos capazes de esclarecer o que aconteceu naquela noite.
O caso já passou por diferentes versões. O motorista confirmou à Polícia Civil que uma viatura se aproximou do veículo, mas apresentou diferenças em relação ao relato inicial divulgado pela campanha. A Secretaria da Segurança Pública, por sua vez, afirmou anteriormente que as imagens analisadas não demonstravam uma perseguição ou abordagem irregular.
A existência de versões divergentes é justamente um dos pontos que mantém o caso aberto na esfera policial. O arquivamento pelo Ministério Público Eleitoral, portanto, não encerra a investigação sobre a conduta dos agentes nem determina uma conclusão definitiva sobre o episódio.
Disputa eleitoral aumenta pressão sobre o caso
O episódio ganhou dimensão política por envolver diretamente Haddad e ocorrer durante a disputa pelo governo de São Paulo. O candidato do PT é adversário de Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição, e a atuação da Polícia Militar passou a ser questionada pela campanha petista.
Desde o início do caso, o governo paulista e a campanha de Haddad apresentaram interpretações diferentes sobre as imagens e sobre a movimentação policial. A análise eleitoral agora afasta a hipótese de crime eleitoral, mas a investigação policial permanece como o espaço para esclarecer eventuais irregularidades na abordagem.
O próximo passo será acompanhar o inquérito da Polícia Civil e verificar se as novas imagens e demais elementos apresentados pelas partes conseguem esclarecer a sequência dos acontecimentos.
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Entenda o contexto
O caso começou na noite de 11 de agosto, quando Haddad foi deixado em casa após participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP. Segundo o relato apresentado pelo motorista, uma viatura da PM teria se aproximado do veículo e, depois que o candidato entrou em sua residência, o acompanhamento teria continuado.
A denúncia ganhou repercussão política e passou a ser analisada simultaneamente em diferentes frentes. A Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar examinaram imagens de câmeras e dados relacionados às viaturas, enquanto a Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do episódio.
Agora, a esfera eleitoral tem uma conclusão: não foram identificados elementos suficientes para caracterizar ilícito eleitoral. A esfera criminal, entretanto, continua aberta. Isso significa que o arquivamento não estabelece que a abordagem ocorreu de determinada maneira, nem encerra a apuração sobre a conduta dos policiais envolvidos.
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