O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, esteve em Belo Horizonte nesta terça (1º) e quarta-feira (2) para cumprir compromissos de campanha. Na capital mineira, ele inaugurou o comitê eleitoral e participou de um encontro com representantes e lideranças do setor produtivo e do agronegócio.
Durante a agenda, Cury apresentou propostas para mudanças estruturais no país. Entre os principais pontos estão a adoção do semipresidencialismo, uma reforma no Supremo Tribunal Federal (STF) e o uso de drones para combater a violência contra as mulheres.
Semipresidencialismo
Ao explicar como pretende mudar a estrutura do governo, Cury criticou a concentração de poder no cargo de presidente da República. A proposta dele é substituir o atual presidencialismo por um sistema semipresidencialista, com um primeiro-ministro responsável pela gestão do governo.
O candidato afirmou que o modelo permitiria separar a função política do presidente da administração direta do país. Na visão dele, o primeiro-ministro teria um papel semelhante ao de um gestor.
“Eu defendo reformas estruturais tão grandes. Número um, fim do presidencialismo, fim do superpresidente, que nunca plantou uma horta, nunca montou uma empresa e defendeu o futuro do comércio, o futuro da agricultura e o futuro da indústria. Temos que ter o primeiro-ministro como gestor da empresa, gestor do Brasil, como a mente capitalista e o coração social para escutar as dores das pessoas”, afirmou.
Na sequência, Cury citou o desempenho econômico de outros países para defender a mudança do sistema político. Segundo ele, entre as 20 nações que mais se desenvolveram, apenas os Estados Unidos adotam o presidencialismo.
“Dos 20 países que mais se desenvolveram, só um era presidencialista. Sabe qual? Os Estados Unidos. O resto, todos foram parlamentaristas ou semipresidencialistas”, disse.
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Reforma no STF
Outra mudança defendida pelo candidato envolve o Supremo Tribunal Federal. Cury propõe que os ministros tenham mandato de oito anos e não possam retornar à Corte depois desse período.
Ao apresentar a ideia, ele classificou a proposta como uma “reforma profunda” no tribunal.
“Número dois, reforma profunda no STF. Oito anos e nunca mais voltar”, declarou.
Cury também defendeu mecanismos de responsabilização para autoridades que cometam infrações graves. Segundo ele, além das mudanças estruturais, ministros e outras autoridades devem estar sujeitos a medidas como renúncia e impeachment quando houver comprovação de irregularidades.
“Se tiver provado erros, se tiver comprovado que cometeu infração séria, tem que ter renúncia, claro. Tem que haver impeachment”, afirmou.
Na avaliação do candidato, mudanças pontuais não seriam suficientes para alterar o funcionamento das instituições. Ele defendeu uma revisão mais ampla das estruturas da Justiça.
“Mas não adianta só reformas pontuais. Nós precisamos fazer reformas nos fundamentos da Justiça.”, disse

Drones contra violência
Na segurança pública, Cury apresentou uma proposta voltada principalmente à proteção de mulheres vítimas ou ameaçadas de violência. A ideia é criar um aplicativo que permita o acionamento rápido das forças de segurança.
Segundo o candidato, a mulher poderia apertar um botão de emergência e enviar automaticamente a localização para uma unidade policial. Em cidades maiores, drones seriam acionados para chegar ao local antes dos agentes.
Cury explicou que os equipamentos poderiam ter sirene e outros recursos para auxiliar no atendimento da ocorrência. A intenção, segundo ele, seria tentar impedir que a agressão evolua para um crime mais grave.
“O drone, nas cidades maiores, se aciona na delegacia, sai da delegacia antes do policial e faz uma sirene de alerta. E isso pode evitar que o predador possa matá-la ou agredi-la”, afirmou.
O candidato também citou recursos tecnológicos que poderiam ser incorporados aos equipamentos, como câmeras de infravermelho e reconhecimento facial.

Educação e autoestima
Ao falar sobre as causas da violência contra a mulher, Cury também relacionou o problema à autoestima e à formação das crianças. Ele disse que gostaria de conversar sobre o assunto tanto com Jair Bolsonaro quanto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na sequência, para explicar a importância que dá à educação desde a infância e ao respeito às diferenças, Cury contou uma experiência com as próprias filhas.
Segundo ele, quando eram pequenas, deu a elas bonecas que fugiam do padrão tradicional de beleza e representavam diferentes características fisicas.
“Eu tenho duas filhas. E quando elas eram pequenininhas, eu dei para elas bonecas gordinhas e de cor”, afirmou.
Cury disse que a intenção era ensinar, desde cedo, que não existem pessoas superiores a outras e que as diferenças devem ser respeitadas.
“Para mostrar que não existe uma raça superior à outra, não existe uma pessoa superior à outra. Nós precisamos ensinar nossas crianças, desde cedo, a não discriminar, a respeitar as diferenças.”
Além das três principais propostas, Cury falou durante a passagem por Belo Horizonte sobre a dívida de Minas Gerais com a União. Ele defendeu a manutenção do Propag, programa de renegociação das dívidas dos estados, mas afirmou que as condições precisam ser revistas, principalmente em relação aos juros.
Cury também defendeu o diálogo entre os governos estadual e federal para buscar uma solução para a situação financeira de Minas.