Gloria Steinem, ícone do feminismo e do jornalismo, morre aos 92 anos

Ativista norte-americana ajudou a transformar a luta por igualdade de gênero e direitos reprodutivos e foi uma das fundadoras da revista Ms.
Redação NC News
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Gloria Steinem, uma das principais vozes do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos. A escritora, jornalista e ativista faleceu na quarta-feira (2), em sua casa, em Nova York, cercada por familiares, amigos e pessoas próximas.

A confirmação foi feita pela fundação que leva seu nome. A causa da morte não foi divulgada.

Ao longo de mais de cinco décadas, Steinem se tornou uma das figuras mais conhecidas na luta pelos direitos das mulheres. Seu trabalho passou pelo jornalismo, pela organização política e pela defesa de pautas como igualdade salarial, direitos reprodutivos e combate à discriminação de gênero.

Do jornalismo à liderança feminista

Nascida em 25 de março de 1934, em Toledo, no estado de Ohio, Gloria Steinem teve uma infância difícil e só passou a frequentar a escola em período integral aos 12 anos.

Depois de se formar na universidade, no fim dos anos 1950, ela viajou para a Índia com uma bolsa de pesquisa. Durante os dois anos em que permaneceu no país, participou de trabalhos comunitários e acompanhou a organização de mulheres em protestos não violentos.

A experiência ajudou a despertar seu interesse pelo ativismo de base.

No início dos anos 1960, Steinem se mudou para Nova York e começou a trabalhar como jornalista freelancer. Sua carreira ganhou projeção nacional em 1963, quando publicou uma reportagem investigativa sobre as condições de trabalho das mulheres que atuavam como coelhinhas da Playboy.

Steinem trabalhou disfarçada de coelhinha da Playboy para denunciar as condições abusivas de trabalho | Foto: Reprodução

Ms. virou símbolo da luta por direitos das mulheres

Steinem se tornou colunista da New York Magazine e, posteriormente, ajudou a criar a revista Ms., lançada em 1972.

A publicação se tornou uma referência para o movimento feminista ao tratar de assuntos que ultrapassavam os tradicionais conteúdos destinados às mulheres, abordando discriminação, violência doméstica, direitos reprodutivos e desigualdade no mercado de trabalho.

A revista também abriu espaço para diferentes vozes femininas e ajudou a transformar a maneira como questões relacionadas às mulheres eram discutidas na imprensa americana.

Gloria Steinem sobre sua revista “Ms. Magazine” | Foto: Reprodução
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Aborto foi uma das principais bandeiras

A defesa dos direitos reprodutivos esteve entre as principais causas de Steinem. Aos 22 anos, ela passou por um aborto ilegal em Londres, experiência que posteriormente influenciou sua atuação pública.

Steinem comemorou a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1973 no caso Roe v. Wade, que reconheceu naquele momento o direito constitucional ao aborto no país.

Décadas depois, ela também acompanhou a reversão dessa decisão pela própria Suprema Corte, em 2022, quando os ministros derrubaram o precedente estabelecido quase 50 anos antes.

A ativista também defendeu a igualdade de direitos para pessoas LGBTQIA+, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, igualdade salarial e outras pautas relacionadas à proteção de grupos vulneráveis.

Ativismo chegou à política e às organizações sociais

Além do trabalho jornalístico, Steinem ajudou a criar organizações voltadas à participação política e à defesa dos direitos das mulheres.

Em 1972, participou da fundação do National Women’s Political Caucus, organização dedicada a ampliar a presença feminina na política dos Estados Unidos. Também esteve ligada à criação da Women’s Action Alliance e, posteriormente, do Women’s Media Center.

Outra iniciativa associada ao movimento liderado por Steinem foi o Take Our Daughters to Work Day, criado para estimular oportunidades profissionais para meninas e combater estereótipos de gênero.

Women’s Media Center | Foto: Reprodução

Medalha da Liberdade reconheceu trajetória

O trabalho de Gloria Steinem ultrapassou as fronteiras do movimento feminista americano e fez dela uma referência internacional na defesa da igualdade.

Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu a ela a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos.

Steinem também publicou livros e autobiografias e teve sua história adaptada para o cinema e a televisão. Em 2020, sua trajetória foi retratada no filme “As Vidas de Gloria”, baseado em sua autobiografia My Life on the Road.

Homenagens destacam influência de Steinem

A morte provocou uma série de homenagens nesta quinta-feira (3). Entre as personalidades que lembraram a ativista está Meghan Markle, que descreveu Steinem como amiga e mentora.

Markle publicou fotos das duas juntas e destacou a influência que recebeu da jornalista. Segundo a duquesa de Sussex, Steinem também teve participação próxima em momentos de sua vida pessoal e chegou a passar o Dia de Ação de Graças com sua família.

Hillary Clinton também prestou homenagem à ativista. A ex-secretária de Estado afirmou que Steinem foi “uma das arquitetas de toda a estrutura da igualdade das mulheres” e destacou o otimismo que, segundo ela, guiava o ativismo da amiga.

Gloria Steinem e Angela Davids, ícones do feminismo americano | Foto: Reprodução

Últimos anos foram dedicados à escrita e à comunidade

Mesmo em idade avançada, Steinem continuou envolvida com escrita e organização comunitária.

Nos últimos anos, sua casa em Nova York se tornou um espaço para encontros e conversas sobre justiça social. A fundação afirmou que ela manteve os chamados “Talking Circles”, reuniões baseadas na escuta e no diálogo, até o fim da vida.

Um novo livro de memórias, “An Unexpected Life”, está previsto para ser publicado em 22 de setembro, poucos dias depois de sua morte. A obra percorre diferentes momentos de sua trajetória pessoal e profissional.

A fundação informou que a casa e os arquivos de Steinem continuarão sendo preservados como espaço de organização e mobilização feminista.

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Entenda o contexto

Gloria Steinem foi uma das figuras mais importantes da chamada segunda onda do feminismo, movimento que ganhou força nos Estados Unidos e em outros países principalmente entre as décadas de 1960 e 1970.

Sua atuação combinou jornalismo, produção literária, mobilização política e organização social. Ao lado de outras lideranças, ajudou a colocar temas como igualdade de gênero, direitos reprodutivos, violência contra as mulheres e discriminação no mercado de trabalho no centro do debate público.

A criação da revista Ms. foi uma das marcas mais importantes de sua carreira, enquanto sua atuação política contribuiu para ampliar a participação feminina nos Estados Unidos. Steinem recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 2013 e permaneceu ativa até os últimos anos de vida. Ela morreu em 2 de setembro de 2026, aos 92 anos, em Nova York.

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