A PKL One, responsável pelo Credcesta e ligada ao grupo do Banco Master, movimentava cerca de R$ 25 milhões por mês em empréstimos consignados de servidores públicos do estado de São Paulo, segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A empresa permaneceu habilitada por mais de três anos durante a atual gestão, apesar de ter sido credenciada originalmente em maio de 2022, antes da posse de Tarcísio.
O caso ganhou atenção após Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, afirmar em uma proposta de delação premiada que doações eleitorais feitas em 2022 estariam relacionadas a um suposto acordo para garantir a continuidade do Credcesta em São Paulo. Tarcísio e Gilberto Kassab negam qualquer irregularidade, e as propostas de colaboração de Vorcaro foram rejeitadas pela PF e pela PGR por falta de fatos novos e elementos de corroboração.
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Entenda o que aconteceu
A PKL One foi habilitada em maio de 2022, ainda na gestão anterior à de Tarcísio. O credenciamento permitia que a empresa oferecesse operações consignadas aos servidores estaduais. Tarcísio assumiu o Palácio dos Bandeirantes em janeiro de 2023 e afirma que a permanência da instituição no sistema não dependia de uma decisão pessoal do governador.
Embora tenha sido credenciada antes da atual administração, a PKL passou pelos procedimentos periódicos de recadastramento durante o governo Tarcísio. A empresa apareceu no cronograma de 2023 e voltou a ser incluída no processo em 2025.
Operação movimentava R$ 25 milhões por mês
Tarcísio afirmou nesta sexta-feira (4) que a operação do Credcesta movimentava aproximadamente R$ 25 milhões mensais entre servidores estaduais.
Segundo o governador, esse volume correspondia a aproximadamente 3% a 4% do mercado de consignados do estado, embora a participação da empresa já tenha chegado a 5%. O Banco do Brasil, por comparação apresentada pelo governador, concentra quase 52% desse mercado.
Tarcísio argumentou ainda que o estado não contrata essas empresas diretamente. As instituições são habilitadas e cabe ao próprio servidor escolher com qual delas deseja contratar o empréstimo.
Empresa passou por recadastramentos na atual gestão
Em julho de 2023, o Departamento de Despesa de Pessoal determinou o recadastramento das entidades consignatárias. A PKL estava prevista para passar pelo procedimento em novembro daquele ano.
Um novo cronograma foi posteriormente estabelecido, e a empresa voltou a aparecer entre as consignatárias estaduais no processo realizado em 2025.
Pelas regras estaduais, instituições que não cumprem as exigências de recadastramento, deixam de apresentar os documentos necessários ou deixam de atender às condições de habilitação podem sofrer penalidades.
Credcesta só foi suspenso em fevereiro de 2026
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
O código de desconto utilizado pela PKL no sistema paulista foi suspenso com efeitos a partir de 19 de fevereiro de 2026, cerca de três meses depois. O despacho determinando a suspensão foi publicado em março.
Tarcísio afirmou que a empresa foi retirada do sistema quando perdeu as condições para operar após os problemas envolvendo o Banco Master. A suspensão impediu novas contratações, mas não encerrou descontos relativos a empréstimos já contratados, que continuaram válidos.
Tarcísio nega favorecimento ao Credcesta
O governador rejeita qualquer relação entre a permanência do Credcesta e as doações eleitorais recebidas em 2022.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro naquele ano. As doações foram oficiais. A alegação de Vorcaro é que esses valores teriam servido como contrapartida em um suposto acordo para garantir a continuidade da operação do Credcesta.
Tarcísio nega conhecer Vorcaro ou Zettel e sustenta que não houve favorecimento. O governador também argumenta que seria ilógico associar uma doação à habilitação de uma empresa que já estava credenciada antes de ele assumir o cargo.
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Kassab também rejeita relato de Vorcaro
Na versão apresentada por Vorcaro, o suposto acerto teria envolvido Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo de Tarcísio.
Kassab nega ter negociado doações com Vorcaro ou tratado do Credcesta com ele. O dirigente classificou o relato como fantasioso e defendeu que as acusações sejam apuradas.
É importante destacar que a versão de Vorcaro não está comprovada. Suas propostas de delação foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de elementos novos e de corroboração.
Entenda o contexto
O Credcesta começou a operar entre servidores paulistas antes da atual administração estadual. A controvérsia agora não está concentrada em quem concedeu o credenciamento inicial, mas na alegação de Vorcaro de que teria existido um acordo para garantir a continuidade do negócio após a mudança de governo.
Os dados conhecidos mostram que a empresa permaneceu habilitada durante a gestão Tarcísio, participou de processos de recadastramento e chegou a movimentar R$ 25 milhões por mês, segundo o próprio governador. Esses fatos, isoladamente, não comprovam a acusação de pagamento de propina feita por Vorcaro. Tarcísio e Kassab negam as acusações.
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