Minas Gerais já teve cerca de 82 mil hectares atingidos pelo fogo em 2026, em meio ao período de maior preocupação com incêndios florestais. Além do impacto ambiental, os números mostram o tamanho do desafio para identificar e responsabilizar quem provoca queimadas de forma criminosa.
Desde 2021, mais de 5 mil inquéritos relacionados a incêndios foram abertos pela Polícia Civil de Minas Gerais, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4). O cenário mobiliza forças de segurança e órgãos ambientais, principalmente durante os meses de estiagem, quando baixa umidade, vegetação seca e altas temperaturas facilitam a propagação das chamas.
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Entenda o que aconteceu
O levantamento divulgado pelo g1 mostra que os incêndios já atingiram 82 mil hectares em Minas Gerais somente neste ano. A dimensão da área queimada reforça a preocupação das autoridades durante a temporada de seca, quando as ocorrências tendem a se intensificar.
O problema, porém, não se limita ao combate às chamas. Depois que o incêndio é controlado, começa outra etapa: descobrir como o fogo começou e se houve ação criminosa. Dados oficiais de anos anteriores já mostravam uma intensificação desse trabalho investigativo no estado. Em 2024, por exemplo, o governo mineiro informou que a Polícia Civil havia concluído centenas de procedimentos relacionados especificamente ao crime de provocar incêndio em mata ou floresta.
Mais de 5 mil inquéritos foram abertos desde 2021
O volume de investigações acumulado nos últimos anos ajuda a dimensionar a recorrência dos incêndios. Desde 2021, foram mais de 5 mil inquéritos abertos para apurar ocorrências relacionadas ao fogo em Minas.
As investigações buscam identificar as circunstâncias de cada ocorrência e eventuais responsáveis. Nem todo incêndio em vegetação, entretanto, significa automaticamente que houve crime: é necessário apurar a origem e as circunstâncias do fogo antes de atribuir responsabilidade.
Incêndio criminoso pode levar à prisão
Provocar incêndio em mata ou floresta é crime previsto na legislação ambiental brasileira. A pena prevista pode chegar a dois a quatro anos de reclusão, além de multa.
O trabalho envolve diferentes órgãos. A Polícia Civil atua na investigação, enquanto Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e instituições ambientais participam de ações de prevenção, fiscalização, combate e responsabilização.
Período de seca aumenta preocupação
A época mais seca do ano coloca Minas em estado de maior atenção. Baixa umidade, altas temperaturas e vegetação ressecada criam condições favoráveis para que um foco relativamente pequeno se espalhe rapidamente.
A experiência dos últimos anos mostra a dimensão do problema. Em 2024, Minas já havia ultrapassado, ainda em setembro, o número de ocorrências de incêndios em vegetação registrado durante todo o ano de 2021. Naquele momento, mais de 24 mil ocorrências haviam sido atendidas pelos bombeiros.
Ação humana está entre as principais causas
Um dos maiores desafios é impedir que novos focos sejam provocados. O governo mineiro já destacou que a ação humana está relacionada à maior parte dos incêndios, seja de maneira criminosa ou por práticas que acabam permitindo que as chamas saiam do controle.
Por isso, as ações não se concentram apenas na resposta emergencial. Fiscalizações, campanhas educativas, monitoramento e investigações fazem parte da estratégia utilizada para tentar reduzir as ocorrências.
Veja tabém:
Minas mantém força-tarefa contra incêndios
O estado conta com a Força-Tarefa Previncêndio, que reúne instituições ambientais, forças de segurança e órgãos de proteção e defesa civil.
A estrutura envolve Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil, Instituto Estadual de Florestas, órgãos ambientais estaduais, Ibama e ICMBio, entre outras instituições. O objetivo é integrar prevenção, monitoramento e resposta aos incêndios.
Em situações de incêndio, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193. Denúncias de possíveis ações criminosas podem ser feitas pelo 190 ou 181.
Entenda o contexto
Incêndios florestais podem provocar consequências que vão muito além da vegetação destruída. Dependendo da área atingida, o fogo ameaça animais, cursos d’água, unidades de conservação, propriedades rurais e comunidades próximas.
Os 82 mil hectares queimados em 2026 mostram que o problema continua relevante em Minas. Paralelamente ao combate às chamas, o volume superior a 5 mil inquéritos abertos desde 2021 evidencia outra frente do trabalho: descobrir quando houve crime e buscar a responsabilização dos envolvidos.
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