Empresa de delator de Vorcaro repassou R$ 620 mil a firma apontada como de fachada pelo MP

Transferência da Entre Investimentos para a Quimicolor aparece em denúncia da Operação Carbono Oculto; empresa é investigada por participação em esquema de desvio de metanol
Redação NC News
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A empresa Entre Investimentos, ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, repassou R$ 620 mil para a Quimicolor, empresa apontada pelo Ministério Público de São Paulo como uma estrutura de fachada usada em um esquema envolvendo desvio de metanol e adulteração de combustíveis.

A movimentação financeira aparece em uma denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Carbono Oculto. Os dados foram identificados após a quebra do sigilo bancário de contas da Quimicolor.

Freixo é delator do caso Banco Master e fechou um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no qual afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para gerar dinheiro em espécie destinado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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Repasse de R$ 620 mil entrou na mira do MP

Segundo o Ministério Público, os R$ 620 mil transferidos pela Entre Investimentos aparecem entre os recursos que passaram pela conta da Quimicolor.

A empresa teria movimentado aproximadamente R$ 25,8 milhões por meio de uma conta mantida na BK Instituição de Pagamento, instituição que também aparece nas investigações da Operação Carbono Oculto.

Para os promotores, a Quimicolor fazia parte da estrutura utilizada para esconder os verdadeiros compradores do metanol que posteriormente era desviado para outros locais.

A denúncia, porém, não estabelece que os R$ 620 mil tenham relação direta com o esquema descrito por Freixo em sua delação. A peça também não aponta quem teria solicitado o pagamento ou qual operação comercial justificaria especificamente a transferência.

Quimicolor é apontada como empresa de fachada

A Quimicolor tinha sede formal em Atílio Vivácqua, no Espírito Santo, mas, segundo o Gaeco, os responsáveis registrados oficialmente pela empresa não tinham perfil financeiro ou empresarial compatível com as movimentações milionárias.

Um dos sócios trabalhava como operador de máquinas, enquanto o outro tinha histórico profissional ligado a serviços gerais e manutenção.

Para os investigadores, os dois seriam “laranjas” utilizados para ocultar os verdadeiros responsáveis pela estrutura.

A empresa encerrou as atividades em 2025.

Metanol era comprado e desviado

De acordo com a investigação, a Quimicolor chegou a adquirir formalmente 1,87 milhão de litros de metanol em agosto de 2023.

O produto era comprado de empresas químicas e, segundo o MP, não era entregue no endereço oficial da Quimicolor.

As cargas seriam desviadas para postos de combustíveis principalmente na Grande São Paulo, onde o metanol era incorporado irregularmente à gasolina e ao etanol.

A denúncia aponta que a empresa funcionava, dessa maneira, como uma camada para dificultar a identificação de quem realmente comprava e recebia o produto.

Delator diz ter movimentado R$ 1,3 bilhão

Antônio Carlos Freixo Júnior ganhou destaque nas investigações do Banco Master depois de fechar um acordo de colaboração com a PGR.

Em seus depoimentos, ele afirmou ter movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para gerar dinheiro em espécie destinado a Daniel Vorcaro.

Segundo o relato, os valores eram entregues em dinheiro vivo ao próprio Vorcaro, ao cunhado dele, Fabiano Zettel, ou a motoristas ligados aos dois.

Freixo afirmou que as entregas envolviam malas com valores de aproximadamente R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão.

Transferência não coloca Freixo como denunciado no caso do metanol

Apesar de a Entre Investimentos aparecer na movimentação financeira investigada pelo Gaeco, Freixo e a empresa não foram denunciados na ação penal relacionada à fraude do metanol.

O MP também não afirmou que o repasse de R$ 620 mil tenha sido feito para financiar a adulteração de combustíveis.

A diferença é importante porque a transferência aparece em uma investigação mais ampla, mas não existe, segundo a denúncia citada, um vínculo direto entre esse pagamento específico e as operações narradas por Freixo em sua colaboração com a PGR.

Investigação envolve uma rede maior

A Operação Carbono Oculto investiga uma estrutura criminosa que teria atuado no setor de combustíveis por meio de empresas, movimentações financeiras e operações destinadas a ocultar a origem dos recursos.

Entre os investigados estão empresários apontados pelo MP como integrantes de diferentes núcleos da organização.

A apuração também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, adulteração de combustíveis e desvio de metanol.

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Entenda O Contexto

O repasse de R$ 620 mil chama atenção porque conecta financeiramente uma empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Banco Master, a uma companhia que o Ministério Público aponta como parte de uma estrutura de fachada utilizada na fraude com metanol. No entanto, a existência da transferência não significa, por si só, que Freixo tenha participado do esquema investigado na Operação Carbono Oculto. A denúncia do Gaeco não estabelece relação direta entre esse pagamento específico e os fatos narrados pelo empresário em sua delação sobre a geração de dinheiro em espécie para Daniel Vorcaro. O caso agora reúne diferentes linhas de investigação que envolvem o setor financeiro, empresas de combustíveis e movimentações consideradas suspeitas pelas autoridades.

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