Soja dispara e produtor brasileiro já vende quase 30% da safra 2026/27

Com preços acima de R$ 150 por saca nos portos, comercialização antecipada supera média histórica e ritmo do ciclo anterior
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O mercado da soja brasileira está mais aquecido e já mudou o ritmo de comercialização da próxima safra. Dados da SAFRAS & Mercado mostram que 29,1% da produção estimada para a temporada 2026/27 já foi negociada até 4 de setembro.

Em volume, são cerca de 52,42 milhões de toneladas comprometidas de uma produção projetada em 180,08 milhões de toneladas. O percentual está bem acima dos 20,2% registrados no mesmo período da safra 2025/26 e também supera a média de 22,7% das últimas cinco temporadas.

VEJA TAMBÉM

Drones e inteligência artificial transformam trilhas da castanha em mapa digital para extrativistas na Amazônia

Entenda O Que Está Movendo O Mercado

A aceleração das vendas ocorre em um momento de maior valorização da soja no mercado internacional. A movimentação em Chicago, combinada ao câmbio e às incertezas econômicas e geopolíticas, abriu oportunidades mais interessantes para os produtores brasileiros.

Na última sexta-feira (4), o contrato de soja para novembro terminou em US$ 12,93 por bushel, enquanto o vencimento de março chegou a US$ 13,30, acumulando alta de 1,8% na semana.

Com esse cenário, os preços nos portos brasileiros terminaram a semana acima de R$ 150 por saca para a safra nova.

Mato Grosso Lidera As Vendas Antecipadas

Entre os principais estados produtores, Mato Grosso aparece com um dos maiores níveis de comercialização da safra futura.

O estado já comprometeu 41% da produção esperada, o equivalente a mais de 20,5 milhões de toneladas. O movimento ocorre justamente às vésperas do avanço do plantio, que ganha força com o encerramento do vazio sanitário em 6 de setembro.

No Matopiba, a comercialização também avança rapidamente. O Tocantins já vendeu 42% da produção projetada, enquanto Piauí e Maranhão registram 36% e 35%, respectivamente.

Sul Mantém Ritmo Mais Cauteloso

A situação é diferente no Sul do país. As incertezas relacionadas ao clima fazem com que muitos produtores aguardem o desenvolvimento das lavouras antes de comprometer uma parcela maior da produção.

No Rio Grande do Sul, apenas 15% da safra 2026/27 foi comercializada até agora. Em Santa Catarina, o índice chega a 16%.

A diferença mostra como a estratégia de comercialização varia de acordo com as condições regionais e o nível de segurança que o produtor possui sobre a futura produtividade.

Analista Recomenda Aproveitar Preços, Mas Com Cautela

Para Rafael Silveira, analista da SAFRAS & Mercado, o momento apresenta oportunidades interessantes para o produtor, principalmente para quem precisa garantir parte dos custos de produção.

Ao mesmo tempo, ele recomenda cautela para evitar que uma quantidade excessiva da safra seja comprometida antes de haver maior clareza sobre a produtividade.

A avaliação é que Chicago ainda pode buscar níveis mais altos, dependendo do tamanho da safra norte-americana e, posteriormente, do comportamento da produção na América do Sul.

O analista também considera possível que os portos brasileiros alcancem R$ 170 por saca, caso a oferta fique mais apertada. O comportamento do El Niño será um dos fatores importantes para definir esse cenário.

Safra 2025/26 Também Está Na Reta Final

Enquanto a nova safra avança nas vendas antecipadas, a comercialização da soja 2025/26 também está próxima do fim.

Segundo a SAFRAS & Mercado, 88,7% da produção nacional do ciclo já havia sido negociada até setembro. Isso representa 158,16 milhões de toneladas de uma produção estimada em 178,34 milhões de toneladas.

O percentual também supera o resultado do mesmo período do ano passado, de 84,1%, e a média das últimas cinco safras, de 86,4%.

Nos portos, a soja disponível encerrou a semana com preços acima de R$ 160 por saca.

O Que O Produtor Deve Observar Agora

O avanço das vendas mostra que muitos produtores estão aproveitando a atual janela de preços para garantir parte da rentabilidade da próxima safra.

Mas o cenário ainda pode mudar. O tamanho da produção dos Estados Unidos, a demanda internacional, o câmbio, as cotações em Chicago e principalmente as condições climáticas no Brasil serão determinantes para os próximos meses.

Por isso, a estratégia tende a ser de equilíbrio: aproveitar os preços atuais para proteger parte da produção, sem comprometer volumes excessivos antes de conhecer o potencial real da lavoura.

LEIA TAMBÉM

UE suspende entrada de produtos de origem animal do Brasil; setor cobra solução para preservar mercado europeu

Entenda O Contexto

A comercialização antecipada da soja ganhou força no Brasil em um momento de valorização das commodities e maior atenção dos mercados às condições de oferta e demanda global. Para a safra 2026/27, os produtores já venderam 29,1% da produção projetada, percentual acima tanto do ciclo anterior quanto da média histórica.

O movimento é mais intenso em estados como Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Maranhão, enquanto produtores do Sul mantêm uma postura mais cautelosa por causa das incertezas climáticas. Ao mesmo tempo, a safra 2025/26 está próxima de ter toda a produção negociada. O cenário coloca o produtor diante de uma decisão importante: aproveitar as atuais cotações para garantir parte da receita ou esperar novas altas, assumindo também o risco de uma eventual queda dos preços.

A evolução do clima, especialmente com a influência do El Niño, será decisiva para definir os próximos movimentos do mercado.

AS MAIS LIDAS

Nikolas nega proximidade com Vorcaro e ironiza Moraes após vazamento de áudios

Cachoeira mais alta de MG é reaberta após interdição por risco e novas medidas de segurança

PRF intercepta transporte irregular de pescado e cumpre mandado de prisão na BR-210 no Amapá

Carregar Comentários