O advogado José Mauro de Farias Jr., ex-secretário de Transformação Digital do governo do Rio de Janeiro, comprou cerca de R$ 9 milhões em imóveis entre fevereiro e outubro de 2025, meses depois de deixar a administração estadual. Entre as propriedades está a cobertura na Barra da Tijuca onde mora o ex-governador Cláudio Castro (PL).
Farias foi um dos alvos da Operação Sem Refino, deflagrada em agosto com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal investiga supostos benefícios concedidos ao ex-governador por meio de terceiros e cita a cobertura como parte de uma apuração sobre possível ocultação de vantagens ilícitas. As defesas de Farias e Castro negam irregularidades.
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Entenda O Que Aconteceu
Os registros de cartórios analisados na investigação apontam que Farias ampliou o patrimônio imobiliário em aproximadamente R$ 8,8 milhões depois de adquirir a cobertura utilizada por Castro.
A cobertura, localizada na Barra da Tijuca, foi comprada pelo ex-secretário em outubro de 2023 por R$ 3,4 milhões, quando ele ainda ocupava o cargo no governo estadual. Farias permaneceu como secretário de Transformação Digital até dezembro de 2024.
As novas aquisições ocorreram ao longo de oito meses de 2025 e foram realizadas por meio de uma rede de empresas abertas pelo advogado.
Cobertura É Usada Por Cláudio Castro
O imóvel que chamou a atenção dos investigadores é justamente a cobertura onde Cláudio Castro mora.
Segundo a defesa de Farias, o imóvel foi adquirido como “investimento imobiliário” e o uso de empresas na operação seria uma estrutura comum de planejamento patrimonial.
O advogado também afirmou ao STF que alugou a cobertura para Castro por R$ 10 mil mensais, atribuindo o negócio à relação de amizade existente entre ele, o ex-governador e a família. A defesa sustenta que o aluguel não pode ser interpretado como indício de contrapartida ilícita.

Ex-Secretário Abriu Dez Empresas
Outro ponto levantado pela reportagem é a criação de uma rede de empresas associadas a Farias.
Nos últimos anos, o advogado abriu ao menos dez empresas seguindo um padrão semelhante: os nomes utilizam a letra “J”, inicial de seu primeiro nome, acompanhada de uma sequência numérica. Parte dessas empresas foi utilizada nas operações imobiliárias identificadas nos registros.
Farias afirma que construiu seu patrimônio ao longo de aproximadamente 30 anos e que seus rendimentos, participações societárias e bens foram devidamente declarados à Receita Federal.
Ele também afirma que, além da cobertura ocupada por Castro, nenhuma das propriedades mencionadas foi ou é utilizada por integrantes do governo.
Contratos Com Campos De Futebol
Antes de deixar o governo, Farias também tinha participação em negócios envolvendo reformas de campos de futebol.
A empresa Eagle Sports Empreendimentos, da qual ele é sócio, participou de contratos que somaram cerca de R$ 18,4 milhões entre 2020 e 2023.
Segundo a apuração, os projetos eram financiados por empresas patrocinadoras de eventos esportivos como forma de contrapartida para obtenção de benefícios fiscais previstos na Lei de Incentivo ao Esporte. O mecanismo dependia de aprovação do governo estadual.
Em um dos casos, documentos indicam que a Secretaria estadual de Esportes definiu a reforma de um campo em Nova Iguaçu como contrapartida de um projeto e recusou orçamento apresentado por outra empresa, autorizando a execução pela Eagle Sports.
Farias nega irregularidades e afirma que os contratos eram realizados entre empresas privadas, com serviços prestados a preços de mercado e entregas concluídas.
Investigação Também Mira Cláudio Castro
A Operação Sem Refino investiga suspeitas de que o empresário Ricardo Magro, ligado à Refit, teria concedido benefícios a Cláudio Castro por meio de terceiros.
Os investigadores apuram se pagamentos atribuídos ao empresário poderiam ter funcionado como contrapartidas ilícitas por decisões do governo estadual favoráveis à empresa.
Magro está foragido da Justiça, e a Refit teve a falência decretada. Farias aparece entre os alvos da operação, enquanto as defesas negam qualquer irregularidade.
A investigação ainda está em andamento, e os fatos apurados pela PF não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.
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Entenda O Contexto
José Mauro de Farias Jr. ocupou a Secretaria de Transformação Digital do governo de Cláudio Castro entre 2020 e dezembro de 2024. Depois de deixar o cargo, passou a adquirir uma série de imóveis, somando cerca de R$ 9 milhões em compras entre fevereiro e outubro de 2025. Uma das propriedades é a cobertura na Barra da Tijuca onde Castro mora.
O imóvel é citado pela Polícia Federal em uma investigação sobre possíveis benefícios ilícitos envolvendo o ex-governador e o empresário Ricardo Magro, ligado à Refit. Farias afirma que as aquisições fazem parte de seu planejamento patrimonial e que todos os bens foram declarados.
Castro também nega participação em qualquer esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros. A investigação segue em andamento.
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