Um fenômeno natural transforma a paisagem da Praia de Barra Grande, em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. Durante a maré baixa, uma extensa faixa de areia aparece cercada pelo mar e permite que visitantes caminhem em direção ao oceano.
Conhecido como Caminho de Moisés, o banco de areia tem entre dois e três quilômetros de extensão. Poucas horas depois, com a subida da maré, o caminho volta a ficar coberto pela água. O acesso fica em uma praia pública e é gratuito.
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Entenda o que aconteceu
Apesar do nome e da aparência curiosa, o mar não está realmente “se abrindo”. A explicação está na combinação entre um banco de areia, os recifes, a ação das ondas e a variação das marés.
O banco de areia permanece no local mesmo quando não pode ser visto. Na maré alta, ele fica submerso. Conforme o nível da água diminui, a areia aparece gradualmente e forma o corredor que deu origem ao apelido de Caminho de Moisés.
Por que o fenômeno acontece
Segundo o professor de geografia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Bruno Ferreira, especialista em geomorfologia costeira, a formação é tecnicamente uma barra arenosa.
Os recifes encontrados no Litoral Norte de Alagoas ajudam no processo porque reduzem a força das ondas. Com menos energia na água, sedimentos conseguem se acumular, formando barras de areia que avançam da praia em direção ao mar.
Lua influencia o Caminho de Moisés
A Lua também tem papel importante no espetáculo. Os melhores períodos para observar toda a extensão da faixa de areia são as chamadas marés de sizígia, associadas às fases de lua nova e lua cheia.
Nesses períodos, a diferença entre maré alta e baixa é maior. O nível da água pode chegar próximo de zero, deixando uma parcela maior do banco de areia exposta por mais tempo.
Nos quartos crescente e minguante, a variação é menor e parte da faixa pode permanecer debaixo d’água.
É preciso consultar a tábua de marés
Quem pretende conhecer o Caminho de Moisés precisa se planejar. A recomendação é consultar previamente a tábua de marés e dar preferência aos dias em que a maré baixa esteja entre 0,0 e 0,2 metro.
Também é importante controlar o horário de retorno. A orientação é começar a voltar no máximo uma hora e meia depois do ponto de maré baixa, já que a água pode cobrir primeiro a área próxima à praia e interromper o caminho de volta.
Nome faz referência à passagem bíblica
O apelido faz referência ao relato bíblico da travessia do Mar Vermelho, quando Moisés ergue o cajado e as águas se abrem para a passagem do povo.
Segundo a guia de turismo Juliana Alves, que trabalha na região há 27 anos, a denominação ganhou força durante a pandemia de Covid-19 e se popularizou entre pescadores, moradores e profissionais do turismo.
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Fenômeno pode mudar ao longo do tempo
Apesar de parecer uma formação permanente, o banco de areia está em constante transformação. Ondas, correntes marítimas e ventos movimentam os sedimentos e podem alterar o formato da faixa em períodos relativamente curtos.
A visitação intensa sem controle, intervenções no litoral e alterações em áreas responsáveis pelo transporte de sedimentos também podem afetar o equilíbrio da formação. Por isso, especialistas destacam a importância da preservação ambiental para manter o atrativo.
Entenda o contexto
Maragogi é conhecida pelas águas claras, recifes e piscinas naturais. Na Praia de Barra Grande, essas características naturais ajudam a criar um dos cenários mais curiosos do litoral alagoano.
O Caminho de Moisés não aparece da mesma maneira todos os dias. A visibilidade depende principalmente da altura da maré, e as melhores condições costumam ocorrer quando ela está próxima de zero.
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