Crise no STF se agrava, e Fachin espera explicações de Moraes e Mendonça antes de decidir próximos passos

Presidente da Corte deu cinco dias úteis para ministros e outras autoridades se manifestarem sobre o caso envolvendo Banco Master, Daniel Vorcaro e relatório da Polícia Federal
Redação NC News
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A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (7). O presidente da Corte, Edson Fachin, aguarda as explicações dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça antes de decidir quais serão os próximos passos diante do conflito que envolve o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e informações produzidas pela Polícia Federal.

Além dos dois ministros, Fachin também solicitou esclarecimentos ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O prazo estabelecido é de cinco dias úteis, contado a partir da quinta-feira (3), quando o presidente do STF abriu formalmente o procedimento.

A intenção é reunir informações sobre diferentes pontos levantados no caso antes de qualquer decisão da Corte.

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O que Fachin quer esclarecer

Fachin busca entender as circunstâncias envolvendo a atuação de Mendonça na investigação relacionada ao Banco Master e os questionamentos feitos posteriormente por Moraes.

Entre os pontos analisados está a forma como informações e documentos foram obtidos e utilizados durante a investigação, além das circunstâncias que levaram Mendonça a determinar diligências envolvendo autoridades com foro no Supremo.

O presidente da Corte também quer esclarecimentos sobre o cumprimento das regras que envolvem investigações de autoridades submetidas à jurisdição do STF.

A preocupação é evitar que uma eventual análise do caso aconteça sem que os envolvidos tenham oportunidade de apresentar suas versões. Fachin afirmou que o procedimento deve respeitar o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.

Como a crise começou

O conflito ganhou força depois que informações extraídas de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master, passaram a envolver diretamente o nome de Alexandre de Moraes.

Segundo o material analisado pela Polícia Federal, Vorcaro manteve conversas com um número atribuído ao ministro. Em uma das mensagens, enviada pouco antes de sua prisão, o banqueiro perguntou se deveria deixar o país.

O conteúdo chamou a atenção porque Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um jato particular.

A investigação também identificou informações relacionadas a contratos do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. A defesa do escritório afirma que os serviços foram efetivamente prestados e que a banca nunca atuou para o banco em processos no Supremo.

As mensagens, por si só, não comprovam que Moraes tenha cometido irregularidades. O que está em discussão é justamente se houve alguma conduta que precise ser formalmente investigada.

Mendonça reagiu e levou o caso ao plenário

André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF, determinou a produção de diligências que acabaram levando à identificação das mensagens.

A medida provocou reação de Moraes. O ministro apresentou a Fachin um pedido para que a atuação de Mendonça fosse apurada, apontando possíveis crimes e irregularidades na condução das investigações.

Moraes também questionou a forma como informações sigilosas foram utilizadas e alegou que Mendonça teria ultrapassado limites de sua atuação como relator.

O caso ganhou ainda mais força no domingo (6), quando Mendonça liberou para julgamento no plenário do STF o procedimento relacionado a Moraes. A decisão deixou nas mãos de Fachin a definição sobre quando o assunto será efetivamente analisado pelos demais ministros.

PGR questiona atuação de Mendonça

Outro ponto central da crise envolve a posição do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A PGR questionou a validade de determinadas diligências determinadas por Mendonça e argumentou que uma investigação contra um ministro do Supremo exigiria procedimentos específicos.

Na avaliação apresentada pela Procuradoria, a determinação para que a Polícia Federal investigasse determinadas pessoas sem uma provocação formal do Ministério Público poderia ultrapassar os limites de atuação do magistrado durante a fase pré-processual.

Mendonça, por sua vez, confirmou que ouviu Daniel Vorcaro em seu próprio gabinete. Segundo a equipe do ministro, o encontro ocorreu depois de o banqueiro relatar que estaria sofrendo intimidações e pedir para ser ouvido com urgência. Um representante do Ministério Público teria acompanhado o depoimento.

Fachin tenta evitar que a disputa saia do controle

O presidente do STF passou a ocupar uma posição central na crise porque precisa analisar acusações que envolvem dois ministros da própria Corte.

A estratégia adotada até agora é reunir informações antes de permitir que o plenário tome qualquer decisão. Com isso, Fachin evita antecipar uma posição sobre as acusações e cria um procedimento formal para que cada autoridade envolvida apresente seus esclarecimentos.

O prazo de cinco dias úteis termina na sexta-feira (11). A partir daí, Fachin terá de avaliar as informações recebidas e decidir quais medidas serão tomadas.

O movimento acontece justamente quando a crise já ganhou dimensão política. A disputa entre Moraes e Mendonça passou a ser explorada por grupos políticos e ocorre às vésperas dos atos de 7 de Setembro, aumentando a pressão sobre o Supremo.

O que pode acontecer agora

Uma das possibilidades é Fachin encaminhar o caso para análise do plenário do STF. Outra é determinar novas providências antes de levar o assunto aos demais ministros.

Também será necessário avaliar separadamente as acusações feitas por Moraes contra Mendonça e os questionamentos levantados a partir das mensagens atribuídas a Moraes.

O fato de o caso chegar ao plenário não significa, por si só, que qualquer ministro tenha sido considerado culpado de irregularidade. O julgamento deverá justamente definir quais questões podem ser analisadas pela Corte e se existem elementos suficientes para medidas posteriores.

A decisão de Fachin será, portanto, fundamental para determinar o rumo da maior crise interna enfrentada pelo Supremo nos últimos meses.

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Entenda O Contexto

A crise envolve uma disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça que se intensificou a partir das investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas pela Polícia Federal colocaram Moraes no centro dos questionamentos, enquanto a forma de atuação de Mendonça na investigação também passou a ser contestada pela Procuradoria-Geral da República.

Diante do conflito entre integrantes da própria Corte, Edson Fachin decidiu reunir explicações de Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues antes de definir os próximos passos. O caso ainda está em fase de análise e, até o momento, as acusações e questionamentos apresentados não equivalem a uma conclusão de responsabilidade ou culpa contra qualquer dos envolvidos.

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