A Avenida Paulista foi tomada nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil, por apoiadores do bolsonarismo em uma manifestação que combinou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e articulação política para as eleições de 2026.
O ato teve como principal nome o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, que subiu ao trio elétrico acompanhado de lideranças da direita, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o pastor Silas Malafaia e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
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A manifestação começou com uma oração conduzida pela bispa Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Na sequência, diferentes representantes da direita discursaram no trio elétrico, em uma programação que também abriu espaço para candidatos ao Senado e outros nomes ligados ao campo conservador.
O ato teve como principais alvos políticos o governo Lula e Alexandre de Moraes. Parte dos manifestantes levou cartazes e bandeiras com críticas ao presidente e ao ministro do STF, enquanto também houve manifestações de apoio ao ministro André Mendonça.
Mendonça foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente é relator dos processos relacionados ao Banco Master. Durante o ato, integrantes do grupo bolsonarista defenderam a atuação do ministro e tentaram mobilizar a militância em torno de seu nome.
Flávio Bolsonaro transforma ato em palanque eleitoral
Último a discursar, Flávio Bolsonaro abriu sua fala com os gritos de “fora, Moraes” e “fora, Lula”. O senador também apresentou uma das principais mensagens políticas do evento ao falar sobre uma eventual composição do Supremo em um futuro governo.
Flávio afirmou que, se for eleito presidente, pretende indicar cinco ministros para o STF. Segundo ele, a mudança ocorreria em razão da saída de ministros que atingirão a idade de aposentadoria compulsória até 2030, além da vaga que permanece aberta.
A fala reforçou o caráter eleitoral da manifestação. Além dos ataques ao governo e ao Supremo, o discurso buscou apresentar ao público uma agenda para um eventual governo de Flávio e mobilizar a militância para a disputa presidencial.
Tarcísio cobra resposta do Supremo, mas evita ataques diretos
Tarcísio de Freitas adotou uma postura diferente da observada em manifestações anteriores. O governador de São Paulo cobrou uma resposta institucional do Supremo Tribunal Federal diante das controvérsias envolvendo Alexandre de Moraes, mas evitou fazer ataques pessoais ao ministro.
Durante o discurso, Tarcísio afirmou que o STF precisa se unir para apurar os fatos e dar uma resposta à sociedade. O governador também disse que ninguém está acima da lei, incluindo banqueiros e magistrados.
A postura chamou atenção porque, no ato de 7 de Setembro de 2025, Tarcísio havia adotado um tom mais duro contra Moraes. Desta vez, o discurso foi considerado mais moderado em relação ao ministro.
Nikolas Ferreira mira Moraes e Alcolumbre
Nikolas Ferreira também direcionou parte de sua fala ao Supremo e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O deputado afirmou que não estava no ato para pedir vingança contra ministros, mas defendeu pressão política para que os pedidos de impeachment contra Moraes sejam analisados pelo Senado.
Nikolas ainda anunciou a intenção de realizar uma manifestação no Amapá, em frente à residência de Alcolumbre, para pressionar o presidente da Casa.
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Silas Malafaia pede fortalecimento das instituições
O pastor Silas Malafaia também fez críticas a Alexandre de Moraes. Durante o discurso, chamou o ministro de “ditador da toga” e mencionou as mensagens que vieram a público no contexto do caso envolvendo o Banco Master.
Apesar das críticas, Malafaia afirmou que o movimento não deveria defender a desmoralização do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, instituições fortes são necessárias para a democracia e a República.
O pastor também pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que afaste Moraes.
Direita defende “Senado forte”
A eleição para o Senado apareceu como um dos principais pontos estratégicos dos discursos.
Lideranças presentes na manifestação defenderam a eleição de senadores alinhados à direita como forma de ampliar a força política do grupo no Congresso Nacional. Entre as pautas citadas está a análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Tarcísio também reforçou a necessidade de eleger um Senado alinhado ao campo político da direita.
Mulheres abriram a programação
A abertura do ato teve participação de mulheres ligadas ao campo político e religioso.
A bispa Sônia Hernandes conduziu uma oração do Pai Nosso e fez uma manifestação religiosa antes dos discursos políticos. Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado, falou na sequência e defendeu a atuação de André Mendonça no Supremo.
A economista Daniella Marques, que chegou a ser cotada para ocupar a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro, também participou da programação inicial.
Público chegou a 28,5 mil pessoas
A manifestação reuniu cerca de 28,5 mil pessoas no pico, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.
O levantamento foi realizado a partir de imagens aéreas analisadas por software de inteligência artificial e considera uma margem de erro de 12%.
O pico de público ocorreu por volta das 16h32.
O número ficou abaixo do registrado no ato de 7 de Setembro do ano passado, quando a mesma metodologia apontou mais de 42,2 mil participantes.
Ato teve diferentes nomes da direita
Além de Flávio Bolsonaro, Tarcísio, Ricardo Nunes, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia, participaram da manifestação o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e candidatos ao Senado, como André do Prado, Guilherme Derrite e Gustavo Gayer.
Também estiveram presentes candidatos a governos estaduais, entre eles Sergio Moro e Douglas Ruas.
A presença de diferentes grupos da direita reforçou o caráter de articulação política do evento em um momento de preparação para as eleições de 2026.
Entenda o contexto
A manifestação ocorreu em um momento de intensificação da disputa política com a aproximação das eleições de 2026. Flávio Bolsonaro tenta consolidar seu nome como representante do campo bolsonarista na corrida presidencial, enquanto outras lideranças da direita também se movimentam para definir candidaturas e alianças.
O ato na Paulista serviu, portanto, para além das críticas ao governo Lula e ao STF. A mobilização também funcionou como demonstração de força política, reunindo lideranças, pré-candidatos e militantes em uma das principais avenidas do país.
A defesa de um Senado mais alinhado à direita foi outro elemento central. A estratégia busca ampliar a capacidade do grupo de avançar em pautas consideradas prioritárias, especialmente aquelas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal.
No palco e nas ruas, o 7 de Setembro combinou mobilização política, críticas às instituições e preparação para uma disputa eleitoral que já começou a ganhar espaço no debate nacional.
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