Paysandu e Brusque abrem hoje, às 18h, no Mangueirão, em Belém, o grupo B do quadrangular do acesso da Série C do Campeonato Brasileiro. O duelo coloca frente a frente o sétimo e o segundo colocados da primeira fase, em um jogo que já pode direcionar a corrida pela vaga na Série B.
O confronto reúne um Paysandu pressionado pela própria história recente e pelo peso da arquibancada e um Brusque que tenta transformar frustração em combustível. Em uma fase curta, com apenas seis rodadas, cada ponto pesa no orçamento, na gestão esportiva e no humor das torcidas.
Paysandu aposta em Ítalo e mantém estrutura em meio à pressão
O Paysandu chega ao quadrangular sob cobrança após perder em casa para o Maringá por 1 a 0 na rodada final da primeira fase, resultado que empurrou o time para o sétimo lugar entre os oito classificados. Mesmo assim, o clube tenta usar a própria trajetória como escudo psicológico. Internamente, a referência é clara: “O time se inspira no feito alcançado em 2023, quando terminou na mesma posição, mas conquistou o sonhado acesso para a Série B”.
Júnior Rocha preserva a espinha dorsal que o trouxe até aqui. O treinador mantém o trio de meias formado por Pedro Henrique, Caio Mello e Marcinho, responsável por dar volume de jogo e aproximar a bola de Ítalo. No ataque, o camisa 9 é o principal trunfo ofensivo. “O atacante Ítalo é o artilheiro do time na temporada, com 17 gols, sete deles na Série C, número que o coloca no topo da artilharia da competição nacional”, reforça a comissão técnica nos bastidores.
Na zaga, a tendência é a manutenção da dupla que atuou contra o Maringá, mesmo com Bruno Bispo disponível. O setor defensivo vira ponto de atenção pela instabilidade recente e pelo nível de exigência que o quadrangular impõe. Na lateral esquerda, o cenário ainda é aberto. Dentro do clube, a avaliação é direta: “A principal dúvida fica na lateral-esquerda, com possível estreia de Renan Castro”. Bonifazi, Matheus Vargas e Ryan Vieira seguem fora por lesão, o que reduz a margem para mudanças ao longo da partida.
Brusque muda peças, tenta virar a chave e mira retorno à Série B
O Brusque chega mais alto na tabela, classificado em segundo lugar após empate por 2 a 2 com o Guarani fora de casa, mas carrega o peso de ter ficado perto do acesso na temporada passada. A missão agora é transformar a boa campanha inicial em consistência em jogos de decisão, algo que faltou recentemente.
Higo Magalhães se apoia em um elenco reforçado nas últimas semanas. “O técnico Higo Magalhães ganhou opções na reta final da primeira fase, com nomes recém chegados assumindo protagonismo”, diz a análise interna do departamento de futebol. O treinador deve mexer no time titular para acomodar quem chegou bem e quem volta de suspensão.
A ausência mais sentida é a de Alex Paulino, suspenso, o que mexe na estrutura defensiva e na saída de bola pelo lado direito. Em compensação, Gazão e JP Martins retornam após cumprirem suspensão na rodada anterior e tendem a reforçar o meio-campo, setor chave para controlar o ritmo fora de casa. Héber e Alisson Cassiano, lesionados, seguem no departamento médico e limitam as alternativas de Higo no miolo de zaga e no ataque.
O Brusque entra no Mangueirão com a missão dupla de segurar a pressão inicial do Paysandu, empurrado pela torcida, e explorar os espaços que o time da casa costuma deixar quando se lança ao ataque. O desenho de jogo promete um visitante pronto para contra-atacar e um mandante que precisa justificar o favoritismo pelo cenário e pela camisa.
VAR em campo, Mangueirão cheio e jogo com peso financeiro e esportivo
A arbitragem fica a cargo de Pierry Dias dos Santos, do Rio de Janeiro, acompanhado pelos assistentes Raphael Carlos de Almeida Tavares dos Reis e Marcelo Araujo Ossimo, além do quarto árbitro Wanbelton Lisboa Valente, do Pará. O vídeo entra em ação com Alexandre Vargas Tavares de Jesus no comando do VAR, recurso que pode ser decisivo em um confronto equilibrado e de alta tensão.
O gramado do Mangueirão segue em uso, apesar de plano inicial de reforma. A direção do estádio adia a intervenção por causa de compromissos do time profissional e das categorias de base, o que mantém o palco disponível para a fase decisiva da Série C. Para o Paysandu, isso significa preservar o ambiente em que a equipe se sente mais confortável; para o Brusque, o desafio de atuar em um estádio grande, com pressão acústica e clima úmido.
As arquibancadas tendem a responder ao peso do jogo. A torcida bicolor, que demonstrou irritação após a derrota para o Maringá, vai medir cada passe e cada dividida. Uma vitória hoje reequilibra o ambiente, fortalece o projeto esportivo e torna mais tranquila a gestão financeira, atrelada ao sonho de voltar à Série B. Um tropeço, em casa, na estreia, acende o alerta.
O Brusque enxerga na partida a chance de começar o quadrangular com vantagem sobre um rival direto. Em um grupo curto, abrir três pontos fora de casa significa ganhar gordura para administrar tropeços mais adiante. O clube também projeta o acesso como peça central do orçamento, pela maior cota de televisão e pela exposição na segunda divisão nacional.
A partida tem transmissão ao vivo pela SportyNet, o que amplia a audiência para além de Belém e Brusque e aumenta a pressão sobre jogadores e comissão técnica. O acompanhamento em tempo real nas plataformas digitais alimenta o debate durante o jogo, cada lance revisto e discutido, cada decisão de arbitragem avaliada sob o filtro do VAR.
O que se desenha para as próximas semanas é um quadrangular em que detalhes definem destinos. O desempenho de Ítalo, possível estreia de Renan Castro, adaptação dos reforços do Brusque e a forma como os dois técnicos leem o jogo ao longo dos 90 minutos podem pesar tanto quanto qualquer número na tabela. O apito inicial hoje, às 18h, não decide o acesso, mas começa a separar quem está pronto para a Série B de quem ainda precisa esperar mais um ano.