Quando se fala em esquerda, é comum que o debate político seja imediatamente associado a partidos, governos ou nomes conhecidos da política. Mas o conceito é mais amplo e envolve diferentes ideias sobre economia, sociedade, direitos e o papel do Estado.
Depois de explicar o que é ser de direita, o NC News continua a série que apresenta, de forma didática, os principais campos e conceitos da política. Neste capítulo, o foco é entender o que significa ser de esquerda, como esse pensamento surgiu e quais são as posições geralmente relacionadas a ele.
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Entenda o que aconteceu
A divisão entre direita e esquerda tem origem na Revolução Francesa, no final do século XVIII. A expressão passou a ser usada para diferenciar grupos políticos de acordo com a posição que ocupavam no Parlamento francês.
Com o passar do tempo, os termos ganharam novos significados e passaram a representar diferentes visões sobre a organização da sociedade e da economia. A esquerda, de maneira geral, passou a ser associada à defesa de maior igualdade social e econômica e à redução das desigualdades.
No Brasil, essas ideias começaram a ganhar força principalmente entre o final do século XIX e o início do século XX, com a circulação de pensamentos socialistas, anarquistas e comunistas entre trabalhadores, sindicatos e movimentos operários.
A formação da esquerda brasileira
Um dos principais marcos da história da esquerda brasileira ocorreu em 1922, com a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Ao longo do século XX, diferentes movimentos e organizações passaram a defender propostas relacionadas aos trabalhadores, à distribuição de renda, aos direitos sociais e à participação do Estado na economia.
O processo de redemocratização também marcou uma nova etapa. Em 1980, foi fundado o Partido dos Trabalhadores (PT), que se tornou uma das principais forças políticas identificadas com a esquerda brasileira.
Quais são as principais ideias associadas à esquerda?
Embora não exista uma definição única capaz de representar todas as correntes de esquerda, algumas ideias aparecem com frequência nesse campo político.
Entre elas estão a redução das desigualdades sociais e econômicas, a ampliação de direitos sociais, a proteção dos trabalhadores, o fortalecimento de políticas públicas e uma maior participação do Estado na economia.
Isso pode aparecer, por exemplo, em propostas de ampliação de programas sociais, aumento da proteção trabalhista, investimento público em áreas como saúde e educação e políticas voltadas à distribuição de renda.
Mas defender uma dessas ideias, isoladamente, não significa necessariamente que uma pessoa seja de esquerda.
Não existe uma única esquerda
Assim como acontece com a direita, a esquerda reúne diferentes correntes de pensamento.
A social-democracia, o socialismo e o comunismo, por exemplo, possuem diferenças importantes sobre o funcionamento da economia, o papel do Estado, a propriedade privada e a organização da sociedade.
Por isso, duas pessoas que se identificam com a esquerda podem defender propostas bastante diferentes.
No Brasil, partidos como PT, PSOL, PCdoB, PSB e PDT são frequentemente associados ao campo da esquerda, embora classificações partidárias possam variar conforme o período analisado e o critério utilizado.
Ser de esquerda significa ser contra a iniciativa privada?
Não necessariamente.
A defesa de políticas sociais ou de uma maior atuação do Estado não significa, por si só, oposição à iniciativa privada.
Existem correntes de esquerda que defendem a manutenção de uma economia de mercado combinada com políticas públicas e mecanismos de proteção social. Outras correntes defendem mudanças mais profundas na organização econômica e na propriedade dos meios de produção.
É justamente essa diversidade que torna insuficiente classificar uma pessoa apenas a partir de uma única opinião.
Esquerda também mudou ao longo do tempo
As ideias associadas à esquerda não permaneceram iguais desde o surgimento do conceito.
Ao longo dos séculos XIX, XX e XXI, diferentes movimentos incorporaram novas pautas e modificaram suas prioridades. Além das questões econômicas e trabalhistas, temas relacionados a direitos civis, igualdade, meio ambiente e inclusão passaram a ocupar espaço importante em diferentes correntes.
Por isso, falar em esquerda exige considerar o momento histórico, o país e a corrente política analisada.
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Onde entra o eleitor que não se identifica totalmente com a esquerda?
A identificação política nem sempre acontece de maneira completa.
Uma pessoa pode defender determinadas propostas tradicionalmente associadas à esquerda e, ao mesmo tempo, concordar com posições mais comuns em outros campos políticos.
É por isso que, além da divisão entre esquerda e direita, existe também o centro político, que reúne diferentes posições e pode variar de acordo com o tema analisado.
O objetivo da série NC News Explica
A proposta da série é apresentar conceitos políticos de maneira acessível, mostrando de onde vieram essas classificações e quais são as principais ideias associadas a cada campo.
Depois de explicar a direita e, agora, a esquerda, a série segue para outros conceitos importantes para entender o debate político brasileiro.
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