Direita, esquerda ou centro? No debate político, essas classificações são usadas para identificar diferentes posições sobre economia, sociedade, direitos e o papel do Estado. Mas nem sempre uma pessoa concorda integralmente com apenas um desses campos.
Depois de explicar o que é ser de direita e o que é ser de esquerda, o NC News continua a série que apresenta, de forma simples e didática, conceitos importantes para entender a política. Desta vez, o foco está no centro político: de onde vem essa classificação, quais posições costumam estar associadas a ela e por que o centro não significa simplesmente “ficar em cima do muro”.
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Entenda o que significa ser de centro
No espectro político, o centro costuma representar posições que não se identificam integralmente com os polos da direita ou da esquerda. Isso não significa, necessariamente, ausência de posicionamento.
Na prática, uma pessoa pode defender ideias tradicionalmente associadas à direita em determinado assunto e concordar com propostas mais próximas da esquerda em outro.
É possível, por exemplo, defender a iniciativa privada e a responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, apoiar políticas públicas de redução das desigualdades e programas sociais.
Por isso, o centro pode reunir diferentes visões políticas e não corresponde a uma ideologia única.
Como surgiu a ideia de centro político?
A classificação entre direita, esquerda e centro foi sendo construída ao longo da história a partir das disputas políticas e das diferentes posições existentes dentro dos parlamentos e das sociedades.
Enquanto direita e esquerda passaram a representar campos políticos mais identificados com determinadas ideias, o centro passou a ser utilizado para descrever posições intermediárias ou que buscavam combinar elementos de diferentes correntes.
Essa posição, porém, não é necessariamente a mesma em todos os países ou períodos históricos.
O centro na política brasileira
No Brasil, diferentes partidos e grupos políticos já foram associados ao centro em momentos distintos da história.
Um exemplo histórico é o Partido Social Democrático (PSD), fundado em 1945, que teve papel importante durante a República de 1946.
Outro caso é o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), criado em 1966, durante o período de bipartidarismo da ditadura militar. A legenda reuniu diferentes setores da oposição ao regime.
Ao longo das décadas, o posicionamento dos partidos brasileiros também mudou, fazendo com que as classificações variassem de acordo com o período e o critério utilizado.
Quais ideias costumam aparecer no centro?
Não existe uma lista definitiva de ideias que determine quem é ou não de centro.
Ainda assim, posições de centro podem combinar elementos de diferentes campos políticos. Entre elas estão a defesa de responsabilidade fiscal, economia de mercado, políticas sociais, instituições democráticas e atuação do Estado em determinadas áreas.
Essa combinação pode variar bastante.
Um eleitor pode defender uma maior participação do Estado na saúde e na educação, por exemplo, mas ser favorável à iniciativa privada em outros setores da economia.
Da mesma forma, pode defender programas de transferência de renda e, ao mesmo tempo, defender regras de controle dos gastos públicos.
Centro não significa ficar em cima do muro
Uma das principais confusões sobre o centro político é associá-lo à falta de posicionamento.
Mas estar no centro não significa concordar com todos os lados ou evitar opiniões sobre temas controversos.
A pessoa pode ter posições bastante definidas, mas não se identificar completamente com as propostas tradicionalmente associadas à direita ou à esquerda.
O centro também pode representar uma escolha política por negociação, moderação e construção de consensos, embora isso varie de acordo com o partido, o político ou o eleitor.
É possível ser de centro em um tema e de direita ou esquerda em outro?
Sim. As pessoas não necessariamente possuem posições políticas perfeitamente alinhadas dentro de um único campo.
Um eleitor pode ser mais próximo da esquerda quando o assunto é política social, mais próximo da direita em questões econômicas e adotar uma posição diferente em temas relacionados a costumes.
Por isso, a identificação política pode ser mais complexa do que simplesmente escolher um ponto fixo entre esquerda e direita.
Quais partidos são considerados de centro?
Essa é uma das classificações mais difíceis de estabelecer de maneira definitiva.
Partidos como MDB, PSD e Podemos aparecem em diferentes estudos e análises próximos do centro ou do centro-direita. Mas a posição de uma legenda pode mudar conforme o período analisado, suas alianças, seus integrantes e as posições adotadas em cada votação.
Por isso, não existe uma classificação universal e permanente dos partidos brasileiros.
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Por que o centro ganha importância nas eleições?
Em períodos eleitorais, o centro pode se tornar um espaço importante de disputa porque reúne eleitores que não se identificam completamente com os polos políticos.
Partidos e candidatos também podem tentar ocupar esse espaço ao apresentar propostas que buscam dialogar com diferentes grupos do eleitorado.
Na prática, porém, a posição de um candidato não deve ser definida apenas pelo discurso de campanha. É preciso observar suas propostas, alianças, votações e decisões ao longo do tempo.
O centro é sempre uma posição moderada?
Não necessariamente.
“Centro” é uma classificação relativa dentro de determinado espectro político. Uma posição considerada de centro em um país ou período pode ser vista de maneira diferente em outro contexto.
Além disso, um partido pode ocupar uma posição próxima ao centro em determinadas questões e assumir posições mais próximas da direita ou da esquerda em outras.
Por isso, entender o centro exige analisar o contexto, o tema e o momento político.
O que a série NC News Explica quer mostrar?
A proposta da série é ajudar o público a compreender conceitos políticos que aparecem diariamente no noticiário, sem reduzir o debate a rótulos.
Nos capítulos anteriores, o NC News explicou as principais ideias associadas à direita e à esquerda. Agora, o centro entra nessa mesma discussão para mostrar que a política também pode reunir posições intermediárias e combinações diferentes de ideias.
E entender essas diferenças é importante para acompanhar o debate político com mais informação e menos simplificação.
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