Dinheiro esquecido: R$ 5,64 bi ainda aguardam resgate

Banco Central aponta bilhões em recursos não resgatados por milhões de brasileiros e empresas, com parte sob investigação do TCU.
Redação NC News
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O Banco Central informa que R$ 5,64 bilhões em dinheiro esquecido seguem disponíveis para resgate no Sistema de Valores a Receber, alcançando 23,6 milhões de pessoas físicas e 2,2 milhões de empresas. A cifra expõe o volume de recursos parados em bancos e outras instituições financeiras enquanto o governo utiliza parte desse estoque para bancar o programa Desenrola 2.0, hoje sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Bilhões parados e pressão sobre o orçamento

Os valores correspondem a recursos deixados para trás em contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas de crédito, consórcios finalizados e outras operações. Do total ainda disponível, R$ 4,24 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 1,4 bilhão a empresas, todos passíveis de devolução mediante consulta no site oficial do Banco Central.

O estoque atual faz parte de um universo maior já identificado pelo órgão. Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, o BC devolve mais de R$ 16 bilhões aos titulares, em um montante total de cerca de R$ 21,8 bilhões mapeados ao longo do tempo. Só em julho, R$ 323 milhões saem das instituições financeiras e retornam a contas de clientes.

Os números revelam também um quadro de valores pulverizados. A maior parte dos beneficiários tem pouco a receber: 69,45% das pessoas e empresas enquadradas aparecem com saldos entre R$ 0,01 e R$ 10. Apenas 2,22% contam com mais de R$ 1 mil à espera de resgate, o que reduz o impacto individual, mas mantém relevância macroeconômica pelo volume agregado.

Desenrola 2.0 e questionamentos do TCU

O quadro de recursos esquecidos muda quando o governo decide usar parte desse dinheiro para viabilizar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. Em maio, cerca de R$ 5,7 bilhões são transferidos para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que oferece garantias às instituições financeiras e cobre calotes de tomadores de crédito enquadrados no programa.

Na ocasião, o governo justifica a operação como forma de sustentar o financiamento do Desenrola 2.0 sem pressionar ainda mais o orçamento da União. Em nota, o Poder Executivo afirma que “os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]”.

A engenharia contábil, porém, acende o alerta do TCU. Técnicos do tribunal analisam se o uso de dinheiro que não passa formalmente pelo Orçamento Geral da União dribla, na prática, o limite de gastos. As regras atuais impedem que a despesa pública cresça acima de um teto anual, o que obriga o governo a bloquear outras verbas quando quer abrir espaço para novos programas.

O aporte dos R$ 5,7 bilhões ao FGO, fora do orçamento tradicional, evita um bloqueio equivalente em outras áreas e preserva espaço para despesas discricionárias de ministérios. A manobra, por outro lado, pode fatiar ainda mais a transparência sobre a origem e o destino do dinheiro público, justamente o ponto central da apuração em curso no TCU.

Onde está o dinheiro esquecido

Os R$ 5,64 bilhões ainda disponíveis se concentram em diferentes segmentos do sistema financeiro. Administradoras de consórcios respondem por R$ 1,96 bilhão em recursos esquecidos, enquanto cooperativas de crédito concentram R$ 762,7 milhões. O restante se espalha por bancos comerciais, instituições de pagamento, financeiras, corretoras e outras operações.

Na prática, as instituições são obrigadas a manter recursos suficientes para cobrir pedidos de resgate, mesmo após a transferência de parte do dinheiro ao FGO. O governo garante que uma fatia de 10% do saldo transferido permanece segregada justamente para atender correntistas e ex-clientes que decidam reaver os valores esquecidos, mas o desenho ainda desperta dúvidas entre especialistas em finanças públicas.

O impacto para as famílias e empresas é direto. Em meio a um ambiente econômico apertado, qualquer valor devolvido alivia orçamentos domésticos e caixas corporativos. Os recursos recuperados podem ir para o consumo, para o pagamento de dívidas ou para recomposição de reservas, ajudando a girar a economia sem que o dinheiro precise sair do Tesouro.

Como consultar e risco de golpes

O caminho oficial para localizar o dinheiro esquecido é o site valoresareceber.bcb.gov.br. Na primeira consulta, basta informar CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura, para saber se há valores em nome da pessoa ou da empresa. O sistema permite também a busca em nome de pessoas falecidas.

Para entrar com o pedido de devolução, o usuário precisa acessar o sistema com conta Gov.br de nível prata ou ouro, além de habilitar a verificação em duas etapas. Em seguida, informa uma chave Pix para receber o depósito automático. Quem não tem Pix deve contatar diretamente a instituição financeira indicada no próprio sistema e combinar outra forma de pagamento.

Nos casos de pessoas falecidas, o acesso é restrito a herdeiros, inventariantes, testamentários ou representantes legais. O sistema exige o preenchimento de um termo de responsabilidade, e cada instituição pode solicitar documentação adicional antes de liberar o dinheiro.

O Banco Central insiste na necessidade de atenção contra golpes. Em comunicado, o órgão reforça que “o serviço é gratuito e não envia links nem entra em contato para confirmar dados pessoais. A orientação é utilizar exclusivamente o endereço oficial do sistema”. Somente a instituição financeira indicada no próprio Valores a Receber pode procurar o cliente para tratar da devolução.

A tendência, nos próximos meses, é de ampliação gradual do uso do sistema, com avanço do resgate automático para quem possui conta Gov.br validada e chave Pix cadastrada. Ao mesmo tempo, o governo e o Banco Central aguardam o desfecho da análise do TCU sobre o uso dos recursos no Desenrola 2.0, tema que pode render novas regras para a gestão de valores esquecidos e maior controle sobre operações fora do orçamento.

Como consultar os valores a receber pelo CPF no site do Banco Central?

Para consultar valores a receber pelo CPF, o usuário acessa o site oficial valoresareceber.bcb.gov.br, informa CPF e data de nascimento na tela inicial, verifica se há dinheiro em seu nome e, se houver, faz login com conta Gov.br nível prata ou ouro para visualizar o valor e solicitar a devolução.

Quem tem direito ao dinheiro esquecido nos bancos segundo o Banco Central?

Têm direito ao dinheiro esquecido os titulares de contas e contratos com saldos remanescentes em bancos, cooperativas, administradoras de consórcios e outras instituições financeiras, além de herdeiros, inventariantes, testamentários ou representantes legais de pessoas falecidas, desde que comprovem o vínculo e sigam o procedimento indicado no próprio Sistema de Valores a Receber.

Como resgatar o dinheiro esquecido que soma R$ 5,64 bilhões?

Para resgatar parte dos R$ 5,64 bilhões esquecidos, a pessoa ou empresa consulta o site valoresareceber.bcb.gov.br, confirma a existência de saldo, entra com conta Gov.br nível prata ou ouro, informa uma chave Pix para depósito ou combina o pagamento diretamente com a instituição financeira indicada, seguindo as orientações específicas de cada caso.

O que fazer para receber os valores esquecidos em bancos pelo Banco Central?

Para receber valores esquecidos em bancos, o titular primeiro verifica no sistema Valores a Receber se há recursos em seu CPF ou CNPJ, depois acessa o serviço com conta Gov.br adequada, registra uma chave Pix para devolução automática ou entra em contato com a instituição listada, mantendo atenção a golpes e usando apenas o site oficial do Banco Central.

Quais são os critérios para ter valores a receber pelo Banco Central?

Os critérios para ter valores a receber incluem ter deixado recursos em contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas de crédito, consórcios concluídos ou outras operações não resgatadas, sempre em instituições reguladas pelo Banco Central, que repassam essas sobras para o Sistema de Valores a Receber quando o cliente não as retira espontaneamente.

Como funciona a consulta pública dos valores a receber no site do Banco Central?

A consulta pública dos valores a receber funciona em duas etapas: primeiro o cidadão ou empresa acessa valoresareceber.bcb.gov.br e informa CPF ou CNPJ para saber se tem dinheiro esquecido; depois, caso haja saldo, realiza login com conta Gov.br, confirma os dados, escolhe a forma de devolução e acompanha o pagamento diretamente com a instituição financeira responsável.


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