Drones viram rota do crime para levar drogas, celulares e até picanha com açaí a presídio no Amapá

Em oito meses, 12 drones foram interceptados sobre o Iapen; investigação aponta uso de equipamentos sofisticados para entregar celulares, drogas, armas e outros produtos a detentos
Redação NC News
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O espaço aéreo sobre o sistema penitenciário virou uma nova frente de batalha contra o crime organizado no Amapá. Facções criminosas passaram a utilizar drones para tentar levar drogas, celulares, carregadores e outros objetos para dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).

A criatividade dos criminosos chegou a situações inusitadas. Em uma das ocorrências, os equipamentos foram usados para tentar entregar picanha, açaí e até uísque aos presos.

Nos últimos oito meses, 12 drones foram interceptados enquanto sobrevoavam a unidade prisional. Entre janeiro e agosto, foram registradas 21 ocorrências que resultaram na apreensão de drogas, armas e equipamentos eletrônicos.

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Picanha, açaí e uísque também foram encontrados

Em uma das tentativas identificadas pelas equipes de segurança, os criminosos utilizaram drones para transportar alimentos e bebidas para dentro do presídio.

A carga incluía picanha, açaí e cerca de 500 mililitros de uísque. A carne estava embalada em plástico e as bebidas foram acondicionadas em garrafas.

O episódio chama atenção porque demonstra que os equipamentos não são utilizados apenas para transportar produtos de alto valor ou itens diretamente relacionados a crimes.

A estratégia permite que praticamente qualquer objeto de pequeno porte seja levado para dentro da unidade sem passar pelos procedimentos tradicionais de revista.

Celulares podem chegar a R$ 10 mil dentro do presídio

Entre os principais alvos dos criminosos estão os aparelhos eletrônicos.

Segundo o diretor-presidente do Iapen, Emerson Nascimento, um celular pode chegar a R$ 10 mil dentro da unidade prisional, justamente por causa da dificuldade de entrada desses equipamentos.

Os criminosos também tentam entregar smartwatches e carregadores, inclusive modelos por indução.

A apreensão realizada entre janeiro e agosto contabilizou:

  • 22 relógios inteligentes;
  • 11 celulares;
  • 11 chips de telefonia;
  • 21 carregadores por indução;
  • 12 carregadores de parede.

Os números mostram que o objetivo do esquema não é apenas colocar telefones dentro do presídio, mas criar uma estrutura para manter os detentos conectados ao lado de fora.

Drones chegam a 200 metros de altura

Um dos maiores desafios para as equipes de segurança é a dificuldade de identificar os equipamentos visualmente.

Segundo o Iapen, alguns drones utilizados nas tentativas conseguem voar a aproximadamente 200 metros de altura, tornando-se praticamente imperceptíveis para quem está no solo.

Os aparelhos também podem produzir pouco ruído e permanecer fora do campo de visão dos policiais penais.

Para aumentar a capacidade de transporte, os criminosos modificam os equipamentos com lançadores e dispositivos semelhantes a garras, capazes de carregar e liberar objetos durante o voo.

A estratégia permite que a carga seja solta diretamente dentro da área do presídio.

Tecnologia é usada para combater tecnologia

Para enfrentar o problema, o sistema penitenciário criou uma estrutura especializada de monitoramento.

A Divisão Especializada em Operações com Drone (DEOD) utiliza tecnologia para detectar e acompanhar os equipamentos que se aproximam da unidade.

A lógica é utilizar os mesmos recursos tecnológicos empregados pelos criminosos para tentar impedir a entrada dos materiais.

O trabalho inclui patrulhamento e monitoramento do espaço aéreo próximo ao presídio.

Polícia já identificou uma rede de distribuição

Em maio, após aproximadamente dois meses de investigação, uma ação integrada identificou um veículo que transportava materiais que seriam entregues no Iapen.

Segundo a polícia, quatro drones e equipamentos utilizados para lançar objetos foram encontrados.

Quatro pessoas foram presas durante a investigação.

As autoridades apontaram que os envolvidos fariam parte de uma rede organizada de distribuição. Cada integrante teria uma função específica para garantir que os equipamentos chegassem até o presídio.

A investigação também indicou que os drones eram adquiridos fora do estado e posteriormente utilizados para transportar os materiais.

Drone já levou pistola e faca para dentro do presídio

Em outra ocorrência recente, um drone conseguiu lançar dois pacotes dentro da Penitenciária Masculina do Amapá.

Dentro das embalagens estavam uma pistola, uma faca artesanal, dois smartwatches, uma capa de celular, cinco pacotes de fumo e quatro embalagens de chiclete.

O caso mostra que o método pode representar um risco direto para a segurança dos agentes penitenciários e dos próprios detentos.

A entrada de armas por meio de drones também aumenta a preocupação das autoridades com possíveis rebeliões, confrontos e fortalecimento das facções dentro das unidades.

Drones seriam responsáveis por grande parte dos ilícitos

O problema ganhou proporções maiores ao longo dos últimos anos.

Em maio, durante a 11ª fase da Operação Mute, o Iapen informou que os drones estavam relacionados a aproximadamente 80% da entrada de ilícitos na unidade.

A informação ajuda a explicar por que o sistema penitenciário passou a tratar o espaço aéreo como uma das principais vulnerabilidades da segurança.

Com as barreiras tradicionais cada vez mais reforçadas, criminosos passaram a buscar alternativas para manter o fluxo de produtos para dentro das unidades.

Separação de líderes também virou estratégia

Além do monitoramento dos drones, o Iapen adotou outra medida para tentar reduzir a atuação das organizações criminosas.

Parte das lideranças foi transferida para a Unidade de Segurança Máxima José Eder, com o objetivo de dificultar a comunicação e a organização de crimes a partir do sistema penitenciário.

Investigações indicam que integrantes de organizações criminosas continuam comandando atividades do lado de fora mesmo estando presos.

Entre os crimes que podem receber ordens de dentro das unidades estão golpes virtuais e outras ações coordenadas por meio de celulares.

Crime tenta driblar novas barreiras

O avanço dos drones demonstra uma mudança no funcionamento da logística criminosa dentro dos presídios.

Quando mecanismos tradicionais de fiscalização são reforçados, as organizações procuram novas formas de transportar os produtos sem passar pelas entradas convencionais.

No Amapá, os equipamentos passaram a ser uma alternativa para transportar cargas diretamente pelo ar.

A resposta das autoridades envolve monitoramento tecnológico, interceptação dos drones, investigação das redes responsáveis pela operação e separação de lideranças criminosas.

O que acontece agora?

O Iapen mantém equipes especializadas para monitorar o espaço aéreo e identificar novas tentativas de entrega.

As investigações também buscam descobrir quem financia a compra dos equipamentos, quem opera os drones e quais presos recebem os materiais.

O objetivo é atingir toda a cadeia do esquema, desde a aquisição do equipamento até o destinatário final dentro da penitenciária.

A expectativa das autoridades é que a combinação de tecnologia, investigação e isolamento das lideranças reduza a entrada de ilícitos.

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Entenda O Contexto

O uso de drones para abastecer presídios representa uma mudança importante na estratégia das organizações criminosas. Em vez de depender apenas de pessoas tentando entrar com materiais escondidos ou de objetos lançados por cima dos muros, os grupos passaram a explorar o espaço aéreo para transportar cargas diretamente para dentro das unidades.

No Amapá, o Iapen identificou 12 drones sobrevoando a unidade nos últimos oito meses e registrou 21 ocorrências entre janeiro e agosto envolvendo drogas, armas e equipamentos eletrônicos. Os casos incluem desde celulares e carregadores até uma pistola e uma faca artesanal. Em uma situação mais incomum, criminosos tentaram entregar picanha, açaí e uísque aos presos.

A resposta das autoridades passou a envolver uma unidade especializada em operações com drones, capaz de localizar os equipamentos à distância, além de medidas para separar lideranças criminosas e reduzir a comunicação entre presos e integrantes das facções do lado de fora.

O combate ao problema agora depende não apenas de revistas e segurança nos portões, mas também do controle do espaço aéreo e da investigação das redes responsáveis por financiar e operar os equipamentos.

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