Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista na Amazônia, morre aos 74 anos

Professora emérita da UFPA foi uma das fundadoras do Cedenpa e dedicou décadas à defesa da população negra e das comunidades quilombolas.
Redação NC News
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Morreu na última terça-feira (8), aos 74 anos, em Belém, a professora, pesquisadora, escritora, atriz e ativista Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da luta antirracista na Amazônia. Ao longo de décadas, ela atuou na defesa dos direitos da população negra e quilombola e ajudou a transformar o debate sobre igualdade racial no Pará.

Professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), Zélia também foi vice-reitora da instituição e uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa). Sua trajetória reuniu educação, cultura, produção acadêmica e militância contra o racismo.

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Entenda o que aconteceu

Zélia Amador de Deus morreu em Belém depois de mais de cinco décadas de atuação acadêmica, cultural e política. A UFPA decretou luto oficial de três dias em homenagem à professora, que ocupava a função de superintendente de Políticas Afirmativas e Diversidade da instituição.

O Ministério da Igualdade Racial também publicou uma nota de pesar e destacou a trajetória de Zélia na defesa da população negra, das comunidades quilombolas, das ações afirmativas e da educação.

Trajetória começou na UFPA

Zélia ingressou no curso de Letras da Universidade Federal do Pará em 1971. Em 1974, concluiu a graduação e, anos depois, tornou-se professora da instituição.

A relação com a UFPA atravessou mais de cinco décadas. Ela também dirigiu o então Centro de Letras e Artes, entre 1989 e 1993, e foi vice-reitora entre 1993 e 1997.

Sua atuação acadêmica não ficou restrita à sala de aula. Zélia participou da construção de espaços dedicados à cultura, às artes e aos estudos sobre a população negra na Amazônia.

Fundadora do Cedenpa

Em 1980, Zélia esteve entre as pessoas que fundaram o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, organização que se tornou uma referência do movimento negro no estado e na Amazônia.

A entidade atuou em pautas como o enfrentamento ao racismo, o reconhecimento e a titulação de territórios quilombolas e a defesa dos direitos da população negra.

Zélia também participou de articulações relacionadas às políticas de ações afirmativas dentro e fora da universidade.

Atuação também passou pela cultura

Além da militância e da carreira acadêmica, Zélia teve uma trajetória ligada ao teatro.

Nos anos 1970, participou de grupos teatrais e, em 1976, ajudou a fundar a Companhia de Teatro Cena Aberta. Atuou, dirigiu e utilizou a arte como espaço de expressão e discussão social.

Na UFPA, também esteve envolvida na construção do Auto do Círio, projeto de extensão cultural que leva manifestações artísticas às ruas de Belém.

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Participação em conferência da ONU

A atuação de Zélia ultrapassou as fronteiras da Amazônia.

Em 2001, ela integrou a representação brasileira na III Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul. Depois do encontro, intensificou a participação em debates relacionados às políticas de ação afirmativa.

Na UFPA, também participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e das discussões que contribuíram para a adoção de políticas de reserva de vagas na universidade.

Professora emérita da UFPA

Em 2019, Zélia recebeu o título de professora emérita da UFPA, em reconhecimento à trajetória acadêmica e à contribuição para a construção de uma universidade mais inclusiva e antirracista.

A universidade destacou que sua presença em cargos de liderança ajudou a abrir caminhos para outras pessoas negras ocuparem espaços de decisão e produção de conhecimento.

Entenda o contexto

A trajetória de Zélia Amador de Deus se confunde com parte da história recente do movimento negro na Amazônia.

Nascida no território quilombola de Mangueiras, no Marajó, ela levou para a universidade e para a militância experiências relacionadas à desigualdade racial e à defesa da população negra.

Durante décadas, sua atuação esteve ligada à defesa das ações afirmativas, dos direitos quilombolas, da educação e do combate ao racismo. A UFPA e o Ministério da Igualdade Racial destacaram o legado deixado pela professora para as novas gerações.

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