A paixão dos paraenses pelos K-dramas ganhou números. O Pará está entre os três estados brasileiros que mais assistiram a séries sul-coreanas na Netflix em 2026, ao lado de Alagoas e Maranhão, segundo dados internos divulgados pela plataforma. O levantamento considera a visualização proporcional ao público de cada estado, e não o volume absoluto de horas assistidas. A Netflix não informou a posição individual de cada um dos três estados.
O resultado ajuda a explicar um fenômeno que já aparece nas ruas de Belém. Nos últimos anos, a capital paraense passou a receber shows, festivais e encontros relacionados ao K-pop e à cultura sul-coreana, enquanto comunidades de fãs se organizaram em torno das séries, dos artistas e de outros elementos da chamada K-cultura.
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Entenda o que está por trás da paixão
A Netflix divulgou o ranking no ano em que completa uma década de histórias coreanas em seu catálogo. De acordo com a plataforma, Alagoas, Maranhão e Pará formam o Top 3 dos estados que mais assistiram K-dramas até agora em 2026, considerando a proporção de visualizações em relação à audiência de cada local.
O levantamento acompanha uma tendência nacional. Uma pesquisa encomendada pela Netflix e realizada pelo instituto Toluna em agosto de 2026 ouviu 2.087 pessoas. Entre os entrevistados, 60% disseram já ter assistido a pelo menos um K-drama. Entre os consumidores de conteúdo coreano, 30% afirmaram acompanhar essas produções diariamente.
Outro dado mostra a força do fenômeno: os K-dramas apareceram em 214 das 290 semanas desde que o ranking Top 10 da Netflix estreou no Brasil, segundo levantamento divulgado pela Folha com base nos dados da plataforma. Em 2025, foram 49 das 52 semanas com pelo menos uma produção sul-coreana entre as mais vistas.
Norte e Nordeste concentram os fãs
A força do público fora do eixo tradicional de consumo também chama atenção. Segundo os dados internos da Netflix, Norte e Nordeste ocupam todo o Top 10 proporcional por estado em audiência de K-dramas em 2026.
No Nordeste, 90% dos espectadores ouvidos na pesquisa afirmaram considerar os K-dramas mais viciantes do que outros formatos. Entre os fãs da região, 72% acompanham atores coreanos nas redes sociais e 55% participam de fã-clubes. No Norte, 53% disseram ter desenvolvido interesse em aprender coreano depois de começar a acompanhar essas produções.
Os números ajudam a explicar por que o fenômeno deixou de ficar restrito à televisão ou às plataformas de streaming. A paixão pelos dramas também movimenta comunidades, música, gastronomia, aprendizado do idioma e eventos presenciais.
Pará também lidera buscas por “dorama”
O interesse paraense aparece ainda em outro indicador. Segundo dados do Google Trends divulgados por O Liberal, o Pará ocupa a primeira posição entre os estados brasileiros em interesse de pesquisa pelo termo “dorama”. Maranhão, Amapá e Amazonas aparecem na sequência.

O resultado não mede diretamente audiência de séries, mas reforça a presença do tema no cotidiano digital dos paraenses.
Em 2024, dados do Google Trends já mostravam Maranhão, Amazonas e Pará entre os estados brasileiros com maior interesse de busca pelo termo “dorama”, indicando que a curiosidade pela produção asiática já vinha crescendo antes do atual levantamento da Netflix.
Uma paixão que cresceu durante a pandemia
A história dos fãs paraenses também passa pelo período de isolamento provocado pela pandemia. Foi nesse momento que muitas pessoas passaram a descobrir ou ampliar o contato com produções sul-coreanas.
A autônoma Samara Pantoja conta que encontrou nos dramas uma combinação de entretenimento e identificação com temas do cotidiano.
“O que me encanta nos dramas é a forma como eles falam de romances, temas leves, situações da vida, mas também de saúde mental, além da possibilidade de conhecer um pouco mais dessa rica cultura”, afirma.
Ela diz que mantém um diário com os títulos já assistidos e calcula ter acompanhado mais de 50 K-dramas.
A experiência também levou Samara para além das séries. No ano passado, ela criou uma comunidade em um grupo de WhatsApp e uma fanbase do cantor sul-coreano Kisu em Belém, que reúne mais de cem pessoas.
“A gente começou a gostar dos cantores através das trilhas sonoras dos K-dramas e passamos a nos reunir para apoiar esse movimento na cidade”, conta.
Das séries para os shows e eventos
O crescimento desse público também começa a ser percebido pelo mercado de eventos.
A empresária Karolynne Cota e o marido, Charles Cota, criaram uma produtora voltada a eventos sul-coreanos em Belém. Nos últimos dois anos, a empresa realizou dois festivais com apresentações de grupos e artistas como NTX, Way Better, From 20, Kisu e Gaho.
Para Karolynne, o resultado da Netflix confirma um potencial que o mercado paraense já vinha percebendo.
“O público paraense já demonstra há anos um forte interesse por K-dramas, K-pop e pela cultura coreana de forma geral”, afirma.
Segundo ela, a presença do Pará no Top 3 reforça a possibilidade de crescimento desse mercado na região Norte.
K-dramas também viram companhia em momentos difíceis
Para alguns fãs, as séries não representam apenas diversão. A pedagoga paraense Mônica Rebelo começou a assistir aos dramas durante um período delicado da vida, enquanto acompanhava a mãe durante uma internação.
Ela conta que passou a maratonar as produções nos momentos em que não estava prestando assistência à mãe e encontrou nas histórias uma forma de relaxar.
“Fiquei com ela dois meses no hospital. Quando não estava dando assistência a ela, comecei a maratonar as séries para tentar relaxar e me apaixonei”, relata.
Depois da morte da mãe, em abril, Mônica afirma que os dramas continuaram fazendo parte da rotina durante o período de luto.
Entre as produções que mais a marcaram está “Tomorrow”, drama sul-coreano que aborda temas relacionados à vida, à morte e à prevenção do suicídio.

A paixão pelas séries também fez com que ela ampliasse o círculo de amizades e passasse a participar de eventos relacionados à cultura coreana.
O consumo de K-dramas vai além da Netflix
O fenômeno não começou nem termina em uma única plataforma. Uma pesquisa da Ecglobal realizada em 2025 com 957 pessoas, das quais 852 demonstraram interesse pela cultura sul-coreana, apontou que quase 90% dos participantes interessados consumiam K-dramas, e 55% afirmavam assistir pelo menos uma vez por semana.
Naquele levantamento, a Netflix aparecia como a plataforma favorita para assistir às produções coreanas, escolhida por 60% dos entrevistados. YouTube, Amazon Prime Video e Viki apareciam na sequência.
A pesquisa também mostrou que o interesse pela cultura sul-coreana ultrapassa as telas. 47% dos entrevistados disseram ter intenção de participar de eventos relacionados à cultura do país, incluindo festivais culturais, exposições, feiras, shows de K-pop e fan meetings.
Os dados ajudam a entender por que a chamada K-cultura passou a ocupar um espaço maior no mercado brasileiro, unindo séries, música, gastronomia, beleza e eventos.
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Dramalândia chega a Belém, Maceió e São Luís
Para comemorar os dez anos de histórias coreanas na plataforma e celebrar o público dos três estados, a Netflix criou as Estações Dramalândia.
De 10 a 20 de setembro, Belém, Maceió e São Luís recebem espaços gratuitos inspirados no universo dos K-dramas, com cenários para fotos, cabines fotográficas e distribuição de brindes.
Em Belém, a estrutura ficará na Estação das Docas, das 10h às 18h. Em Maceió, a atração será montada no Corredor Vera Arruda. Já São Luís receberá a experiência na Praça do Sol.
A ação terá referências a produções populares e pretende transformar a experiência de assistir às séries em uma atividade presencial para os fãs.
Fãs podem concorrer a viagem para a Coreia do Sul
Além das experiências nas três capitais, a Netflix lançou uma promoção nacional que dará a três vencedores uma viagem para Seul, com acompanhante.
A participação ocorre entre 10 e 18 de setembro. Para concorrer, é necessário ser maior de 18 anos, morar no Brasil e possuir passaporte válido. Os seis vídeos selecionados passam por votação aberta, e os três mais votados ganham a viagem.
Entenda o contexto
O crescimento dos K-dramas mostra como as produções sul-coreanas deixaram de ser um conteúdo de nicho no Brasil e passaram a integrar o consumo cultural de uma parcela significativa do público.
No Pará, a combinação entre audiência proporcional, buscas na internet, comunidades de fãs e crescimento de eventos ajuda a explicar por que a cultura coreana ganhou espaço em Belém. O estado aparece agora ao lado de Alagoas e Maranhão no Top 3 proporcional da Netflix em 2026, enquanto pesquisas anteriores já indicavam forte interesse por produções asiáticas na região Norte.
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Texto: Luciana Cavalcante | Revisão: Larissa Rodrigues