Uma rede suspeita de atuar com agiotas em crimes de extorsão e lavagem de dinheiro foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (11). A investigação aponta que os criminosos cobravam juros que chegavam a 20% ao mês, além de pressionar devedores com ameaças e cobranças constantes.
O caso ganhou contornos ainda mais graves depois da morte de um comerciante de 68 anos, conhecido na tradicional Feira dos Goianos, em Taguatinga. Segundo as investigações, o homem estava sufocado por dívidas contraídas com agiotas brasileiros e colombianos e não suportou a pressão financeira e psicológica.
A operação foi conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) e teve como objetivo atingir um núcleo formado por brasileiros que, segundo a polícia, havia ampliado a atuação para o Distrito Federal, Goiás e Tocantins.
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Dívida virou uma rotina de cobranças
O comerciante enfrentava dificuldades financeiras e, segundo as apurações, recorria a empréstimos informais para manter o negócio funcionando.
Semianalfabeto e pressionado pelo crescimento das dívidas, ele teria utilizado o celular e contas bancárias de familiares para negociar pagamentos e tentar cumprir as parcelas cobradas pelos agiotas.
O esquema, conforme a investigação, não funcionava apenas com a cobrança dos valores emprestados. Os juros elevados faziam com que a dívida crescesse rapidamente, mantendo as vítimas presas a pagamentos sucessivos.
Em alguns casos investigados, os juros chegavam a 20% ao mês, uma taxa que aumentava de maneira significativa o valor devido e dificultava a quitação dos empréstimos.
Após a morte, filha passou a ser ameaçada
A morte do comerciante, em março de 2025, não encerrou as cobranças.
Segundo a investigação, os criminosos passaram a pressionar diretamente a filha do homem. Ela teria recebido áudios e mensagens com ameaças graves, sendo coagida a assumir as dívidas deixadas pelo pai.
As cobranças, de acordo com os investigadores, eram realizadas de forma insistente e acompanhadas de intimidações. A pressão teria transformado uma dívida financeira em uma situação de ameaça permanente à família.
O caso acabou se tornando um dos elementos centrais para o avanço das investigações da PCDF.
Dois grupos atuavam na cobrança
A investigação identificou a existência de dois núcleos criminosos relacionados às cobranças enfrentadas pela vítima.
O primeiro era formado por colombianos que, segundo a polícia, atuavam de maneira ostensiva na cobrança de dívidas. Esse grupo já havia sido alvo de uma operação anterior, realizada ainda em 2025.
A ação deflagrada nesta quinta-feira teve como principal alvo o segundo núcleo.
Formado por brasileiros, o grupo teria uma estrutura mais organizada e capacidade de atuação em diferentes estados. A investigação aponta que a rede mantinha atividades no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins.
A suspeita é de que os integrantes utilizassem a agiotagem como fonte de recursos e recorressem à extorsão para garantir o recebimento dos valores cobrados.
Dinheiro e ameaças fazem parte da investigação
A apuração também busca esclarecer como o dinheiro obtido com os empréstimos ilegais era movimentado e eventualmente ocultado.
Por isso, além da agiotagem e da extorsão, a investigação também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.
A estrutura investigada teria permitido que os recursos circulassem por diferentes pessoas e contas, dificultando a identificação da origem do dinheiro e dos responsáveis pela movimentação financeira.
Entre os presos está Adailton Fernandes de Oliveira, apontado pela investigação como integrante do esquema. Uma imagem obtida durante a apuração mostra o suspeito ao lado de uma grande quantidade de dinheiro.
A existência da imagem e a prisão, porém, não significam condenação. Os envolvidos ainda serão submetidos ao devido processo legal e terão direito à defesa.
Operação mira expansão da rede
Para a polícia, o caso revela uma estrutura que ultrapassava a atuação isolada de agiotas.
A presença de integrantes em diferentes estados e a divisão de funções apontada na investigação levaram a Corpatri a tratar o grupo como uma organização criminosa estruturada.
A operação desta quinta representa uma nova etapa da ofensiva contra a rede. Os investigadores devem analisar documentos, aparelhos eletrônicos, movimentações financeiras e outros materiais recolhidos durante a ação para identificar a extensão do esquema.
O objetivo também é descobrir quantas pessoas teriam sido vítimas das cobranças e qual seria o volume de dinheiro movimentado pela organização.
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Entenda O Contexto
A agiotagem ocorre quando empréstimos são concedidos de forma ilegal, geralmente com juros abusivos e sem as garantias e regras das operações realizadas pelo sistema financeiro regular. O problema pode se agravar quando a cobrança passa a envolver ameaças, constrangimento ou violência.
No caso investigado pela PCDF, a suspeita é de que a rede utilizava justamente a combinação entre empréstimos com juros elevados e mecanismos de pressão para manter as vítimas pagando as dívidas. A investigação ganhou força após a morte de um comerciante de 68 anos, que teria acumulado débitos com diferentes agiotas.
Depois da morte, a filha passou a receber ameaças para assumir os pagamentos. A polícia identificou dois núcleos relacionados ao caso: um grupo de colombianos, que já havia sido alvo de uma operação anterior, e uma segunda estrutura formada por brasileiros e com atuação no Distrito Federal, Goiás e Tocantins.
As autoridades agora tentam dimensionar a atuação da organização, identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados.
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