Trocafone entra na mira do MP em investigação sobre celulares roubados

Empresa de celulares usados é investigada pelo Ministério Público de São Paulo em operação que apura uma cadeia de furto, receptação, desbloqueio e revenda de aparelhos; Trocafone nega irregularidades
Redação NC News
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Uma das principais empresas brasileiras de compra e venda de celulares usados entrou na mira do Ministério Público de São Paulo durante uma investigação sobre um esquema de furto, roubo, receptação e revenda de aparelhos.

A Trocafone é investigada no âmbito da Operação Frank Mobile, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que tenta desmontar uma estrutura criminosa responsável por retirar celulares das vítimas, modificar os aparelhos e recolocá-los no mercado.

A empresa nega envolvimento com a comercialização de produtos de origem criminosa e afirma manter controles para verificar a procedência dos aparelhos recebidos.

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Investigação encontrou milhares de aparelhos sem documentação

Um dos pontos analisados pelo Ministério Público envolve informações fiscais relacionadas às operações da empresa.

Segundo a investigação, uma análise da Secretaria da Fazenda de São Paulo identificou 759,3 mil celulares vendidos pela Trocafone sem notas fiscais de entrada correspondentes aos aparelhos.

Para os investigadores, a ausência dessa documentação levantou suspeitas sobre a origem de parte dos dispositivos e passou a ser um dos elementos examinados na apuração.

A falta de nota fiscal, entretanto, não comprova isoladamente que os aparelhos tenham sido roubados. A origem de cada equipamento ainda precisa ser esclarecida pela investigação.

Relatórios financeiros também entraram na apuração

Outro elemento analisado pelos investigadores são movimentações financeiras relacionadas à empresa.

A Trocafone aparece em 18 relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produzidos entre 2018 e 2024, segundo informações da investigação.

Os documentos apontaram movimentações consideradas suspeitas que somariam R$ 95,8 milhões. Também foram identificados 1.299 depósitos fracionados, comportamento que chamou a atenção dos investigadores por poder ser utilizado para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A investigação ainda precisa estabelecer a relação dessas movimentações com o eventual comércio de aparelhos de origem ilícita.

Peças de celulares roubados também são investigadas

A apuração não se limita aos aparelhos completos.

Segundo os investigadores, peças retiradas de celulares roubados também teriam entrado na cadeia de recondicionamento. Um gerente ouvido durante a investigação relatou que componentes de origem ilícita seriam utilizados nesse processo desde 2014.

Esse tipo de prática pode dificultar a identificação do aparelho original, já que celulares roubados podem ser desmontados e ter componentes reaproveitados em outros equipamentos.

A investigação busca justamente reconstruir o caminho percorrido pelos aparelhos desde o roubo ou furto até a chegada ao consumidor final.

Esquema tinha diferentes núcleos

A Operação Frank Mobile identificou uma estrutura dividida em diferentes funções.

Segundo o Ministério Público, havia grupos responsáveis por furtar e roubar celulares, outros encarregados de desbloquear os aparelhos e acessar informações, além de integrantes especializados em adulterar o IMEI e pessoas responsáveis pela revenda.

O objetivo seria fazer com que aparelhos obtidos ilegalmente voltassem ao mercado com aparência de produtos regulares.

A investigação também identificou pontos de atuação na região central de São Paulo, incluindo áreas conhecidas pelo comércio de eletrônicos e assistência técnica.

Mais de 10 mil celulares foram apreendidos

A operação mobilizou forças de segurança em São Paulo e Goiás.

Foram expedidos 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária. Segundo informações divulgadas sobre a operação, cerca de 10 mil celulares foram apreendidos, além de dinheiro e equipamentos eletrônicos.

Também houve bloqueio de bens e valores relacionados aos investigados.

Os investigadores agora devem cruzar os números de identificação dos aparelhos apreendidos com registros de roubos e furtos para tentar descobrir quantos pertenciam originalmente a vítimas e como chegaram às mãos dos revendedores.

Empresa nega envolvimento

A Trocafone afirma que não participa de qualquer esquema criminoso e que mantém procedimentos de controle sobre os aparelhos comercializados.

A empresa também declarou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.

A apuração do Ministério Público ainda está em andamento e deverá esclarecer se eventuais irregularidades encontradas na documentação e nas movimentações financeiras têm relação direta com celulares roubados ou furtados.

Até que a investigação seja concluída, a empresa e seus responsáveis não podem ser tratados como condenados por qualquer crime.

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Entenda O Contexto

O mercado de celulares usados movimenta milhões de aparelhos todos os anos e também é alvo de organizações criminosas especializadas em furto e roubo. A Operação Frank Mobile tenta atingir justamente a estrutura que permite que esses equipamentos retornem ao mercado depois de serem retirados das vítimas.

Segundo a investigação, a cadeia envolve desde os responsáveis pelos roubos até especialistas em desbloqueio, adulteração de IMEI, desmontagem, recondicionamento e revenda. A Trocafone entrou no radar do Ministério Público durante essa apuração e passou a ser investigada por possíveis vínculos com a comercialização de aparelhos de origem irregular.

A empresa nega envolvimento criminoso e afirma colaborar com as autoridades. A investigação ainda deverá determinar a origem dos celulares analisados, a responsabilidade de cada empresa ou pessoa envolvida e se houve conhecimento sobre eventual procedência ilícita dos aparelhos.

A presença de um celular sem documentação fiscal ou de uma movimentação financeira considerada atípica, isoladamente, não comprova que tenha havido receptação ou participação consciente em um esquema criminoso.

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