O que começou como uma solução para conseguir estudar música se transformou em um negócio que fatura cerca de R$ 20 mil por mês. O músico e percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, passou a fabricar instrumentos utilizando materiais reaproveitados e criou uma linha de tambores sustentáveis.
A principal criação do empreendedor é o Atabalde, instrumento inspirado no atabaque tradicional e produzido com uma bombona plástica como corpo e uma membrana feita a partir de material PET.
Além de reduzir o uso de matérias-primas convencionais, o modelo é mais leve, resistente à água e exige menos manutenção do que instrumentos tradicionais.
VEJA TAMBÉM
Netflix cancela Ransom Canyon após 2 temporadas; veja o motivo
Como surgiu a ideia
A relação de Felipe com a música começou ainda na infância. Filho de músico, ele cresceu próximo da percussão e decidiu aprofundar os estudos quando entrou para a Escola de Música de Brasília.
Foi durante essa fase que surgiu o primeiro grande obstáculo. A marimba, instrumento utilizado na formação musical, tinha um preço que estava fora da realidade financeira do estudante.
Sem dinheiro para comprar o equipamento, Felipe decidiu construir a própria marimba. Depois de conseguir produzir o instrumento, começou a fabricar versões para colegas que também não tinham condições de adquirir equipamentos profissionais.
A experiência despertou o interesse pela fabricação de instrumentos e abriu caminho para o empreendedorismo.
Da marimba aos instrumentos feitos com sucata
Com o tempo, o músico passou a trabalhar também com oficinas, escolas e projetos sociais. Nesse processo, percebeu que muitas instituições tinham dificuldade para conseguir instrumentos musicais.
A solução foi buscar materiais que normalmente seriam descartados e transformá-los em peças para novos instrumentos.
Objetos encontrados em ferros-velhos, corrimãos de ônibus, alarmes de incêndio e garrafas PET passaram a fazer parte do processo criativo.
A proposta uniu duas necessidades: produzir equipamentos mais acessíveis e dar uma nova utilidade a materiais que poderiam acabar no lixo.
Atabalde é uma das principais criações
O Atabalde surgiu da busca de Felipe por um instrumento diferente para utilizar em suas apresentações.
O tambor tem inspiração no atabaque, mas utiliza uma estrutura diferente. O corpo é feito com bombona plástica, enquanto a membrana utiliza material derivado de PET.
O resultado é um instrumento que, segundo a proposta do empreendedor, combina baixo peso, resistência à água e menor necessidade de manutenção.
O produto tem preço médio de aproximadamente R$ 350 e é vendido pela internet.
LEIA TAMBÉM
Cão lambendo as patas sem parar? Comportamento pode indicar doenças e ansiedade
Quem compra os instrumentos
Os instrumentos produzidos por Felipe atendem diferentes públicos ligados à música e à cultura.
Entre os clientes estão percussionistas, capoeiristas, estudantes de música e praticantes de religiões de matriz africana, além de pessoas interessadas em instrumentos de percussão.
As vendas são realizadas pela internet e o negócio já conseguiu alcançar clientes fora do Brasil, inclusive na Europa.
A expansão mostra como um produto criado inicialmente para solucionar uma dificuldade pessoal pode encontrar mercado em diferentes nichos.
Negócio já supera parte da renda como músico
O crescimento da fabricação de instrumentos fez o empreendimento se transformar em uma importante fonte de renda para Felipe.
O negócio atualmente movimenta cerca de R$ 20 mil por mês, valor que, segundo o empreendedor, já supera parte dos ganhos obtidos com trabalhos realizados como músico.
A próxima etapa é ampliar a estrutura de produção, contratar funcionários e aumentar a quantidade de instrumentos fabricados.
Criatividade virou modelo de negócio
A história de Felipe mostra como uma necessidade pode se transformar em oportunidade comercial.
Primeiro, a dificuldade para comprar um instrumento levou o músico a construir a própria marimba. Depois, a percepção de que outras pessoas enfrentavam o mesmo problema abriu espaço para a produção de equipamentos.
A utilização de materiais descartados acrescentou outro elemento ao negócio: a possibilidade de reaproveitar resíduos e criar produtos com uma proposta sustentável.
O empreendedor também passou a enxergar a fabricação dos instrumentos como uma maneira de ampliar o acesso à música, principalmente para estudantes, escolas e projetos que enfrentam dificuldades para adquirir equipamentos.
Entenda o contexto
O negócio criado por Felipe reúne três tendências que vêm ganhando espaço entre pequenos empreendedores: economia circular, sustentabilidade e produtos personalizados.
Em vez de depender exclusivamente de matérias-primas tradicionais, o empreendedor encontrou materiais disponíveis e desenvolveu novas funções para eles.
O resultado foi um produto com identidade própria, preço mais acessível e possibilidade de venda para diferentes públicos.
A trajetória também mostra que o empreendedorismo pode nascer de uma necessidade concreta. No caso de Felipe, a falta de recursos para comprar um instrumento foi o ponto de partida para uma atividade que hoje gera aproximadamente R$ 20 mil mensais e tem planos de expansão.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Petrobras recua de aumento da gasolina após fim de desconto; veja como ficam os preços
El Niño forte acende alerta para dengue no Brasil; sudeste pode ter o dobro dos casos
El Niño forte acende alerta para dengue no Brasil; sudeste pode ter o dobro dos casos