Polícia prende homem apontado como sócio oculto de construtora de prédio que desabou em SP

Ronaldo Vivacqua foi preso neste domingo (13). Outros dois responsáveis pela empresa tiveram prisão temporária decretada e são considerados foragidos. Desabamento na Penha, na Zona Leste de São Paulo, deixou seis mortos
Redação NC News
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A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto de uma das empresas envolvidas na construção do prédio que desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha, na Zona Leste de São Paulo.

A Justiça determinou a prisão temporária de três investigados ligados à obra. Além de Ronaldo, também são alvos o engenheiro Cristiano Vivacqua, filho dele e responsável técnico pela construção, e Isis Brandão, que consta formalmente como proprietária da empresa. Os dois ainda não foram localizados e são considerados foragidos.

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Entenda o que aconteceu

O prédio desabou por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, na Penha. A estrutura atingiu uma residência vizinha onde morava uma família de imigrantes bolivianos. O imóvel também funcionava como oficina de costura.

Seis pessoas morreram no desabamento, incluindo uma menina de 7 anos, cujo corpo foi encontrado pelos bombeiros neste domingo. Um homem e uma criança de 5 anos foram resgatados com vida e tiveram ferimentos leves. As buscas terminaram após a localização da última vítima.

A Polícia Civil passou a investigar as circunstâncias do desabamento e a situação da obra. Segundo os investigadores, documentos e o histórico da construção levantaram a suspeita de que os responsáveis poderiam ter conhecimento das condições estruturais do prédio.

A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º Distrito Policial (Ponte Rasa), afirmou que as causas do desabamento ainda serão determinadas pela perícia.

Obra tinha histórico de irregularidades

Segundo a Prefeitura de São Paulo, a construção começou em 2019 e foi interditada após problemas estruturais. Mesmo depois da interdição e de multas aplicadas pelo município, a obra teria continuado.

Em 2021, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para pedir a suspensão imediata dos trabalhos no local.

A empresa apresentou um novo projeto em 2022 e recebeu um alvará em 2023. A autorização, porém, previa que a estrutura existente fosse demolida antes da construção de uma nova edificação.

Na época, o prédio tinha cinco andares. Antes de desabar, a estrutura havia chegado a nove andares, segundo a Polícia Civil.

Polícia suspeita de ocultação de documentos

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou indícios de que documentos relacionados à obra poderiam estar sendo ocultados. Essa suspeita foi um dos elementos apresentados para fundamentar o pedido de prisão temporária dos responsáveis pela construtora.

A delegada Safira Borges Pereira Parente, que ouviu testemunhas após o desabamento, também relatou que moradores da região disseram ter percebido o surgimento de rachaduras em casas próximas nos últimos meses.

A perícia ainda deverá apontar o que provocou o colapso da estrutura e se houve relação entre as irregularidades identificadas e o desabamento.

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Servidora que vistoriou obra é afastada

A Prefeitura de São Paulo afastou por 30 dias a servidora responsável por uma vistoria realizada em 2024. Na ocasião, ela teria atestado que a demolição da estrutura existente havia sido realizada.

Após o desabamento, porém, a Controladoria Geral do Município (CGM) abriu uma investigação. Segundo as apurações preliminares, a demolição exigida não teria sido realizada.

Técnicos da Prefeitura verificaram informações com moradores da região e também analisaram imagens de satélite. O nome da servidora não foi divulgado.

Além da investigação administrativa, a Polícia Civil também apura o caso.

 Defesa contesta versão da polícia

O advogado Adelmo Silva, que representa a New Home Construtora e os três investigados, afirmou que uma decisão judicial de março de 2025 teria autorizado a continuidade das obras no imóvel.

Segundo ele, a empresa apresentará essa decisão à Polícia Civil. O advogado também declarou que Cristiano Vivacqua e Isis Brandão estavam fora de São Paulo e devem se apresentar às autoridades nos próximos dias.

A defesa ainda afirmou que a obra estava paralisada por falta de recursos e levantou a possibilidade de o desabamento ter relação com outra construção localizada nos fundos do imóvel.

As hipóteses ainda serão analisadas pelas investigações e pela perícia.

Entenda o contexto

O desabamento aconteceu na madrugada de sábado (12), quando o prédio em construção caiu sobre uma casa na Penha, na Zona Leste de São Paulo. A tragédia deixou seis mortos e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura por mais de 24 horas.

A investigação agora tenta esclarecer as condições da construção, o cumprimento das determinações municipais e judiciais e a eventual responsabilidade dos envolvidos. A prisão temporária dos investigados ocorre no curso da apuração e não representa, por si só, uma condenação.

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