O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a fazer um novo alerta sobre os riscos da tecnologia. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda-feira (14) uma ação urgente dos governos e das empresas para criar mecanismos internacionais de regulamentação.
Segundo Türk, os sistemas de IA mais avançados podem provocar impactos sem precedentes sobre a sociedade e colocar em risco direitos fundamentais, incluindo o direito à vida, à saúde, à privacidade e à segurança. A preocupação aumenta com o desenvolvimento de sistemas capazes de tomar decisões com maior grau de autonomia.
VEJA TAMBÉM:
É possível desacelerar o desenvolvimento da IA? Entenda o debate
Entenda o que aconteceu
O alerta da ONU ocorre em meio a uma discussão internacional sobre a velocidade com que a inteligência artificial está evoluindo. Nos últimos dias, executivos e pesquisadores ligados às próprias empresas responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas passaram a defender maior controle sobre o avanço da tecnologia.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, pediu uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos de IA diante dos riscos associados ao aumento de suas capacidades. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também defendeu maior coordenação internacional para reduzir riscos relacionados a sistemas cada vez mais avançados.
Para a ONU, o debate deixou de ser apenas tecnológico e passou a envolver diretamente direitos humanos, segurança, economia, democracia e soberania dos países.
O que preocupa a ONU
Um dos principais pontos de preocupação é o desenvolvimento de sistemas capazes de operar com maior autonomia e tomar decisões sem supervisão humana constante.
Segundo Volker Türk, uma eventual falha desses sistemas poderia afetar serviços essenciais, infraestruturas críticas e instituições. A ONU também alerta para o uso da inteligência artificial em conflitos armados, que pode aumentar a velocidade dos confrontos e reduzir barreiras para determinadas aplicações militares.
A preocupação não está restrita a um único tipo de aplicação. A inteligência artificial já é utilizada em áreas como saúde, finanças, segurança, comunicação, educação e administração pública.
Direitos humanos podem ser afetados
O alto comissário da ONU afirmou que os impactos da IA precisam ser analisados a partir da proteção dos direitos fundamentais.
Entre os riscos estão problemas relacionados à privacidade, discriminação, segurança, manipulação de informações e tomada automatizada de decisões.
A preocupação também envolve a possibilidade de que pessoas sejam submetidas a decisões importantes tomadas ou influenciadas por sistemas que não oferecem transparência suficiente sobre seus critérios.
Empresas de tecnologia também pedem mais controle
O alerta da ONU acontece justamente quando parte do setor de tecnologia passou a defender mecanismos mais rígidos de segurança.
Dario Amodei, da Anthropic, defende uma desaceleração global no avanço das capacidades mais sofisticadas da IA. Sam Altman também argumentou que governos e empresas precisam trabalhar de forma coordenada para lidar com riscos que podem ultrapassar fronteiras nacionais.
A mudança de discurso chama atenção porque ocorre entre empresas que estão no centro da corrida mundial pelo desenvolvimento da inteligência artificial.
LEIA TAMBÉM:
Golpistas criam site e aplicativo falsos do Mercado Livre para invadir celulares
EUA e China também estão no centro da disputa
A discussão sobre regulamentação ocorre em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
Enquanto empresas e autoridades europeias defendem maior controle sobre os riscos da IA, integrantes do governo americano demonstram preocupação de que regras excessivas possam prejudicar a liderança dos Estados Unidos no setor. A China, por sua vez, acusa iniciativas ocidentais de regulamentação de poderem funcionar como mecanismos de contenção tecnológica.
A disputa torna mais difícil a criação de regras internacionais comuns, justamente em um momento em que os sistemas de inteligência artificial estão sendo desenvolvidos e utilizados em escala global.
Por que uma regulamentação global é difícil
A inteligência artificial não está limitada às fronteiras de um único país. Empresas podem desenvolver modelos em uma região, utilizar infraestrutura localizada em outra e oferecer seus sistemas para usuários em praticamente qualquer lugar do mundo.
Por isso, a ONU defende uma abordagem internacional para estabelecer princípios e mecanismos de governança.
A organização já vem trabalhando no tema. O Pacto Digital Global, aprovado no âmbito da ONU, estabeleceu entre seus objetivos melhorar a governança internacional da inteligência artificial e promover uma abordagem baseada em riscos.
Entenda o contexto
A discussão sobre os limites da inteligência artificial ganhou força à medida que os modelos passaram a realizar tarefas cada vez mais complexas.
Além da geração de textos, imagens e vídeos, sistemas mais recentes conseguem executar tarefas em sequência, utilizar ferramentas digitais e operar com maior autonomia.
Esse avanço abriu novas possibilidades econômicas e científicas, mas também aumentou as preocupações sobre segurança, concentração de poder tecnológico, emprego, desinformação, privacidade e uso militar.
Em julho de 2026, a ONU realizou o primeiro Diálogo Global sobre Governança da IA, em Genebra, reunindo governos, empresas, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir mecanismos internacionais de governança da tecnologia.
O desafio agora é transformar o debate em mecanismos concretos capazes de acompanhar a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial sem impedir os benefícios que a tecnologia pode proporcionar.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Virginia Fonseca surge com visual ousado e web questiona se vale tudo para aparecer
Turista gaúcha denuncia abuso sexual durante festival indígena no Acre
STF define rito de sessão que vai analisar mensagens entre Moraes e Vorcaro