O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento que analisa, nesta terça-feira (15), a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A decisão veio horas depois da divulgação de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro com referências ao filho de Nunes Marques, o advogado Kevin Marques, e a pagamentos que chegariam a R$ 500 mil mensais. Kevin nega qualquer relação com o Banco Master ou com Vorcaro e afirma que os valores recebidos por ele, da empresa Consult Inteligência Tributária, correspondem a serviços jurídicos prestados.
Após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apresentar o seu relatório, o ministro Nunes Marques disse que não se sentia confortável em participar o julgamento na posição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“No entanto, eu entendo que eu tenho uma missão, e que para mim eu entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. O TSE tem se mantido equidistante de todos que rondam o processo eleitoral. Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”, afirmou o ministro.
Depois de declarar-se impedido, o ministro Nunes Marques deixou a sessão
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Entenda o que aconteceu
A decisão de Nunes Marques ocorre no mesmo dia em que o plenário do STF analisa o relatório produzido a partir de informações da Polícia Federal sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O ministro já havia sinalizado a colegas que poderia se declarar impedido, e a confirmação veio logo após a divulgação das novas mensagens encontradas no aparelho do ex-banqueiro. Com o impedimento, Nunes Marques não participará da votação sobre os desdobramentos das acusações envolvendo Moraes.
O que dizem as mensagens sobre o filho do ministro
As conversas mais recentes trazem o nome de Kevin Marques associado a uma referência de R$ 500 mil por mês. Em uma mensagem de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, encaminhou a Vorcaro o contato de Kevin e questionou se o pagamento mensal seria mantido. Em outra conversa, Rennó voltou a mencionar o contato do advogado no contexto de pagamentos. O material apresentado, no entanto, não comprova que Kevin tenha efetivamente recebido os R$ 500 mil citados.
Kevin afirma que nunca trabalhou para o Banco Master e que os R$ 281,6 mil recebidos da Consult Inteligência Tributária se referem a serviços jurídicos prestados à empresa. A Consult, por sua vez, recebeu cerca de R$ 6,6 milhões do Banco Master no período analisado.
Ministro já havia sido citado no caso
A situação envolvendo Nunes Marques não se limita às mensagens sobre o filho. Outros diálogos extraídos do celular de Vorcaro também mencionam o próprio ministro, incluindo uma conversa sobre a organização de uma viagem para cinco pessoas e outra em que uma mulher identificada como Rayanna faz referência a um suposto encontro com o magistrado. Nunes Marques nega irregularidades, afirma que nunca votou a favor do Banco Master e reforça que o filho não recebeu dinheiro de Vorcaro.
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O que está em julgamento
O plenário do STF analisa se existem elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação formal sobre Alexandre de Moraes a partir do material relacionado a Vorcaro. A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que assumiu a condução do caso após o procedimento inicialmente conduzido por André Mendonça.
Moraes contesta as acusações e afirma que o material citado contém mensagens que nunca existiram e interpretações distorcidas. O julgamento não representa uma condenação: o que está em discussão é se as informações reunidas justificam abrir uma investigação.
Entenda o contexto
A decisão de Nunes Marques reduz o número de ministros que participarão da análise do caso envolvendo Moraes, em meio a uma disputa institucional mais ampla dentro do Supremo. De um lado estão as acusações sobre a relação de Moraes com Vorcaro; de outro, surgem informações sobre relações de outros integrantes da Corte, ou de seus familiares, com pessoas ligadas ao ex-banqueiro.
Até que novas provas sejam apresentadas, é preciso distinguir mensagens, contatos e relações profissionais de eventuais ilícitos — a existência isolada de uma conversa ou de um pagamento não demonstra, por si só, compra de decisão judicial, tráfico de influência ou qualquer outro crime.
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