TRE-RJ muda locais de votação e barra 15 candidaturas por ligação com crime organizado

Cerca de 121 mil eleitores serão afetados pelas mudanças; tribunal também indeferiu registros de candidatos apontados como ligados a organizações criminosas
Redação NC News
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O avanço de facções criminosas e milícias passou a interferir diretamente nas eleições de 2026 no Rio de Janeiro. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) transferiu 34 locais de votação que estavam em áreas sob influência de grupos criminosos. As mudanças atingem a capital e outros 16 municípios e afetam cerca de 121 mil eleitores.

Além disso, a Justiça Eleitoral indeferiu o registro de 15 candidaturas por suposta vinculação com organizações criminosas. O levantamento mais recente divulgado sobre as decisões aponta oito candidatos a deputado estadual, seis a deputado federal e um candidato a primeiro suplente de senador.

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Entenda o que aconteceu

A Justiça Eleitoral identificou locais de votação instalados em regiões onde a presença de facções e milícias poderia colocar em risco a segurança dos eleitores e interferir no exercício do voto.

Somente na cidade do Rio, 11 locais de votação foram transferidos por estarem em regiões sob influência do Comando Vermelho. Outros 17 atendiam áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), enquanto dois estavam em regiões sob controle de milicianos.

Também houve mudanças em cinco locais situados em áreas de disputa entre grupos criminosos. Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, um local de votação estava em uma região sob influência da facção Amigos dos Amigos (ADA).

Segundo o TRE-RJ, o número de transferências dobrou em relação ao último pleito. A Justiça Eleitoral identificou situações em que eleitores poderiam sofrer intimidação para exercer o direito ao voto.

Mudanças atingem 17 municípios

As alterações não ficaram restritas à capital. Ao todo, 17 municípios fluminenses tiveram locais de votação transferidos.

A medida busca reduzir o risco de interferência de organizações criminosas durante a eleição e garantir que os eleitores possam votar sem sofrer pressão ou ameaça.

O TRE-RJ mantém serviço para que eleitoras e eleitores consultem o local de votação e confiram a seção eleitoral antes da eleição.

Justiça Eleitoral também barra candidaturas

Além das mudanças físicas nos locais de votação, o TRE-RJ vem analisando registros de candidatos apontados como ligados ao crime organizado.

Entre as decisões recentes estão casos envolvendo candidatos a deputado estadual e federal e também integrantes de chapas ao Senado. A Justiça Eleitoral considera elementos apresentados nos processos para avaliar se existem vínculos capazes de comprometer a disputa eleitoral.

As decisões, porém, podem ser contestadas pelos candidatos por meio dos recursos previstos na legislação eleitoral.

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O que é a ‘milícia de gravata’?

O TRE-RJ também passou a utilizar o termo “milícia de gravata” em uma decisão recente para tratar de organizações que, segundo o tribunal, podem atuar dentro da estrutura do Estado sem necessariamente exercer controle territorial armado.

A interpretação considera situações em que grupos criminosos buscam influência política, acesso a contratos públicos e participação em processos de licitação. O entendimento foi aprovado por 4 votos a 3.

A discussão amplia o debate sobre como a Justiça Eleitoral deve agir diante de organizações criminosas que tentam influenciar a política por diferentes meios.

Entenda o contexto

As medidas do TRE-RJ acontecem em meio ao avanço da influência de organizações criminosas sobre diferentes áreas do estado.

A transferência dos locais de votação mostra que a presença territorial de facções e milícias já é considerada um fator de segurança para a realização das eleições. Ao mesmo tempo, o bloqueio de candidaturas coloca em debate até onde a Justiça Eleitoral pode impedir a entrada de pessoas suspeitas de manter vínculos com organizações criminosas na disputa política.

O objetivo declarado das medidas é preservar a liberdade do voto e evitar que o crime organizado interfira no processo eleitoral.

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