O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil tem falhado no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A crítica consta em um documento presidencial enviado ao Congresso americano e divulgado nesta quarta-feira (16).
Segundo o texto, as duas facções, classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras, teriam transformado o Brasil em um centro de distribuição de cocaína. O governo americano também afirma que o país precisa adotar medidas mais firmes contra os grupos.
VEJA TAMBÉM:
Trump conduz juramento de apoiadores em convenção e se chama de “maior presidente da história”
Entenda o que aconteceu
A declaração faz parte de uma determinação presidencial dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2027, enviada ao Congresso americano na terça-feira (15). O documento trata da política norte-americana de combate ao tráfico internacional de drogas e apresenta avaliações sobre diferentes países.
No trecho sobre o Brasil, o governo Trump afirma que o país não estaria enfrentando de maneira suficiente o PCC e o Comando Vermelho. As duas organizações foram classificadas pelos Estados Unidos como terroristas estrangeiras em maio deste ano.
Apesar da crítica, o Brasil não foi incluído na relação formal de principais países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas apresentada pelo governo americano, de acordo com a reportagem do Metrópoles e outras publicações que analisaram o documento.
O que Trump afirmou sobre o Brasil
No documento, o governo americano afirma que, enquanto outros países do Hemisfério Ocidental adotam medidas contra o tráfico e organizações criminosas, o Brasil teria falhado em confrontar o PCC e o Comando Vermelho.
O texto também associa a atuação das duas facções ao fluxo internacional de cocaína e afirma que o governo brasileiro deveria tomar “medidas enérgicas” para enfrentar os grupos. A avaliação representa a posição do governo dos Estados Unidos e não uma conclusão independente sobre a política de segurança brasileira.
PCC e Comando Vermelho foram classificados como terroristas pelos EUA
A crítica ocorre meses depois de os Estados Unidos incluírem o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras.
A classificação faz parte da política americana de combate ao crime organizado transnacional e pode ampliar as ferramentas utilizadas pelo governo dos EUA contra integrantes e estruturas financeiras relacionadas às organizações.
No Brasil, autoridades já manifestaram discordância em relação ao uso do conceito de terrorismo para classificar facções criminosas brasileiras, defendendo que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania brasileira.
Brasil fica fora da lista de principais países de drogas
Um dos pontos importantes do documento é a diferença entre a crítica ao combate às facções e a classificação formal do Brasil na lista americana.
Embora o governo Trump faça críticas à atuação brasileira, o país não aparece entre os principais países identificados pelos Estados Unidos como produtores ou grandes pontos de trânsito de drogas ilícitas. Na América do Sul, a lista inclui países como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
Isso significa que a crítica à política brasileira de combate ao PCC e ao CV não equivale, no documento, à classificação do Brasil como um dos principais países produtores ou de trânsito de drogas.
LEIA TAMBÉM:
Trump diz que não precisa do Congresso para pagar US$ 5 mil a americanos
Documento também cita outros países
A determinação presidencial apresenta avaliações sobre diversos países e faz parte da política anual dos Estados Unidos relacionada ao combate ao narcotráfico.
O documento também diferencia a existência de produção ou trânsito de drogas em determinado território da avaliação sobre os esforços realizados pelo governo local. Ou seja, a presença de um país na relação não significa, necessariamente, que os Estados Unidos considerem seu governo omisso no combate às drogas.
Brasil mantém ações contra o crime organizado
A crítica do governo Trump ocorre no mesmo dia em que forças de segurança brasileiras deflagraram a Operação Força Integrada IV, coordenada pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).
Segundo a Polícia Federal, a operação mobilizou 20 bases em 19 estados, com cumprimento de 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão. Também foram determinadas medidas patrimoniais superiores a R$ 508 milhões contra organizações criminosas investigadas por crimes como tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
A operação foi divulgada no mesmo dia da nova crítica do governo americano, mas não há indicação, nas informações oficiais da PF, de que a ação tenha relação com a declaração de Trump.
Entenda o contexto
A declaração de Donald Trump acrescenta um novo ponto de tensão na relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano critica a atuação brasileira contra PCC e Comando Vermelho, enquanto o Brasil mantém operações próprias de combate ao crime organizado.
O documento, porém, faz uma distinção importante: apesar das críticas, o Brasil não foi colocado na lista formal de principais países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas. A acusação de falha no enfrentamento às facções é uma avaliação apresentada pelo governo Trump.