Governo Trump acompanha crise no STF após afastamento do diretor da PF

Washington monitora a escalada da crise institucional no Brasil e avalia possíveis impactos sobre as relações entre os dois países e a eleição presidencial de 2026
Redação NC News
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanha de perto a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e integrantes do governo brasileiro.

Segundo fontes do governo americano ouvidas pelo UOL, Washington vem acompanhando os acontecimentos que culminaram no afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro do STF André Mendonça.

Um integrante da diplomacia americana chegou a comemorar o afastamento de Rodrigues e afirmou, segundo a reportagem, que “já era hora” de o delegado deixar o comando da corporação.

O governo Trump estaria recebendo informações tanto da diplomacia americana em Brasília quanto de aliados políticos, entre eles o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo.

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Crise entre Brasil e Estados Unidos

A tensão entre os dois países já havia aumentado nos últimos meses em razão de episódios envolvendo a Polícia Federal e autoridades americanas.

Um dos momentos mais delicados ocorreu após a prisão, nos Estados Unidos, do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, condenado no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Ramagem deixou o Brasil antes de ser preso e acabou detido em Miami, na Flórida, por agentes da imigração americana.

O episódio também envolveu o delegado brasileiro Marcelo Ivo Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF junto à agência de imigração dos Estados Unidos.

Após a prisão de Ramagem, Carvalho foi expulso dos Estados Unidos. Em resposta, Andrei Rodrigues determinou que um agente americano que trabalhava em Brasília deixasse o Brasil.

Moraes volta ao centro da tensão

A crise também envolve o ministro Alexandre de Moraes, que se tornou alvo de críticas de integrantes do governo Trump e de aliados do presidente americano.

Moraes foi sancionado pelos Estados Unidos no ano passado por meio da Lei Global Magnitsky, sob alegações relacionadas a direitos humanos e liberdade de expressão.

A sanção posteriormente foi retirada após negociações entre os governos de Trump e Lula.

Agora, segundo fontes citadas pelo UOL, integrantes do governo americano consideram possível uma nova aplicação de sanções contra Moraes nas próximas semanas.

A possibilidade aparece em meio às novas informações envolvendo o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Mensagens atribuídas a Vorcaro e direcionadas a Moraes foram tornadas públicas por determinação de André Mendonça. Também passaram a ser questionadas informações relacionadas ao contrato entre o escritório da esposa de Moraes e o banco.

Washington acompanha impacto nas eleições

A crise também ganhou uma dimensão eleitoral.

Segundo a reportagem, integrantes do governo Trump avaliam que os acontecimentos envolvendo o STF podem ter impacto sobre a disputa presidencial brasileira de 2026.

Uma ala do governo americano defenderia uma aproximação maior com Flávio Bolsonaro, candidato do PL e aliado político de Trump.

Outra corrente, porém, defende uma postura mais pragmática e cautelosa, evitando uma interferência que possa prejudicar a relação dos Estados Unidos com o Brasil caso Lula seja reeleito.

A divisão mostra que Washington acompanha não apenas a crise institucional, mas também os possíveis efeitos políticos do conflito às vésperas da eleição brasileira.

Relação com Lula também pesa

O governo Trump também leva em consideração a relação construída com o presidente Lula.

Segundo fontes ouvidas pelo UOL, integrantes da administração americana lembram que Lula defendeu Alexandre de Moraes em conversas com Trump, especialmente no contexto das negociações que levaram à retirada das sanções contra o ministro.

Apesar disso, os representantes americanos afirmam que, neste momento, os Estados Unidos se colocam como observadores dos acontecimentos.

A avaliação é que uma postura excessivamente agressiva poderia comprometer futuras relações com o governo brasileiro.

Crise dentro da Polícia Federal

O afastamento de Andrei Rodrigues provocou uma reação interna na Polícia Federal.

Onze diretores da corporação colocaram seus cargos à disposição em apoio ao diretor afastado e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.

Os integrantes da cúpula da PF criticaram o que consideraram ataques contra a instituição e defenderam a autonomia da corporação.

Enquanto o caso é analisado pelo STF, William Murad, então diretor-executivo da Polícia Federal, assumiu interinamente o comando da instituição.

A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A decisão de Mendonça, contudo, permanece válida durante a suspensão do julgamento.

Crise ultrapassa fronteiras

O conflito, que começou dentro das instituições brasileiras, passou a ter repercussão internacional.

Além do interesse demonstrado pelo governo Trump, a situação envolve relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, possíveis sanções contra autoridades brasileiras e os efeitos do embate sobre as eleições de 2026.

O cenário ainda pode mudar conforme o STF avance na análise do afastamento de Andrei Rodrigues e conforme novas informações sobre os relatórios de inteligência da PF sejam investigadas.

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Entenda O Contexto

A crise envolvendo o STF e a Polícia Federal ganhou uma dimensão internacional após André Mendonça determinar o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. Mendonça afirma ter sido alvo de monitoramento ilegal e determinou que a Corregedoria da corporação investigue a produção dos relatórios que motivaram a controvérsia.

A decisão provocou reação da cúpula da Polícia Federal e ampliou uma disputa que já envolvia Alexandre de Moraes, o governo Lula e investigações relacionadas ao Banco Master. Agora, segundo fontes ouvidas pelo UOL, o governo Trump acompanha os acontecimentos de perto e avalia os possíveis impactos sobre as relações entre Washington e Brasília e sobre a eleição presidencial brasileira.

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