Eduardo Bolsonaro diz que usará julgamento do STF para pedir novas sanções dos EUA

Ex-deputado afirmou que pretende apresentar em Washington registros da sessão que discutiu procedimentos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes; Flávio Dino criticou possibilidade de pressão externa sobre a Corte.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que pretende usar registros do julgamento realizado nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF) como argumento em uma articulação por novas sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. A declaração foi publicada nas redes sociais após a sessão da Corte.

Eduardo disse ter registrado trechos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino e afirmou que pretende apresentar o material em Washington. Nesta quarta-feira (16), ele se reuniu com representantes do Departamento de Estado americano, segundo informações divulgadas pelo Correio Braziliense.

Leia também:

Moraes vota para rejeitar recurso e manter condenação de Eduardo Bolsonaro por coação

Entenda o que aconteceu

Durante a sessão de terça-feira, Eduardo publicou comentários sobre o julgamento e disse que o conteúdo estava registrado para ser apresentado na capital americana. Ele afirmou esperar que as conversas resultem em uma nova rodada de sanções.

A sessão discutiu questões relacionadas ao procedimento envolvendo Moraes e informações reveladas no caso Banco Master. O julgamento terminou sem uma decisão definitiva após Flávio Dino pedir vista.

Dino criticou possibilidade de novas sanções

Durante o julgamento, Dino mencionou notícias sobre a possibilidade de novas medidas dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. O ministro classificou uma eventual pressão estrangeira destinada a influenciar decisões judiciais como ilegítima.

Eduardo rebateu a manifestação e sustentou que sanções internacionais contra indivíduos não representariam, na avaliação dele, uma violação da soberania brasileira. A afirmação expressa a posição do ex-deputado e não uma conclusão jurídica sobre o tema.

Eduardo já havia anunciado viagem a Washington

Na semana passada, Eduardo já havia declarado que viajaria a Washington para discutir a possibilidade de retomada de sanções da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Na ocasião, não detalhou com quem pretendia se reunir.

Nesta quarta-feira, interlocutores disseram ao Correio Braziliense que o ex-deputado se reuniu com representantes do Departamento de Estado e apresentou informações sobre a situação do STF.

Veja também:

Delator confirma 7 pagamentos de Vorcaro a fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro

Moraes já foi alvo da Lei Magnitsky

Alexandre de Moraes foi submetido a sanções americanas com base na Lei Magnitsky em 2025. A medida foi posteriormente revogada. Flávio Dino e Gilmar Mendes também tiveram os vistos americanos suspensos naquele período, medidas que igualmente foram revertidas.

A Lei Global Magnitsky permite ao governo americano impor restrições financeiras e migratórias a estrangeiros que os Estados Unidos determinem estar envolvidos em determinadas violações de direitos humanos ou corrupção. A decisão de aplicar uma sanção cabe às autoridades americanas; a articulação anunciada por Eduardo não significa que novas medidas serão adotadas.

 Entenda o contexto

A atuação de Eduardo nos Estados Unidos em busca de medidas contra integrantes do STF já foi objeto de um processo no próprio Supremo. Em junho de 2026, a Primeira Turma o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo a Corte, ele atuou junto a autoridades americanas para pressionar por sanções contra ministros do tribunal e contra o Brasil com o objetivo de beneficiar Jair Bolsonaro.

A defesa, exercida pela Defensoria Pública da União, contestou aspectos da condenação e apresentou recurso, que está sendo analisado pela Primeira Turma entre 11 e 18 de setembro.

Agora, Eduardo afirma que pretende voltar a defender sanções nos Estados Unidos usando os acontecimentos recentes no Supremo como parte de seus argumentos. Até o momento, a declaração representa uma iniciativa anunciada pelo ex-deputado e não a confirmação de novas sanções pelo governo americano.

Mais lidas do NC News:

PF deflagra operação contra suspeita de desvios e afasta prefeito de Coari no Amazonas

Bate-boca, acusações e pedido de vista: veja o resumo da sessão do STF sobre Moraes e Mendonça

Crise no STF vira “ganha-ganha” para Flávio Bolsonaro, avaliam aliados

Carregar Comentários